Editorial RVJornal de 19 de novembro

Fátima Anjos

2020-11-19

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Vizela é, por esta altura, o terceiro concelho do país com maior incidência do Covid-19, tendo por base a relação que existe entre o número de infetados e o número de habitantes. Vizela continua a integrar o mapa de concelhos considerados de alto risco, classificação que consagra em si medidas mais restritivas, numa altura em que está na mira a possibilidade destas se virem a apertar. Vizela pode estar muito próximo de atingir o pico da pandemia. Afirmou o presidente da Câmara Municipal, Victor Hugo Salgado, em entrevista à Rádio Vizela dando, no entanto, nota de que a taxa relativa à evolução do crescimento do número de infetados tem já registado um decréscimo. Resumindo, Vizela estará a viver o pior momento da pandemia desde que esta chegou a Portugal no início de março. Isto para dizer que apesar de se começar a ver uma luz ao fundo do túnel, com o anúncio de resultados promissores em relação às tão aguardadas vacinas, ainda não é momento de descontrair. “Espere o melhor, prepare-se para o pior”, é o ditado chinês que nos poderá guiar nos próximos tempos. É verdade que temos de manter a esperança de que a Covid-19 não se eternizará no tempo mas também podemos baixar a guarda. Ainda não, por muito que isso custe. E custará ainda muito mais a quem a Covid-19 impede de viver e de lutar pela sobrevivência das suas famílias. Sim, em termos de saúde pública, este até poderá ser o pior momento. Mas outros momentos difíceis se seguirão inevitavelmente, prevendo-se que a pandemia deixe um rasto de pobreza difícil de consertar. É, por isso, que a Administração Central deve fazer todos os esforços possíveis para proteger o emprego, só a sua manutenção pode garantir a dignidade humana, neste caso, a dignidade dos portugueses. Esta é também altura de darmos sinais. Sinais simples mas que podem alavancar vontades e dar novo fôlego a quem pensa já não ter caminho para percorrer. Dou o exemplo da iniciativa da Câmara Municipal de Vizela que entendeu comparticipar o transporte das refeições dos restaurantes até aos seus clientes, numa parceria que estabeleceu com os táxis do concelho, uma vez que estes estavam impedidos de estar de portas abertas ou de realizar serviço take-away ao jantar. Sabemos que não serão estas as refeições que vão salvar o setor da restauração de quebras abruptas nas suas receitas, mas este sinal terá servido para que os seus proprietários percebessem que não estão sozinhos. E isso foi bem visível nas redes sociais com a troca de publicações entre quem vendia e quem comprava, mantendo-se o elo, a garantia de um regresso quando as portas se voltarem a abrir. Se estes sinais – nossos, vossos, vindos de onde vierem - se multiplicarem vamos conseguir sair desta situação e acredito que temos potencial para isso. Nascemos e fomos criados numa região que sabe o que é enfrentar grandes crises e sair de cabeça erguida.