Editorial 14 de maio de 2020

Fátima Anjos

2020-05-14

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Seguimos rumo ao início da segunda fase do desconfinamento, ainda sem conhecer o impacto da primeira, mas com a esperança de que tenhamos aprendido a conviver com este vírus e, sobretudo, a proteger-nos. Foi a 04 de maio que reabriu o comércio local e aquilo que percebemos é que a economia reabriu neste setor de forma tímida. Há ainda falta de confiança no que respeita à circulação no espaço público mas também na aquisição de bens que não sejam essenciais. Mesmo quem não sofreu perdas nos rendimentos em consequência da Covid-19 receia aquelas que poderão vir a surgir até numa eventual segunda vaga. Daí que os desafios do nosso comércio local sejam hoje maiores do que nunca, esperando nós que todos consigamos sair vivos e sem grandes mazelas deste vendaval. Isto para bem de toda a cidade, cuja vitalidade está intrinsecamente ligada à existência e ao dinamismo do comércio local. Não tenham dúvidas disso. Não há cidades, se não houver pessoas na rua e é preciso dar motivos para que estas circulem. Aliás, de que valerão a pena as obras que estarão a decorrer na Praça da República e no Jardim Manuel Faria se daqui a um ano, altura em que se prevê que estas já tenham finalizado, tivermos lojas com as portas da rua trancadas a cadeado? Não, é precisamente o contrário, aquilo que se pretende. O comércio local vai ter que se aguentar até lá na expetativa de que um “novo centro” possa contribuir para a recuperação dos prejuízos dos últimos meses e até daqueles que ainda se possam vir a verificar. Mas não bastará que o comércio local seja resiliente, terá também de ser apoiado. A iniciativa de realização de testes serológicos aos comerciantes foi uma boa medida, porque se há sentimento que o ser humano privilegia é o da segurança e tendo sido esse o foco, pode o mesmo contribuir para a devolução de alguma confiança aos consumidores. Claro que será sempre possível fazer mais… Todos sabemos disso e talvez todos nós, de alguma forma, possamos contribuir para isso mesmo. E a verdade é que podemos! Não contribuindo para a propagação do vírus, protegendo-nos. Parece assim tão difícil? Nos últimos dias, “otimista” passou a ser o meu nome do meio. Assim o vou ouvindo: dia sim, dia não. A questão não é se sou ou não otimista, mas antes pensar o que ganhamos nós se enterrarmos a cabeça na areia? Isto não vai ser nada fácil e o norte do país e a nossa região sairão muito abalados desta situação. Isto não é ser otimista, é ser realista. Mas vamos ter que dar a volta por cima, esperando também que o Estado possa repensar ou reforçar as soluções encontradas para garantir alguma liquidez, nomeadamente, às micro e pequenas empresas para se aguentarem no mercado até ao aparecimento de uma vacina. Isto porque estas também asseguram no nosso país muitos postos de trabalho. O Sr. Primeiro-ministro já veio dizer que as linhas de crédito estão bem perto de atingir o limite. Terão de ser encontradas novas fórmulas. Caso contrário a subida da taxa de desemprego terá efeitos tão ou mais devastadores do vírus que batizam de Covid-19.