ANESTESIADOS

José Borges

2020-07-30

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Em princípio, quem promove opinião em espaços desta natureza, não se deve citar. Contudo, arrisco, e reafirmo, que o futebol enquanto modalidade, e o mundo, que gira à sua volta, se tornaram no melhor aliado, daqueles, que têm como missão governar um país, que apenas sobrevive com alguma dignidade, graças ao espaço político e económico em que está integrado. Se dúvidas existissem, lá vem a caminho, o maior pacote financeiro de sempre de apoio ao nosso país, e imagine-se a fundo perdido. Estarão os políticos, classe, que no percurso da sua viagem se deixou chamuscar por desmandos e comportamentos desviantes, que resultaram em proveito próprio ou dos grupos que os suportam, conscientes da necessidade de inverter e recuperar a sua imagem, atuando com transparência e dignidade? Ou estarão convictos, que os seus súbditos, na sua maioria, continuarão anestesiados pelo fenómeno do futebol e totalmente alheados de crises sanitárias, dos preços dos combustíveis, da enorme carga de impostos, dos níveis de desemprego e da exploração encapotada, que recai sobre os trabalhadores beneficiários do salário mínimo nacional. Continuamos marcados, pela tolerância, que caracteriza os acomodados, a fechar os olhos ao desenvolvimento macrocéfalo do nosso País e ao incremento das desigualdades daí decorrentes. Por complexo, ou sei lá com tendência para a pastorícia, lá vamos inebriados, seguindo o trajeto do guia ou pastor, esquecendo, que sempre existem outros caminhos, outras alternativas e outros valores, que devem ser seguidos e defendidos. A casa do futebol, obviamente no sentido figurado, encontra-se como o país. Literalmente a arder. Só que, o combustível, que alimenta as suas chamas tem uma composição bem diferenciada. As labaredas são alimentadas pela ganância, pela defesa intransigente dos valores materiais e pela necessidade de vencer a qualquer custo, mesmo, que à custa da verdade e da ética na relação. Trata-se de uma passagem bíblica, mas, que no atual contexto, é perfeita a sua aplicação. “Separemos o trigo do joio”, pois felizmente, ainda existem pessoas, que estão por bem e de corpo inteiro perante este fenómeno. Também aqui, urge desmistificar o conceito e a imagem, que se tem construído acerca das SAD’s. Uma nota, para fazer referência, ao elevado espírito de dedicação à causa do FC de Vizela, por parte da direção da FC Vizela – Futebol SAD, que tudo tem feito, demonstrando-o em atos e obras, para cumprir o propósito do seu investimento. Deixo, uma referência e um aceno de simpatia, ao sr. Feitas, recentemente eleito presidente do CD das Aves, que nos últimos dias, deu um enorme contributo ao futebol português. Em resultado da sua ação, terminou-se o campeonato da Liga com o mínimo de dignidade. Caso contrário, seria a machadada final, na imagem e no resto do prestígio, de que o futebol português goza fora das fronteiras deste retângulo à beira mar plantado. Cá dentro, estou convencido, que essas cenas e esses factos, já não impressionam, dado o nível de contágio e dependência, que absorve e tolhe os movimentos daqueles, que tinham por obrigação controlar, disciplinar e defender o futebol da promiscuidade e dos interesses inconfessáveis a si agregados. Localmente, referência para a campanha de associados, levada a efeito pela direção do FC de Vizela. Um aplauso, um aceno de simpatia pela iniciativa e um desejo, para que a mesma tenha a melhor aceitação por parte da comunidade. Vamos aqui, de forma coletiva, mais uma vez, demonstrar a força e o sentido de ser Vizela e por Vizela. Na prática, dizer SIM e fazer jus à tese, de que não estamos disponíveis para alimentar o macrocefalismo, pois não estamos anestesiados, mas apenas despertos para a realidade e a necessidade do clube, e já agora, dos clubes da terra!