Editorial - 15 de outubro de 2020

Fátima Anjos

2020-10-15

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O Conselho de Ministros decidiu esta quarta-feira elevar o nível de alerta em todo o território nacional para o Estado de Calamidade, tendo o Primeiro-ministro classificado a evolução da pandemia no país como “grave”, antecipando já o número de infeções por Covid-19 nas últimas 24 horas, divulgado uma hora depois, e que se revelou como o valor mais alto de sempre – 2072 novos casos num total de 91.123 e que resulta, nesta altura, em 34.583 casos ativos. Mas o que é que poderemos fazer perante esta situação? Sobretudo, manter a calma e não descurar o nosso papel como agente de saúde pública contribuindo na medida de todas as nossas possibilidades para que a propagação da Covid-19 não acelere ao ponto do Sistema Nacional de Saúde entrar em rutura, deixando para trás quem possa precisar de assistência médica e não falamos apenas na medicina curativa mas também na preventiva, talvez a que tenha sofrido mais nos últimos meses. Estamos todos cansados. Há medos que não nos largam. A pressão é constante. Não é fácil gerir emoções nem expetativas. Por esta altura, já todos teremos percebido de que não vai ficar tudo bem. No entanto, temos que evitar a todo o custo que o instinto de sobrevivência prevaleça e as nossas vidas se transformem numa selva, onde há sempre quem se aproveite dos momentos de fraqueza de alguns para fazer vingar as suas ambições de riqueza e poder. Temos de nos manter firmes aos nossos princípios, colocar à prova a nossa capacidade de resiliência e, sobretudo, manter-nos unidos, na família, na nossa rede de amigos, na nossa atividade profissional e até comunitária. Isso será fundamental para nos mantermos saudáveis do ponto de vista mental. E se não conseguirmos fazer este caminho sozinhos não devemos ter vergonha de pedir ajuda. Já percebemos que não seremos os únicos. Só o Gabinete SIM em Vizela tem registado nos últimos meses um aumento significativo de casos de doenças mentais, que deve ser tido em atenção, com maior prevalência de problemas ao nível da depressão e da ansiedade em jovens adultos com idades compreendidas entre os 30 e os 40 anos. E temos de estar bem, porque precisamos de proteger as nossas crianças dos efeitos desta pandemia, salvaguardando aquela que deve ser a sua infância para não comprometer o seu desenvolvimento cognitivo e emocional, transformando-as em adultos desprovidos da capacidade de demonstração de afetos e de viver com sentido comunitário. E temos de estar bem para cuidar dos nossos velhinhos, alguns deles mais sozinhos do que nunca. Precisamos urgentemente de encontrar alternativas que possam atenuar as consequências desde distanciamento social que visa proteger as suas vidas mas que é muito triste para quem está consciente de que já viveu mais do que terá para viver. Com estas palavras me despeço. Bom fim de semana. Tirem tempo para vocês e para os seus. É o melhor que temos.