Faltam quatro finais

Hélder Freitas

2021-04-29

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Sem adeptos, sem ruído ou confusão própria das falanges de apoio e das claques, quem tem feito “disparate” que chegue no futebol, têm sido os protagonistas externos mas líderes dos que andam lá dentro atrás da bola. Inusitado no mínimo, perceber que os treinadores, os directores, os empresários, ou seja, quem deveria ter mais discernimento, mais serenidade, mais juízo no seu julgamento, fazem precisamente o contrário e são os primeiros a empolgar as “suas massas” no sentido da brutalidade e até da barbaridade. Isto só acontece porque se é muito “meigo” nos castigos aplicados a estes intervenientes. Houvesse punições exemplares e erradicações dos recintos desportivos, que as pessoas que constantemente protagonizam este tipo de comportamentos profundamente erráticos, que lesam o futebol e o desporto em geral, pensariam antes de executar. É uma boa verdade que estes comportamentos só acontecem quando as coisas não correm bem para as cores que defendem, porque quando correm, tudo está bem. O futebol, contrariamente a muitos outros desportos tem esse infeliz condão. Quando as coisas correm mal, o discernimento é toldado e em alguns casos as atitudes irreflectidas advêm de juízos moldados pela exacerbação com que não se vêm as situações correctamente.
Já me tornei absolutamente repetitivo neste espaço ao dizer que urge cultivar uma cultura de “saber perder” - e atenção que “saber perder” é diferente de “querer perder”. Nada disso, mas num país onde grande parte das pessoas afectas ao fenómeno não sabe sequer ganhar, o que dizer do contrário? O desporto é fair-play, é saborear a vitória, mas saber aceitar a derrota. É difícil? Talvez seja, mas só assim andaremos para a frente.
O que se passou em Braga e em Moreira de Cónegos nesta última semana é hediondo a todos os títulos. É o futebol português a bater no fundo pelas suas principais figuras e responsáveis. Não estamos a avançar, nem sequer a andar para o lado, estamos de forma evidente, a andar para trás. A regredir claramente! Sei que são muitas mais as pessoas que como eu não se revêm neste tipo de comportamentos repugnantes e isso tem de ser travado desde já, uma vez que não o foi quando deveria ter sido. E entendam que não me estou a reportar apenas às agressões sobre jornalistas em pleno exercício das suas funções profissionais (até porque tal já é crime público desde 2018), falo de todos os anticorpos que gravitam de forma perniciosa á volta do desporto que tanto gostamos.
Um apelo para quem está a formar – tendo sempre presente que é sempre melhor formar a ganhar do que a perder, mas, eduquem no sentido dos miúdos, mesmo tendo perdido, poderem sair de campo de cabeça levantada e a sorrir por terem dado o seu melhor. O adversário foi superior? Há que dar os parabéns, seguir em frente e trabalhar para sermos ainda mais capazes. Façam isso para termos melhores seres humanos e melhores desportistas por inerência.

Já agora, faltam quatro finais e nós ACREDITAMOS!