Os Lions na Práxis do seu companheirismo

Pedro Marques

2022-11-24

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IV - O Lions sempre numa atitude de serviço solidário


O que foi bispo do Porto – D. António Ferreira Gomes – afirmou um dia e isso mesmo escreveu, que a qualidade de acção e de serviço está nas minorias e nunca nas massas. Com efeito, nas minorias, cada seu elemento se vê no outro como num espelho e constata que a sua liberdade vai até ao limite da fronteira onde começa a liberdade do vizinho. E no (bom) comportamento do seu próximo, avalia a bondade do seu ou o seu oposto, ao ponto de reconhecer a Sabedoria que o Povo tira da sua experiência quotidiana – “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”.  E por isso também o peso e medida nas nossas conversas sobre terceiros – ser comedido na crítica e generoso no elogio, sem se resvalar para a “escova” ou “lambe-botas”.
 O POVO diz: palavra fora da boca é (como) pedra fora da mão.  Por vezes, uma palavra, dita mas não pensada, pode ferir. Pode magoar. Fechando este raciocínio, é nas minorias, das quais os LIONS são uma das expressões, que está o terreno do imenso e vasto campo de acção de “fazer o bem sem olhar a quem”. Mas no silêncio e na humildade e no anonimato, embora tenha de haver acções que são inevitavelmente públicas dado o seu âmbito social necessariamente visível. São, essas acções, ou obras, luz cujo brilho não se pode esconder sob o alqueire.
Chegados aqui, poderemos concluir que o “terreno” de acção dos LIONS é delineado por duas linhas paralelas, mas que, a exemplo da via férrea, têm, nos seus objectivos uma agulha que as une:  o SERVIÇO colectivo e o SERVIÇO individual. O código de ética não tem isto de forma explícita. No entanto, no SERVIR, se é mais visível a acção no colectivo solidário (a união faz a força), a iniciativa individual está lá também.
Se a palavra “S” dos LIONS é a última da sigla, não nos esqueçamos da “Liberdade”; da Ordem; do Nacionalismo. Três conceitos que, presumimos, para a juventude actual, tenha já um cheiro a mofo. E faça até alguma confusão para quantos, porventura, tenham numa sociedade permissiva, posturas eivadas de ideologias doentias, numa anormalidade de comportamentos, que, pela sua repetição e permissividade, passam a ser vistos como posturas “normais”.
 Ora,  quanto a Liberdade, ser livre, já na civilização grega, Cícero afirmava ”Somos todos escravos da lei, para que possamos ser livres.“(…) Sou escravo do dever por amor à liberdade”(…). Talvez para as gerações mais novas e sobretudo nos meios sociais onde se nota a violência, da verbal aos actos, e onde já se tem por “normal” a anormalidade do atropelo da Lei, este conceito de Liberdade seja um tanto indigesto. Porém, numa sociedade, num país que se rege por um Estado de Direito, as leis são para cumprir. E é neste âmbito que se entende o conceito de “Liberdade” na ética dos LIONS.
E, de arrasto ou dentro do mesmo conceito ou dele derivando, está o da “Ordem”. Que não é “imposição” e muito menos “perseguição”. O ideal seria, na verdade, que a sociedade tivesse já atingido a suprema perfeição da “anarquia”. Ou seja, na pureza etimológica do seu termo, “ (já) sem a necessidade de governantes”. No entanto, no entendimento hodierno, o conceito de anarquia está nos antípodas da sua génese. Tem-se por anarquia, todo o desregramento de comportamento individual, social e colectivo. Com o intuito do combate das leis e, pela violência dos actos, se tenta atingir o inatingível da Liberdade por esta via.
 É que a Liberdade não depende da violência das guerras, locais ou regionais ou de um país contra outro. A Liberdade consegue-se pela “violência das ideias”. E temos exemplos de referência mundial – Ghandi; Luter King; Nelson Mandela. Entre tantos. Sem nos esquecermos de que a Liberdade de uns termina onde começa a liberdade dos outros. O pensamento é livre. Manuel Freire nas suas canções de intervenção, cantava assim: ”Não há machado que corte a raiz ao Pensamento (…)”.
Poderá concluir-se individualmente: mas eu, na minha vida, até já dou todos estes passos enunciados no Código de Ética Lionista! Com certeza!  Parabéns por isso. Todavia, voltamos atrás  à passagem em que citámos o ditado popular de “A união faz a força”.