É preciso andar para a frente

Fátima Anjos

2021-07-22

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Esta quarta-feira, aquando do fecho da nossa edição, foi possível verificar o aumento do número de novos casos ativos de Covid-19 no concelho. Não foi surpresa. Vizela não é uma ilha. Depois do país, da região e dos concelhos vizinhos assistirem a uma subida, estranho seria se tal não viesse a acontecer.

Agora teremos de ligar com essa realidade porque, muito provavelmente, já esta quinta-feira, o concelho de Vizela deixará de estar em Alerta para passar a integrar os concelhos de risco Elevado, o que significará, também muito provavelmente, a adoção de algumas medidas a que alguns chamam de preventivas e outros de restritivas e que voltarão a lesar setores como o da restauração e bebidas, o turismo mas também o setor da cultura. Não só pela exigência de certificados digitais de vacinação ou realização de testes, no caso dos primeiros, mas principalmente pelo dever de recolhimento e a obrigatoriedade de encerramento de atividade mais cedo.

O que penso é que será efetivamente chegado o momento de atualizar a matriz de risco, que nos tem guiado neste processo de desconfinamento que já vai longo e que vive hoje circunstâncias bem diferentse, nomeadamente a abrangência da vacinação, que tem contribuído para um controlo mais significativo dos internamentos, principalmente, do recurso aos cuidados intensivos, e como consequência, de óbitos.


Não pode o Primeiro-Ministro António Costa anunciar a libertação para o final do verão e impedir que estes setores possam trabalhar em pleno nos meses de julho e agosto. É preciso pegar numa balança e começar a pesar aquelas que são as consequências das decisões tidas numa mesa redonda de quem, acredito, quer o melhor para o país e para os portugueses, mas que ainda não terão sentido na pele, ou melhor dizendo na pele da carteira, as consequências socioeconómicas desta pandemia.


E também é importante, ou senão mesmo urgente, rever as normas de isolamento, nomeadamente as normas de isolamento profilático, que só vêm desmotivar a adesão ao processo de vacinação. Atualmente, um cidadão que mantenha um contacto de risco com uma pessoa infetada com Covid-19, tem de ficar em isolamento 14 dias, existindo apenas a probabilidade de ter alta ao décimo dia, caso seja contactado para fazer novo teste PCR e este der negativo. Ou seja, 14 dias em casa, mesmo que já tenha tomado as duas doses de vacina e tenha testado negativo à Covid-19, no teste PCR receitado pela Autoridade de Saúde. Não pode ser. 


Só serve para descredibilizar um processo, o de vacinação, que percorrerá agora o caminho mais difícil, o de penetrar na vontade das gerações mais novas, aquelas que ainda questionam e que vêm a morte como algo que ainda não é para elas.. Além disso, o caminho da obrigatoriedade e que vai ganhando força na Europa é também um caminho perigoso e que fere princípios basilares.


Por isso, eu que sou a favor da vacinação como um ato de cidadania rumo à imunidade de grupo para nos vermos livres desta tamanha pandemia, para não lhe chamar nomes feios, digo: não é preciso inventar. É só explicar às pessoas que a Covid não vai desaparecer e que temos de começar a recuperar alguma normalidade antes que seja tarde demais. Tenho a certeza que a maioria vai cooperar.