Crescer em nós ou entre nós?

Paula Oliveira

2020-09-10

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10-09-2020


Eu entrei em Rotary em 2013, a convite de uma grande senhora, que se tornou minha madrinha neste movimento, a Companheira Maria do Resgate Salta. Pessoa que comunica com eficiência, dotada de uma inteligência emocional incrível e com uma relevância profissional e humana que dispensam apresentações. Desafiou-me a liderar uma equipa de novas gerações “O Rotary Kids Vizela”. Como propôs Dalai Lama quando tomamos uma decisão importante na vida, devemos perguntar a nós mesmos: “Quem vai beneficiar? Só eu ou o grupo? Só o meu grupo ou o mundo? Só no presente ou também no futuro?” Não hesitei na minha decisão, porque quando cuidamos além de nós mesmos, todo o mundo evolui. Trabalhar com crianças, é o caminho mais curto para promover conquistas. Aceitei o desafio. A História faz-se de histórias e, como alguém disse “a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo”. O entusiasmo empurrou-nos para a ação e a razão assumiu o sentido de disciplina que nos permitiu uma identidade e uma disponibilidade de nada por de lado em benefício de coisas melhores. Sabíamos onde queríamos chegar e caminhamos nessa direção. Nas causas sociais ou fazemos parte do problema ou somos a solução. Na verdade, estes dois cenários unem-se, mas o tempo era de descoberta e o único sentido era ampliar sempre a felicidade, valorizando o nosso melhor lado: o humano. O verdadeiro espírito de servir existe quando nos focamos em ajudar. Não é necessário um alto investimento para surpreender porque o encantamento, por si só, já é magia. Recebemos em dobro aquilo que damos. Direta ou indiretamente, tocamos outras vidas com os nossos gestos, as nossas palavras ou até com os nossos silêncios. O Rotary Kids Vizela serviu o seu melhor. Foi bom e fez bem. Plantou e colheu. Os projetos desenvolvidos ao nível local, nacional e internacional são das maiores honras que algum clube rotário pode ter. Quem não se lembra do “Projeto Sorrisinho” com o hospital de S.João e o IPO do Porto? “Um lugar para o Joãozinho”; “Uma Escola para o Quénia”; “Sorrisos para Timor”; “Sorrisos para a Namíbia”; “Cegueira Evitável”, “Renascer Angola”; “Love in a box”; “End Polio Now”? … Impulsionados nesta missão de servir, todos os nossos projetos garantiram um apoio em momentos de incerteza. Todos tiveram um final feliz… porque foram verdadeiros atos de amor. A boa notícia de que a batalha pela erradicação da poliomielite pode estar perto do fim. Este é o resultado de esforços públicos e privados em campanhas de vacinação em massa, das quais fizemos parte. Fizemos sorrir crianças que, sem aviso prévio, enfrentaram a luta do cancro infantil. Ajudamos o Centro Social Renascer que apoia jovens mulheres e seus filhos, afetados pelo fenómeno da prostituição ou em risco. Atendemos crianças, adolescentes e jovens em vulnerabilidade social. Oferecemos, gratuitamente, alimentação, atividades educativas e cuidados de saúde através de um programa de apadrinhamento. Apoiamos situações de rua e a construção de uma escola na maior favela do mundo. Só na plenitude deste ato de amar, se constitui a verdadeira solidariedade. Definitivamente, os nossos kids elevaram Rotary para um lugar magnífico com a sua forma de ser e de estar. Ajudaram quem precisava de ajuda e receberam ajuda de quem podia ajudar. Para estas crianças ficou a certeza que o profissional do futuro é aquele que consegue desenvolver ações que vão além das que lhe são dadas por um “diploma”, esse será apenas um requisito. Quanto maior for a sua utilidade, maior será o seu destaque, pois ter um propósito requer tempo e amor com algo maior. Não quero, pois, aprisionar-vos com as minhas palavras. E busquei um outro testemunho, o da Carolina Ponteira, que com 12 anos na altura, liderou como Presidente, a equipa Rotary Kids. Também ela coleciona memórias. Aqui fica o testemunho da sua própria experiência: “A minha passagem pelo Rotary revelou-se algo completamente diferente daquilo que foi inicialmente pensado, superando todas as expectativas mais otimistas, e digo "algo" porque não creio que "experiência" seja a palavra mais correta para descrever o enorme privilégio que foi poder dar de mim antes de pensar em mim, poder fazer a diferença juntamente com os meus companheiros. Ser rotária é, e foi consequência de atingir a superioridade, de não olhar só para mim, mas olhar e ver o outro, ver outras realidades. Ser rotária é reconhecer, é valorizar, é estar ao dispor, é sentir compaixão pelo outro e não estagnar perante sentimentos, mas sim transformá-los em motivação para ser grande, ser maior do que aquilo que já sou e fazer a diferença, por mais pequena que pareça, pois sei, aliás, sabemos, que teremos sempre outro companheiro para nos ajudar a concretizar outro desafio e a cumprir um outro sonho, seja esse o de dar a mão a quem está perto de nós, à nossa comunidade, seja o de estender o braço a quem longe se encontra. Resta apenas, com eterna gratidão, dizer um obrigada, palavra que infelizmente cai em desuso nos dias de hoje, pelo crescimento que me foi proporcionado ao nível pessoal, pelos valores transmitidos, pelo desenvolvimento de lideranças, pelos projetos que juntos idealizámos e realizámos e… pela sensação indescritível que é praticar o bem com gente do bem, com companheiros rotários… amigos para a vida toda. Sem esquecer, fica também um gigante agradecimento à nossa Professora, Paula Oliveira, que desde sempre muito nos ensinou para além de letras e de números, nos encaminhou e nos mostrou as portas para poder entrar nesta Família Rotária, tornando-nos na melhor versão de nós mesmos.” Rotary é isto, é um conjunto de pessoas, adultos, jovens ou crianças que gostam e precisam de desafios. É fazer parte de uma comunidade eficiente, onde o alto desempenho da equipa, nos faz ser melhor a cada dia… porque o amor que damos nunca se despede. Não há alternativa…ou conquistamos o futuro juntos, ou não há futuro. O saber tem tudo a ver com o crescer. Crescer em nós ou entre nós?