Depressa se passaram 40 anos

Fátima Anjos

2022-08-05

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“Concluído o cerco de Vizela durante a madrugada, a Vila é invadida ao romper do dia por fortes contingentes policiais, armados e equipados como que para um autêntico ato de guerra, sob o pretexto de ser retirada uma automotora da estação de caminho-de-ferro local, que ali estava “encravada” devido ao levantamento dos carris como protesto pela falta de cumprimento pela Assembleia da República de uma deliberação tomada relativamente à reivindicação autonómica de Vizela. 
(…) A automotora poderia ter sido, com facilidade, anteriormente levada para Guimarães, pois não tinha sentinelas à sua guarda, razão pela qual se pode entender que a invasão das forças policiais teve o deliberado propósito de amesquinhar uma lídima, legítima e justa aspiração do povo vizelense.
Não foi, por isso, de admirar o total levantamento dos vizelenses, que depois de tocarem os sinos a rebate, com destemor, enfrentaram os invasores (…)”
Assim o relatou Manuel Campelos, líder do Movimento para a Restauração do Concelho de Vizela, no livro da sua autoria e que retrata a luta autonómica de Vizela após a Revolução de Abril. 05 de Agosto de 1982. Aquele foi o momento do povo de Vizela marcar a sua posição e demonstrar de que não iria desistir do sonho de ver a sua Vila transformada em Concelho. E aquele “Verão Quente” que atraiu ao nosso território jornalistas dos vários órgãos de comunicação nacionais serviu para transpor as razões dos vizelenses para além das fronteiras do Vale de Vizela. 
Hoje, 40 anos depois, faz todo o sentido lembrar a bravura do nosso povo que, ao toque da sirene, saiu à rua, sem saber muito bem o que iria encontrar. Fizeram-no com o coração a palpitar forte, por uma terra chamava Vizela, cuja história se escreveu com o suor, trabalho e resiliência de quem nunca desistiu, muito embora tivessem sido precisos muitos anos para que os decisores políticos percebessem de que não havia volta a dar, ou seja, que Vizela teria de ser concelho .
Esta sexta-feira, 40 anos, fazemos uma vénia a todos os que nunca deixaram de acreditar, a todos devemos muito. Esta poderá não ser a Vizela que todos sonharam, até porque os vizelenses têm o direito a sonhar alto (lutaram por isso), mas que ninguém se engane, hoje dispõe de infraestruturas e respostas que jamais seriam possível, se ainda se mantivesse sob alçada de outros municípios.