Novos Tempos

Frederico Freitas

2022-01-13

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Há sensivelmente 22 meses, deparamo-nos com uma nova vivência, fruto de um malfadado vírus, que nos afetou a todos.
A realidade que chamávamos nossa e que nos era tão confortável, foi-nos "roubada" de um momento para o outro, mudando as nossas vidas, simultaneamente, a nível pessoal, profissional, social, emocional, económico, comercial, comportamental….
Hoje, consciente ou inconscientemente, levamos o nosso dia a dia, considerando este vírus como parte integrante das nossas vidas. 
A questão que me coloco várias vezes, é se no decorrer dos últimos quase 2 anos, teremos mesmo mudado a nossa maneira de ver “as coisas”? Honestamente, ainda não me consigo dar uma resposta. 
Acho que no fundo ainda estamos a processar o que aconteceu, a aprender a lidar com a volatilidade e inconstância do presente e a não criar grandes expectativas relativamente ao futuro.
O passado recente e o presente, mostram-nos que tudo pode alterar muito rapidamente, sem que isso possa depender de nós próprios, da nossa vontade ou das nossas ações. 
O futuro segue incerto e desconhecido como sempre, contudo, agora todos temos mais noção do que nunca, dessa incerteza. A nossa sociedade, economia, empresas, profissões e a nossa maneira de pensar e planear o futuro, nunca tiveram uma necessidade tão grande e rápida de adaptação. 
Os nossos empresários têm visto a sua capacidade de resiliência e de adaptação à mudança, postas à prova a toda a hora. 
A inflação generalizada dos preços, aliada à “loucura” de acréscimo de encomendas vs falta delas, a escassez de matérias primas e de mão de obra nalguns sectores, as alterações nos hábitos de consumo da população que se viu "obrigada" a incorporar o "online" e o "digital" de um momento para o outro, as sucessivas novas vagas pandémicas, o setor imobiliário e tudo o que vem com ele (valores de mercado elevadíssimos, antecipação de alterações nas condições de financiamento, nomeadamente das taxas Euribor), tudo tem exigido uma capacidade de mudança nunca antes vista. 
De facto, vivemos tempos desafiantes em todos os ramos de atividade e mesmo na nossa vida pessoal. 
Nas várias dissertações, artigos e livros sobre previsões económicas, financeiras e sociológicas, nada nos prepara para o que vivemos hoje. 
As mudanças já vividas e as que ainda virão, devem ser encaradas por todos nós de uma forma estrutural e construtiva. 
A nossa forma de estar, pensar e planear as nossas vidas, profissões, negócios, emoções, afetos, consumos, hábitos, comportamentos, mudaram e há ilações a retirar disso. 
A meu ver, talvez a mais importante seja a consciência de que pouco depende de nós, mas que tudo podemos fazer. 
Não podemos exterminar o “covid” e com isso repor a "normalidade" que nos era tão querida, mas podemos aceitar, aprender e evoluir com toda esta experiência e fazer do amanhã, um lugar melhor para nós e para os que nos rodeiam.
Não devemos ser apenas agentes de mudança na nossa proteção e dos nossos, mas também da nossa comunidade e sociedade. 
No Rotary, nomeadamente, no Rotary Club de Vizela, temos conseguido manter o foco num grande espírito de entreajuda, com passos concretos a nível local e internacional. Por exemplo, a nível local, continuamos a aumentar o parque de cadeiras de rodas e camas articuladas para podermos ajudar quem mais precisa. 
No campo Internacional, no seguimento de um pedido de ajuda da longínqua “Namíbia”, lançamos a campanha “Save Namíbia”, com a venda de porta-chaves, que se tem revelado um grande sucesso, graças a toda a comunidade, conseguindo assim alegrar e muito, crianças desse fustigado país.
Temos uma luta grande pela frente, não tenhamos grandes dúvidas, mas a nossa capacidade de resiliência e um aumento necessário do espírito de entreajuda levar-nos-á para a frente.
No meio deste turbilhão de emoções, temos de reservar espaço e tempo para ajudar o próximo, nos mais variados contextos.
Termino hoje não com o lema rotário "Dar de si, antes de pensar em si" mas com uma frase proferida por uma sábia e querida companheira rotária, partilhada numa das nossas últimas reuniões, que me marcou pela simplicidade e pela força da mesma.

Apelo à vossa reflexão: 
“O bem fazer é o melhor bem-estar”