Grupo de Amigos da Ponte Velha

Júlio César Ferreira

2024-02-08


Faria este ano, 75 anos de existência, um dos mais característicos, carismáticos e emblemáticos grupos de amigos que Vizela já teve e que aliando uma grande amizade criada nos bancos da primária, se foi cimentando ao longo dos anos e que não obstante os tempos difíceis daquela época, fizeram daquela forte e sentida amizade, um salutar e animado grupo que, aliando a boa disposição, gosto pelo convívio e pelas coisas da nossa terra, formaram da sua amizade forte e imorredoira, um aguerrido e perseverante grupo de apoio à luta pela nossa emancipação municipal e ao apoio constante, firme e sentido ao Futebol Clube de Vizela.
Criado em 1949 e acreditando em fontes que nos chegaram até hoje, tendo como exemplo um outro Grupo que existira antes, O Grupo de Amiguinhos de S. Bento de 1937, foram seus primeiros promotores Abílio Teixeira Faria, Manuel Jesus da Cunha Marques, Alfredo Pinto da Costa, Joaquim da Costa Pinto, António Eduardo da Costa, Mário Teixeira, Armindo da Costa, Profeta Jonas (sic?), Carlos Ribeiro Machado, Luís Gonzaga Pinto Pereira, (…) Costa, Adolfo Machado. 
Estes os elementos que fizeram a primeira direcção e que elaboraram os primeiros Estatutos, que já traduziam um sistema democrático, coeso, aberto e cimentador de salutar e carinhosa amizade.
Foi, antes de mais, o caminhar de uma amizade de infância, fortalecida nas águas límpidas e maviosas do rio Vizela, ali junto do nosso único monumento nacional, em banhos alegres e pueris, junto ao Moinho do Maquias, por entre os penhascos do poço dos cavalos, na Bouça das Pedras, junto da Ínsua cantada por Camilo Castelo Branco nas suas Novelas do Minho, em Gracejos que Matam.
Dos seus estatutos conseguimos retirar uma força e um apetite pelo convívio e pela amizade, cumprindo segmentos que não eram muito queridos da política de então, como a defesa por um advogado eleito entre todos os membros e um chefe anual eleito por sufrágio secreto e aberto a todos.
Eram estabelecidas multas monetárias por infração aos estatutos aprovados, que contribuiriam para o convívio anual, feito normalmente no Hotel Sul – Americano.
Dos estatutos também se previa a possibilidade de qualquer membro, fosse por incompatibilidade com as regras, normas ou desígnios do grupo, poder abandonar este, sem rancores ou sem perda de direito à importancia que, obrigatoriamente, todos os membros, no início de cada mandato teriam de depositar no tesoureiro previamente eleito. O Chefe do grupo usaria um cartão que obrigatoriamente exibiria a qualquer outro membro se este, em convívio semanal ou noutra situação, tivesse alguma acção que colidisse com as diretivas e objetivos do Grupo.
Aos membros que referimos acima e conforme os anos se iam somando, outros membros se foram juntando, que para além do crescimento do próprio grupo, garantia a sua perenidade e assim, se juntaram anos mais tarde Augusto José S. Faria, Custódio Coutinho Braga, José Alberto Ferreira, Adão Gomes Pinto, José António Oliveira Marques, Manuel Ribeiro, Domingos Costa, Abel Marinho, Zeferino Ferreira da Silva, Bernardino da Silva, Moisés Jesus Oliveira Marques, Joaquim António Oliveira.
Uma das características deste grupo de amigos, era o convívio semanal, normalmente na Taberna da Lela (onde presentemente está a Casa das Francesinhas) e mais tarde na Lina dos Jornais, praticamente em frente e era reservado somente aos homens que, por muitas vezes em tempo de reunião e eleições, era tema de acaloradas conversas e até discussões, já que eram muitos os elementos que gostariam de ver estes convívios e outros, abertos às esposas, o que acabou por acontecer, aquando a comemoração dos 50 anos do grupo em que, durante as cerimónias, foi finalmente aprovado a participação das esposas, quer em convívios, passeios e outras iniciativas a organizar pelo grupo, como nos dá conta uma noticia daquela celebração, no extinto Notícias de Vizela, comemoração essa, realizada a 17 de Abril de 1999.
“Às 10 horas, como sempre acontece (antigamente era no Lela, onde hoje é o Restaurante Taberna Romana) o Grupo juntou-se no café Lina dos Jornais, seguiu-se as romagens aos cemitérios, onde fo-ram depositados ramos de flores nas campas da Ilda, do Carlos Machado, Abílio Faria, Manuel Ribeiro (Chá), António Tenente e da Rosa da Leta, figuras que estavam ligadas ao Grupo e que Deus levou para seu lado.
Às 11,30, foi a missa de Acção de Graças na Igreja de S. Miguel, celebrada pelo padre Constantino, membro honorário do Grupo, que à homília teceu os mais rasgados elogios a quem vive em união e, ainda, durante 50 anos, o que não é muito vulgar, pois os seus históricos já convivem desde os cinco anos de idade e são como verdadeiros irmãos, o que é muito significativo para se viver em plena amizade”. 

Na ocasião da comemoração destes 50 anos e citando ainda o Notícias de Vizela da altura, foi eleita a nova chefia que ficou da seguinte forma: 

“Nova Chefia - Moisés Guerra é o novo chefe. Alfredo Pinto desceu para sub¬chefe. A restante Direcção é composta por Manuel Marques Guerra (tesoureiro); Augusto Faria (secretário) Custódio Braga (advogado) e Zé Alberto no totoloto.”

Como em tudo, quer devido à idade dos seus mais carismáticos elementos, quer por falecimentos dos seus principais fundadores, ou por diversos, mas compreensíveis motivos e razões, este grupo acabou por se desfazer, dando origem a alguns outros ainda existentes e que seguem de uma forma ou de outra muitas das normas estatutárias deste velhinho grupo, fundado no já longínquo ano de 1949 e que para muitos daqueles que dele fizeram parte e que ainda estão entre nós, não é mais que uma saborosa e quente saudade.