“O doce encanto de aprender a envelhecer e envelhecer a aprender”

Fátima Andrade

2022-11-24

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Após uma vida de trabalho, chega a hora de descansar e questionamo-nos:
E AGORA?

O agora será, para muitos, uma incógnita, onde a indecisão estará sempre latente: que não o esteja por muito tempo.
A escritora Miriam Goldenberg, que muito tem pesquisado sobre a vida dos idosos, escreveu: o que alimenta a nossa alma, a saúde física e mental, e o que de melhor temos para fazer por nós e pelo outro, é a reciprocidade, onde o alimento é o cuidado. É essa troca, essa partilha 
que alimenta a vida dos idosos na alegria de viver e de continuar a participar na sociedade.
A aprendizagem contínua tem, aqui, um papel preponderante na vida de todos nós, seja qual for a idade em que nos situemos. Aprender coisas novas todos os dias, faz-nos viver mais e com mais qualidade de vida física e mental.
Na sociedade atual, onde quase se exige uma juventude eterna, ainda há franjas sociais que entendem a velhice como o fim do percurso, não pelo facto de nos faltar a capacidade de fazer e de aumentar competências, mas simplesmente porque nos consideram velhos.
Velhos que é suposto ficarem no seu cantinho e dar lugar a outros, ávidos de implementarem toda uma tecnologia de ponta que, acreditam eles, substituirá o ser humano, o único que consegue IMPRIMIR o toque de humanidade que a máquina nunca conseguirá.
A realidade é que O JOVEM DE HOJE É O VELHO DE AMANHÃ. E aquele TEM UMA VANTAGEM: OBSERVAR, APRENDER E INTERAGIR COM AQUELES QUE JÁ VIVERAM E QUEREM, TÊM O DIREITO DE CONTINUAR EM A PERTENCER A TODA UMA DINÂMICA SOCIAL, pondo em prática os seus saberes e a sua experiência adquiridas ao longo da vida.
Será uma atitude inteligente colocarmos na chamada prateleira, tantos daqueles que acumularam em si o conhecimento de toda uma Vida, de alegrias, de sonhos, de mágoas, de afetos que são inerentes à vida real?
Nelson Mandela, em 2003, deixou para a história a frase: “A Educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o Mundo.”
O papel da Educação no Mundo deveria ser o principal objetivo junto de qualquer comunidade, independentemente da faixa etária.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da Pordata, publicou em 2021 que por 100 jovens, existem 153 idosos.
Atendendo à realidade demográfica que nos é apresentada, a cada ano, conclui-se que há cada vez mais idosos a chegarem a uma idade avançada, muito devido aos cuidados de saúde a que aqueles podem recorrer, ao papel das famílias e, entre outras, à inclusão na sociedade.
Somos um país envelhecido? - Sim! Somos o terceiro país, depois da Alemanha e da Itália, a ter um número tão elevado de idosos. De velhos. Não tenhamos medo das palavras. Somos velhos, sim, mas continuamos a ter competências, a pensar por nós próprios, a escolher como queremos continuar o nosso percurso de Vida.
E como cuidar, dinamizar e valorizar a vida dos nossos idosos? Essa tarefa cabe-nos a todos: individualmente, ou através de instituições que têm sabido levar a bom porto a máxima de saber servir com o coração e a razão. Vem–me à ideia a obra gigantesca que o Rotary Club de Vizela tem levado por diante, dando aos idosos de Vizela a possibilidade de continuarem a aprender e a ensinar, com a ajuda imprescindível dos professores e formadores da Universidade Sénior de Vizela.
Com a criação daquela Universidade que, no presente ano, comemora 15 anos de existência, sob a batuta do tão empenhado Reitor, o Rotary Club de Vizela encontrou uma vez mais uma das respostas possíveis para que os nossos idosos tenham uma velhice mais sustentável e feliz.
Quais os objetivos das Universidades Seniores?
A verdade é que após o fim da muito extensa vida laboral ou profissional, os mais velhos ficam com muito tempo que urge preencher e, sobretudo, querem e devem manter-se ativos.
Aliás, a Organização Mundial de Saúde está em completa sintonia com a função social dessas Universidades.
A Rede de Universidades Seniores de Portugal estende-se de Norte a Sul do País com uma missão bem explícita: Valorizar o conhecimento e a vida ativa da população mais velha. Em 2020, existiam, em Portugal, 368 Universidades Seniores, com cerca de 65000 alunos e 7500 professores e formadores em regime de voluntariado.
Essas Universidades abrangem áreas muito diversas, tais como, as artes, informática, línguas, cidadania, mas podem, ainda, realizar eventos sociais, culturais, desportivos, viagens, criar grupos recreativos e artísticos e fomentar o voluntariado.
É vasto o leque de escolha para quem, ao nível da Educação, não pretende ficar parado, mas antes ser, ou melhor, continuar a ser um ativo competente da Sociedade em que se está inserido.
Permitam-me que, neste aniversário da Universidade Sénior -15 anos- agradeça, em nome de todos aqueles que constituem a Sociedade Vizelense e lutam por uma vida melhor para todos e também para os Velhos, agradeça, ao Rotary Club de Vizela pelo papel que tem desempenhado e, no caso presente, na área da Educação; ao Sr. Reitor, aos Professores, Formadores e, em especial, aos alunos, cujo exemplo, empenho e dedicação nos merecem, a todos, os maiores elogios e cumprimentos.
Bem hajam todos por construírem um mundo melhor e mais inclusivo.