Paróquias e Abades - Parte 2

Júlio César Ferreira

2020-06-18

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Cada Diocese deve dividir-se em paróquias, que são comunidades de fiéis constituídas de forma estável e confiadas a um pároco como seu pastor. Cónego Albano da Silva Freitas A 30 de Junho de 1947, D. António Bento Martins Júnior (Arcebispo de Braga de 28 de Setembro de 1932 a 119 de Agosto de 1963) assina o decreto da nomeação para a Freguesia de S. João das Caldas, do Padre Albano da Silva Freitas, decreto tornado publico a 24 de Julho de 1947. A 6 de Agosto de 1947, chegava a Vizela aquele que se tornaria numa das figuras mais emblemáticas da segunda metade do século vinte, numa altura em que na, então, Vila de Vizela, se vivia uma vida alicerçada em duas facetas bem distintas. Por um lado, o modo de vida faustuoso dos banhistas ou simples veraneantes e a vida simples dos operários fabris, ou dos trabalhadores agrícolas. Albano da Silva Freitas, nasceu na freguesia de S. Lourenço de Golães, Concelho de Fafe, no 20 de Fevereiro de 1921, filho de Florêncio da Silva Freitas e de Albertina de Freitas e foi ordenado sacerdote a 18 de Setembro de 1943. Inaugurada que tinha sido em 1909, a igreja de S. João, apresentava, neste verão de 1948, algumas vicissitudes próprias do tempo. 40 anos de vida fazem mossa e eram notórias algumas das mazelas que a vetusta igreja já ostentava. Sem receio, com ousadia e força de querer lança-se num arrojado e vultoso restauro, que devolveu a este belo tempo a nobreza que merecia. Mas nova obra esperava pela sua indómita vontade de modernizar a sua freguesia e assim, nos meados dos anos 50, novo projecto ganha forma na sua mente: a construção de uma das mais emblemáticas obras da freguesia e que ainda hoje, não tem paralelo em todo o distrito e diocese. Foi durante anos palco de imensas actividades lúdicas, recreativas e culturais, como o ensino infantil e primário, para além de das actividades próprias da igreja, nomeadamente catequese e outras. Concluído que ficou o Patronato, novo sonho o alimentou e a necessidade de uma nova casa paroquial e um adro condigno, levaram-no a mais uma tarefa árdua mas que alimentava o seu lema de vida. Elevar cada vez mais alto, a Igreja e os paroquianos que lhe foram confiados. Andava eu nas matas da Guiné, nos anos de 1970, quando sonha em dotar a velhinha Igreja com um soalho novo, vitrais resplandecentes, telhado novo, bancadas novas e novos sinos. Concluído que estava este segundo restauro, foi ele solenemente inaugurado a 18 de Junho de 1972, no mesmo dia em que se celebravam as cerimónias da Primeira Comunhão e da Comunhão Solene de muitos jovens de então. Neste mesmo dia um pavoroso incêndio destruiu a completamente o Altar - Mor e os altares laterais, tendo a igreja ficado muito danificada quer pelo fumo, quer pelo combate ao incêndio, mas o querer, a força de vontade e o carinho de muitos benfeitores, amigos e demais paroquianos, levou a novo restauro. Determinado e sabendo que na Igreja de Cedofeita, estava armazenado o Altar - Mor que fora do Convento de S. Bento de Ave - Maria, no Porto, que no Séc. XVIII foi demolido para dar lugar à Estação de S. Bento, logo o incansável Padre Albano tratou de o comprar para embelezar a sua Igreja. Nesse mesmo ano, por decreto do Arcebispo D. Francisco Maria da Silva, é nomeado Cónego honorário, ficando a pertencer à Corporação de Cónegos da Sé de Braga. Foi, durante os anos 50 e 60, professor e mentor religioso no Externato de Vizela. No final do ano lectivo de 1951, os alunos fizerem uma procissão e na gruta do colégio, foi colocada uma imagem da Senhora de Fátima. Por estes anos, em meados dos anos 50, em todos os 12 de Maio e durante vários anos seguidos, saía uma lindíssima procissão de velas, que vinda da Igreja, "descia a rua da companhia, atravessava a ponte velha e dava a volta pela ponte nova até à igreja". As pessoas compravam velas que eram cortadas e colocadas nas janelas e nas guardas da ponte. Nas marcas dos "forfex", os jovens naturais da ponte velha, com muito esforço e risco, colocavam cotos de velas acesos, que davam à velha ponte um "aspecto lindíssimo" Durante uma boa parte do seu ministério, teve como coadjutor o seu irmão João, que mais tarde foi pároco da Freguesia do Divino Salvador de Tagilde e a quem se deve, juntamente com o Monsenhor José de Sousa Monteiro, pároco de S. Miguel das Caldas, a construção da Capela Nova de S. Bento, com inicio a 1 de Agosto de 1966 e que teve a sua inauguração e bênção, numa cerimónia presidida pelo Sr. Arcebispo de Braga, D. Francisco Maria da Silva, a 10 de Julho de 1971. Com o desaparecimento, por morte, do Monsenhor José de Sousa Monteiro, a 3 de Setembro de 1979, assume o cargo de Capelão da Real Associação dos Bombeiros Voluntários de Vizela, cargo que manteve até à sua morte, em 1997. Durante os cerca de 20 anos que exerceu este nobre cargo e que em grande parte, coincidiu com a "luta" pelo quartel novo dos bombeiros, a sua voz eloquente, o seu espirito divertido e ao mesmo tempo humilde e solene, fez com que muita gente, volvesse os olhos para a nobre missão de salvar vidas, contribuindo de forma decisiva para o "aligeirar" de algumas mentes e…bolsas. Acompanhei (era diretor da mui nobre corporação dos "nossos" bombeiros, durante todo este tempo) de muito perto a sua movimentação em prol dessa obra que hoje nos orgulhamos. Vi a sua humildade e verve carismática, a acalmar a ira do saudoso Sr. Luís "Perú", quando as noticias vindas de Lisboa, envenenadas pela "dor de cotovelo" e pela inveja, nos roíam a alma. Vi e ouvi - na cantina, da qual fui responsável - aquando almoços de aniversário, a sua voz sofrida, humilde, mas quente e sentida, fazer com que a pequena esmola pedida, fosse entendida com um grande óbolo. Padre José Marques Machado Actual pároco de S. João das Caldas, José Marques Machado, nasceu a 5 de Março de 1960, em Guimarães. Seguiu a carreira eclesiástica, tendo -se ordenado sacerdote em 23 de Dezembro de 1984. Esteve como coadjutor em santa Eulália de Nespereira, S. Miguel das Caldas e como pároco em Moreira de Rei, freguesia do Concelho de Fafe, onde deixou obra e muitas saudades. Foi coadjutor do saudoso Cónego Albano da Silva Freitas, após o falecimento deste em 16 de Dezembro de 1997, assume o cargo de Pároco desta freguesia de S. João das Caldas de Vizela. Professor na EB 2/3 de Caldas de Vizela, na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), alia a esta função que adora, o gosto pela música, tendo um DVD gravado com musicas de teor sacro, alicerçado no escutismo religioso, melodias que compões à viola, que dedilha sempre que a ocasião se propicie. Não nos admiremos, nem nos surpreendamos, portanto, de o ver como responsável pelo Grupo Coral da Paróquia " Canto et Laboro". E se, como dissemos, na paróquia de Moreira de Rei, em Fafe, deixou obra notória, notável e reconhecida, nestes pouco mais de 23 anos que leva de vida na paróquia de S. João, a sua obra é já por todos reconhecida como considerável, marcante, respeitável, importante e relevante. A alteração de toda a nave principal da Igreja, aproveitando os corredores laterais que se sentiam desaproveitados, aumentando o espaço e, logo a lotação da mesma para o triplo, veio dar á igreja um aspecto airoso, moderno, com maior comodidade para os muitos naturais e outros frequentadores desta igreja de S. João. Foi uma decisão intrépida, repleta de audácia e afoiteza, determinação e coragem, que teve como momento mais alto na sua inauguração, a presença do Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, presença que se transformou num momento emocionante, de alto significado. O inicio destas grandiosas obras tiveram lugar a 13 de Dezembro de 2002 e seria benzida e inaugurada, como dissemos pelo Sr. Arcebispo, D. Jorge Ortiga, a 21 de Setembro de 2003. Muito mais haverá para dizer, mas este texto já vai longo e oportunidades não nos faltarão para falarmos deste nosso amigo. Resta-me dizer que no texto anterior, punha em duvida a presença nesta paróquia de D. Theotónio de Bragança. Hoje posso dizer que D. Theotónio de Bragança, esteve como pároco nesta Igreja, conforme "assento de propriedades, sendo abade D. Theotónio de Bragança, no ano do nascimento de Nossos Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e sessenta e três"