Estarão a Formação e as modalidades em risco?

Zélia Fernandes

2020-09-03

Partilhe:

03-09-2020


1- Há alguns dias recebemos com alegria a notícia de que o Tribunal Arbitral do Desporto não deu provimento à providência cautelar interposta pelo Olhanense. O FC Vizela e também o Arouca foram, assim, recolocados na II Liga Nacional. Se da parte da SAD do FC Vizela, o presidente Diogo Godinho, sempre afirmou estar tranquilo, em relação ao assunto, sei que havia alguns adeptos preocupados, interrogando-se se ainda não seria desta que veriam o seu clube de regresso ao futebol profissional. É certo que caberia aos juízes do Tribunal Arbitral a decisão, mas todos sabíamos que a Federação Portuguesa de Futebol agiu dentro de todos os parâmetros. Numa visão simples da situação, podemos afirmar que suspendeu e terminou as provas, porque o Governo assim o exigiu e premiou o mérito desportivo, segundo indicações emanadas da UEFA e da FIFA. Continuando com a mesma visão, todos os clubes do Campeonato de Portugal tiveram as mesmas oportunidades, jogaram o mesmo número de jornadas e subiram aqueles que efetivamente foram os melhores, até à paragem. Como tal, a rainha está de volta à II Liga e o que esperamos é que desta vez seja para fazer um percurso sustentado, que permita a continuidade nos campeonatos profissionais e, sobretudo, que continue a luta pela ascensão ao patamar maior do futebol português, como é o projeto da SAD. Depois de uma época atribulada resta também saber como será a próxima, que restrições e condicionantes terão os clubes por via da pandemia, que em agosto voltou a números preocupantes e, sobretudo, se voltaremos a ter espetadores nos estádios, situação importante para a modalidade e para os clubes e, claro, para todos os associados e adeptos. 2 - A Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou no passado dia 25 de agosto, as orientações gerais para o regresso das competições desportivas em Portugal, um conjunto de medidas que foi fortemente contestado pelos clubes e associações. O que estas novas normas vieram dizer é que, na prática, os escalões jovens irão ficar parados, o que coloca em causa o desenvolvimento das crianças, como também a própria sustentabilidade de tantos clubes e coletividades que se dedicam à formação de jovens em várias modalidades. É que apesar do futebol ser considerado um desporto de risco médio, os clubes como o FC Vizela, ou CCD de Santa Eulália, não têm condições de fazer cumprir as normas da DGS, face ao número elevado de jogadores e de equipas. Reconheço que será ingrato para quem dirige a Formação de um clube ter de escolher, quem poderá fazer Formação e quem ficará de fora. Devem optar pelos escalões superiores ou colocar a treinar os mais novos? Decisões que se preparam para tomar, ainda que para já a competição esteja proibida para os escalões de Formação. Queixas também dos responsáveis das modalidades que ficaram agrupadas no nível de risco elevado, as dificuldades que são colocadas nos desportos de alto risco invalidam, em muitos casos, a sua realização, porque os custos inerentes são muito elevados. Muitos deles não têm capacidade para cumprir as orientações divulgadas pela DGS, sobretudo ao nível da realização de testes. Ainda que com normas e restrições aguardam-se que novas diretrizes sejam tornadas públicas, mais equitativas, pois é vital que os nossos jovens possam continuar a praticar desporto.