Nascer Conectado

Paula Oliveira

2021-09-09

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A melhor preparação para o mundo online é o mundo real, cenário em que o papel dos pais é fundamental.
Atualmente parece que as crianças nascem com um tablet ou um telemóvel, touch screen , nas mãos. 
Esta exposição precoce à tecnologia, significa que os pais enfrentam o desafio de saber gerir esta situação. Será que sabem?
Se damos à criança uma solução em forma de ecrã, ela nunca aprenderá a autorregular-se, surgindo situações como falta de atenção, impulsividade, dependência, maior identidade digital do que pessoal…
Será uma atitude pedagógica, colocar durante a refeição, um ecrã à frente da criança? Será uma ferramenta educativa?
Não, não é. É a vida moderna. É o facto de os tablets serem vistos como “baby-sitters” eficazes, mantendo as crianças entretidas.
Nesta situação, a criança deixa de fazer aprendizagens importantes, como saber esperar, ou resistir a momentos de incómodo e saber superá-los. Há conhecimentos que são valorizados, e, às vezes, conhecimentos tácitos que são ignorados. 
A inteligência emocional é uma capacidade da mente de perceber, entender, expressar e regular emoções.
O bom equilíbrio é necessário. Sempre aprendemos na soma de momentos. As coisas que acontecem com a Inteligência artificial são incríveis, mas primeiro há que desenvolver capacidades que as máquinas não podem construir, e aqui, a tecnologia devolve-nos a velha questão de como fazer uma educação mais humana.
Embora a infância seja uma construção da modernidade, o que é ser criança numa sociedade marcada pelas tecnologias?
 As TIC parecem tomar conta do mundo infantil e estão a construir uma nova cultura. Mudam-se as formas de interagir, substituindo-se muitas vezes, o colo e o encontro afetivo, por som e imagens no formato digital.
É cada vez mais repetitivo dizer que a era da revolução da informação, elimina as barreiras da distância conduzindo a novas formas de pensar, agir e interagir.
Se de um lado existe um pensamento mais contemporâneo, do outro existe uma construção mais resistente da criança como “inocente” que precisa de proteção.
Neste contexto, a mediação parental é vista como uma estratégia-chave, no desenvolvimento de habilidades das crianças para o uso seguro das tecnologias, com o objetivo de promover os aspetos positivos e prevenir os efeitos negativos.
Há que compreender a importância das implicações que surgem, da associação entre o uso dos recursos digitais na primeira infância, e o potencial desenvolvimento e hábitos de consumo dos média digitais ao longo da vida. É imperativo observar a responsabilidade dos pais, de mediar o acesso precoce a estes dispositivos. A conversão da criança às novas tecnologias digitais é traduzida pelas atitudes de utilização da família.
A primeira infância é determinante na aquisição de hábitos e estilos de vida saudáveis. 
Ensine a criança a viver as suas emoções, as suas dificuldades, a desenvolver a empatia e os sentimentos. Ajude a criança a entender o seu ambiente, a entender que há problemas, mas que as soluções devem ser procuradas com esforço, persistência, perseverança e otimismo. Mas aceitar também… que esse esforço não garante o sucesso.
…que não se comprometa o futuro de quem nasceu conectado.