Bem-vindo Boavista

Manuel Marques

2020-11-19

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19-11-2020


É curioso o facto do Boavista ter sido o clube que disputou contra o FC Vizela os jogos mais importantes do extinto campo Agostinho de Lima e do atual estádio. Em 1967, uma vitória dos vizelenses no seu apinhado "quintalzinho" ditou a passagem à exponencial final em Aveiro onde o FC Vizela arrecadou o seu primeiro título de campeão nacional da III Divisão. Dessa virtuosa época prevaleceu mais a vitória dos vizelenses sobre a equipa do Bessa do que propriamente a vitoriosa partida da final com o Tramagal. Há 31 anos, mais precisamente a 12 de novembro de 1989, foi o Boavista a única equipa a mostrar-se disponível para participar na festa da inauguração do estádio vizelense. Os outros clubes tinham casamentos e batizados e não puderam vir. Desculpas. E esse, não desfazendo, foi o jogo mais importante do estádio até hoje porque um clube pobre passava a dispor de meios próprios para jogar em Vizela deixando para trás a amarga experiência de disputar uma I Divisão Nacional totalmente fora de portas cinco anos antes. Liderado pelo major Valentim Loureiro (recentemente homenageado na Gala da Liga de Clubes), o Boavista, transformando a sua grande importância em sublime humildade, foi um honroso convidado, num dos dias mais emblemáticos da história do velhinho Vizelinha. O FC Vizela voltaria e encontra-se com os axadrezados na II Liga na época 2013-2014, estava o Boavista a passar um mau bocado, e eu próprio, que fui com o saudoso Pedro Paulo fazer o relato do jogo ao Bessa para a Rádio Vizela, pude constatar in loco quanto o histórico clube portuense estava a passar de amargura. O interior do estádio, aquilo o espectador comum não vê, não deixava dúvidas da decadência e levantava comiseração. Em horário de telenovela, os dois emblemas voltam a encontrar-se este domingo (à porta fechada, manda a dona pandemia e a milionária Federação Portuguesa de Futebol que agora tem uma TV muito caprichosa, mas não paga o calote que deve ao FC Vizela). Acredito (e quero) que a equipa do grande profissional Álvaro Pacheco vai seguir em frente na Taça de Portugal. E não é difícil. Tal como em 1967, basta ao Vizela marcar mais um golo do que o Boavista. E chega. A não ser que o árbitro os invalide um atrás de outro como aconteceu o mês passado em Mafra. Isso não.