Lembram-se do Fernando dos Abba?

Manuel Marques

2020-05-21

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De repente fiquei com uma enorme admiração por Fernando Gomes, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Já havia gostado da sua forma tranquila e sábia de abordar o desporto no jantar de Gala dos 40 anos do Desportivo Jorge Antunes. Todavia, ao assumir corajosamente, mesmo sabendo a trovoada que vinha a caminho, a subida do FC Vizela e do Arouca à II Liga, assim do dia para a noite, revelou uma admirável coragem de liderança e personalidade que deviam fazer escola. Algo que alguns paus mandados que proliferam em setores da política, nas associações e demais organismos deviam pegar como exemplo porque quem é eleito para liderar deve tomar decisões: sobretudo decisões consentâneas com os estatutos e pergaminhos das respetivas instituições que representam, custe a quem custar. A ascensão do FC Vizela à II Liga não é um frete nem tão pouco um favor, muito menos apaga a dívida que a FPF tem para com este clube. É antes um hino a toda a dimensão desportiva porque, tal como defende a UEFA e Fernando Gomes ratificou, o que mais consagra e eleva o desporto o mérito. Como se diz na gíria futebolística, o homem (Fernando Gomes) teve-os no sítio, teve” tomates” ou à maneira espanhola “agiu com garras e colhones”. Em 1976 o quarteto musical sueco Abba lançou o maior sucesso da sua carreira, o tema Fernando que ultrapassou os seis milhões de discos vendidos. Não me parece descabida a intenção que tenho de abordar o meu pupilo Ernesto Sampaio, brilhante e dedicado speaker do estádio do Futebol Clube de Vizela, para o aconselhar a incluir em todos os jogos no estádio vizelense na sua playlist a música Fernando, em homenagem à coragem e brilhantismo desportivo de Fernando Gomes. De facto, o poema dos Abba, que versa a entrada do personagem “Fernando” numa dura batalha, não podia vir mais a propósito ao comparável desfecho atribuído (justamente) por Fernando Gomes ao FC Vizela. Vejamos alguns versos soltos da imortal canção: “Os sons de clarins vinham de longe/ Toda hora todo minuto parecia durar para sempre/ Eu estava com tanto medo, Fernando/ Embora eu nunca tenha pensado na derrota não sinto remorso/Fernando eu posso ver em seus olhos como você sentia orgulho em lutar pela liberdade desta terra/ Havia algo no ar naquela noite, as estrelas brilharam, Fernando/Elas brilharam por mim por você”. Tudo dito!