O Coração das Associações

Carlos Martins

2020-10-29

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29-10-2020


A resiliência deve ser a palavra que melhor define o ser humano. A capacidade de adaptação a circunstâncias menos favoráveis, permite encarar o acontecimento em si, mas alarga o horizonte, de quem se dispõe a vivenciar de uma forma construtiva. E é esta a impressão que fica, quando se procura criar uma associação. As paixões da sua razão de existência diluem-se rapidamente, se os alicerces se basearem na oportunidade. Há mutos exemplos de associativismo válido, do que tem uma razão maior de passagem pelos anos, pois as causas nobres são fundamentais, mas a sua renovação constante permite a construção de regras comportamentais, que buscam na realidade as suas razões de existência. Como exemplo, permitam-me falar do Rotary Club de Vizela. A caminho dos 29 anos de vida, esta associação procurou servir a sua comunidade da melhor forma, sempre adaptando os seus projectos à procura de soluções. De acordo com os seus princípios, também participou em campanhas internacionais, onde a dimensão das necessidades é em maior grau. Este exemplo do clube rotário, permite dar uma ideia de que a organização é importante, por aceitação de que os fundamentos da sua existência são essenciais, mas é preciso aplicar a resiliência, para que passo a passo a propósito se mantenha. Aqui reside uma das várias valias desta associação. Começa por incluir sócios que devem acrescentar valor. Apesar de ser um conceito, dada a variedade de opiniões sobre os assuntos, todos participam na decisão dos caminhos a trilhar. É um ponto de partida, para que se tenha noção da realidade, projetando um trabalho futuro. Quanto à qualidade, quem assume a liderança de qualquer associação, tem ideias inovadoras, medidas no tempo de aplicação e concretização. E nem sempre corre tudo bem. Os altos e baixos associativos, equivalem aos momentos melhores e menos bons da espécie humana. Isto, porque não é possível separar a pessoa da sua condição. Uma inovação constante, em busca ou mero acompanhamento das necessidades já se é bem complicado. Mas não deixa de ser uma maneira simples de constatar se a associação em causa tem os atributos, que uma organização destas precisa. A tal resiliência dos sócios, que mantém o coração a bater. A que ritmo? Na minha opinião, quanto menor for o mandato, maior a dedicação e capacidade de resistência do sócio. Aqui, volto ao comportamento de Rotary. Um mandato, em todos os órgãos sociais e outros formatos, que dura um ano. E é assim, desde há mais de 100 anos. Os resultados têm sido excelentes. Com os evidentes altos e baixos, em função das dinâmicas individuais, mas, ainda assim, com um grau de envolvimento muito gratificante. Há sempre a perspetiva de que se está a fazer o possível e poderá ser melhor no futuro. O tempo de duração do mandato parece curto, mas torna-se entusiasmante, porque o ritmo é elevado, naturalmente, em função de um compromisso que não se estende no tempo, por falta de alternativas. De uma forma simples, assegura-se o futuro a mais de 2 anos, com eleição do presidente do clube. E este, ao assumir o seu cargo, sabe que o clube está solidário, em funções diversas, para aceitar as diretrizes definidas. O presidente, pelo seu lado, sabe que conta com todos os sócios, para darem de si, antes de pensar em si. Ou seja, dedicando-se à s tarefas, contribuindo com a sua opinião, em qualquer momento, sobre o que foi realizado, o que há para fazer e o que precisa de ser feito. Parece simples. E é. Assim, o queira a condição humana. Como disse o poeta Luís de Camões: “ Muda-se o ser, muda-se a confiança. Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”.