De cabeça perdida

Pedro Oliveira

2021-04-29

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A ex-líder do PS Dora Gaspar, tendo em consideração que não foi aprovada pelo Partido Socialista como candidata à Câmara Municipal de Vizela tem vindo a pressionar todos os seus apoiantes a demitirem-se. É uma atitude que em 1º lugar não a enobrece a si, nem respeita o legado da própria história do PS em Vizela. Se por cada vez que mude um líder os seus apoiantes se demitissem teríamos todos os anos novos partidos. 

Convém recordar que o PS permitiu a Dora Gaspar estar no poder 16 anos, assessorando o Presidente da Câmara Municipal e, mais tarde eleita como Vereadora da Câmara Municipal de Vizela. E esta atitude de pressionar à demissão de um número expressivo de militantes apenas revela a natureza egoísta, egocêntrica de alguém que pensa apenas no seu próprio interesse. Apenas demonstra que a ex-líder está de cabeça perdida; mais perdida do que uma agulha no palheiro. 
Faço parte da Comissão Política do Secretariado do Partido Socialista e em todas as reuniões que foram sendo levadas a cabo durante todo o processo de convergência e união entre os simpatizantes e ex-membros do PS, a posição de Dora Gaspar em não permitir a liberdade de escolha aos membros da Concelhia foi definidora. E quando não se permite a liberdade de escolha ou de opção consciente sobre o sentido de voto não é Democracia, falamos de tirania, despotismo, abuso de autoridade e opressão perante os seus.
Tudo isto é contrário aos valores democráticos de um Partido Político como o PS. Com estas atitudes antidemocráticas, Dora Gaspar tenta arrastar consigo os militantes da sua confiança praticamente obrigando todos a demitirem-se. Esta utilização do Partido Socialista de Vizela e o envolvimento dos seus membros numa estapafúrdia decisão política apenas faz revelar que facilmente se esquece o valor que um Partido como o PS tem no regime democrático de Portugal e aquilo que representa na criação do Concelho. Esta decisão não choca os mais atentos, na realidade, da sua história política constata-se o virar de costas a todos que contribuíram para a sua carreira política: Dr. Francisco Ferreira, Dinis Costa e, por último Joaquim Barreto; Dora Gaspar não se preocupa nem com o PS nem com os militantes; apenas parece preocupar-se com a sua pessoa e com a satisfação pessoal desta decisão.
A presumível saída de 40 militantes é uma posição de rutura com as estruturas nacional e distrital numa tentativa de paralisar o Partido Socialista de Vizela. É uma atitude que demonstra muita ausência de sentido democrático e de reconhecimento da hierarquia própria de uma estrutura partidária. O processo de avocação da candidatura à Câmara Municipal de Vizela é da sua inteira responsabilidade porque é a própria Dora Gaspar, que não foi capaz de, ao longo dos últimos anos, por um lado criar condições para fazer uma aproximação ao Movimento Vizela Sempre ou por outro, constituir-se como uma verdadeira alternativa política.  Dora Gaspar (como diz o povo) esteve nestes últimos 3 anos a meio da ponte cujo caminho era de uma completa indefinição; não reorganizou o Partido Socialista de Vizela conforme era fundamental; não reativou a Juventude Socialista ou as mulheres socialistas. Uma líder ausente que não preparava quadros políticos que a substituíssem quando não estava em Vizela (a maior parte do tempo). Aos inúmeros convites endereçados pela CMV para inaugurações, colóquios de interesse público, apresentações públicas contam-se pelos dedos de 1 mão a vez que a própria ou alguém mandatado por si tenha estado presente. Ainda pior se torna quando membros do Governo em Vizela e o PS local primava pela ausência.
Volvidos 4 anos de mandato ficou demonstrada a incapacidade de Dora Gaspar em conduzir os destinos do Partido. Parece que agora no seu fim de ciclo o caminho é o da condução do destino do Partido para a sua implosão. Mas quero deixar aqui registado que contrariamente àqueles que pretendem o caos, o PS Vizela será muito em breve a força política do Concelho de Vizela com maior expressão social.