Castelo da Ponte – História e Património Renascidos das Cinzas?

Dora Gaspar

2020-06-18

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Na manhã de quinta-feira passada, 12 de junho, acordamos com a triste notícia de que o emblemático Castelo da Ponte, símbolo da nossa luta autonómica e erigido pelo ilustre Vizelense Dr. Armindo Faria, sucumbiu às chamas. De origem desconhecida, numa madrugada de chuva, um incêndio destruiu grande parte daquele edifício que está à venda desde o final de 2019, contra a minha vontade e a vontade dos eleitos do Partido Socialista na Câmara e na Assembleia Municipal. Espera-se das autoridades policiais e municipais todo o empenho para descobrir as causas e, eventualmente, as motivações deste atentado ao nosso património, à nossa história e á memória coletiva do Povo Vizelense. Não fosse a pronta e eficaz intervenção do Bombeiros Voluntários de Vizela, a quem agradeço, e o desfecho teria sido muito pior. A verdade é que na reunião de Câmara de 3 de dezembro de 2019 foi dado o primeiro passo nesse sentido. O EXECUTIVO MUNICIPAL MVS-VHS/PSD-CDS, COM OS VOTOS CONTRA DO PS, DECIDIU COLOCAR À VENDA O CASTELO, como nos habituamos a designar, CONTRA AQUILO QUE PROMETERAM AOS VIZELENSES EM CAMPANHA ELEITORAL. Uns prometeram transformar o edifício num Centro Empresarial, os outros que o transformariam em Biblioteca Municipal e Museu da História Local. UMA VEZ NO PODER, NENHUM CUMPRIU O PROMETIDO! Pelo contrário, deixaram-se capturar pelo economicismo fácil, subjugando, de novo, o interesse público ao interesse privado. Lembro que, em face da contestação pública por estar votado ao abandono há mais de 30 anos, quando era desejo comum que ali se instalassem os Paços do Concelho de Vizela, o Castelo acabaria por ser adquirido pela Câmara Municipal em 2009. Certamente que o timing não terá sido o melhor devido à crise que económica que já assolava o mundo e que atingiu fortemente o concelho de Vizela a partir de 2010. Uma crise que culminou com o PAEL em 2014 e 2015 e bloqueou a desejada reconstrução do Castelo. Quando, pelo contrário, a Câmara Municipal de Vizela reunia as condições financeiras para avançar com a obras de requalificação do Castelo, fruto da reestruturação realizada pelo executivo do PS em 2017 (saída do jugo do PAEL, renegociação e redução extraordinária da dívida e dos juros, saldo financeiro/de gerência de 4 milhões e 400 mil euros para investimento) eis que acontece precisamente o contrário! Como diz o senso comum, depois de conquistado o poder, as promessas feitas aos Vizelenses cairam em saco roto. A venda pressupunha a requalificação do imóvel para um hotel, mantendo toda a traça original. Porém, num programa da Rádio Vizela, e após o silêncio do Presidente de Câmara ás perguntas do PS sobre o projeto concreto e o destino a dar aos cerca de 7 mil metros quadrados de terreno, a vereadora da autarquia com o pelouro do Arquivo e da Biblioteca Municipal assumia que o hotel seria construído nas traseiras do Castelo! Agora, é o próprio líder do executivo que afirma que parte do que desmoronou com o incêndio já seria para deitar abaixo na requalificação! Pelo que, questiono com estupefação: então, a traça das águas-furtadas não é para manter? Todo o interior será demolido? Que requalificação será de facto de esperar com a venda do Castelo da Ponte? Escolher entre o essencial e o acessório, entre o caminho mais fácil ou o caminho mais trabalhoso mas sustentado, entre beneficiar o privado ou o coletivo, são dilemas com que os decisores políticos se deparam frequentemente. Todos nós desejávamos uma solução rápida para o Castelo, mas verdadeiramente importante é a solução que sirva os interesses dos Vizelenses e que não delapide o seu património. Como o simbolismo da fénix a renascer das cinzas, espero a inversão da política deste executivo e que o Castelo permaneça património municipal, por respeito à História de Vizela.