A Pandemia, a Educação e o Ambiente

Leonor Monteiro

2021-04-01

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As alterações comportamentais face à pandemia, são um facto. Para bem da nossa saúde, evitamos contacto social e, indo ao encontro das regras de etiqueta respiratória, a utilização de máscara é um dado adquirido e será um objeto que nos acompanhará por muito tempo. Na sequência da apresentação numérica e elevada de casos de infeção no nosso país, coube ao governo a decisão do fecho das escolas. Os professores adequam estratégias e técnicas de ensino e os alunos sujeitam-se a aprender sob pressão digital à qual, na minha modesta opinião, estão muito bem adaptados. As atividades letivas on-line, levam a que se alterem padrões e estilos de vida. 
Todas estas alterações do nosso comportamento diário, trazem também muitas e variadas consequências. Está “escrito” nos nossos genes que somos sociáveis, necessitamos de contacto social, e, somos influenciados por opiniões, críticas, padrões morfológicos e atitudes dos outros. Esta quebra brusca no contacto social, levou a que houvesse falta de motivação, falta de interesse, pensamentos mais negativos em relação à pandemia e consequentemente ao abandono da nossa capacidade crítica e criativa que também está “escrita” nos nossos genes.
A Educação deverá ser uma injeção de anticorpos à falta de criatividade e desmotivação, incentivando objetivos de vida comuns. Para já, estou imune à contaminação por desmotivação, desinteresse, falta de confiança ou falta de ideias. Como professora, a minha missão é contaminar os meus alunos com criatividade, com desejos e com felicidade! Deixem-me envolver nesta missão de salpicar para todos a ideia de que aprender é bom! Aprender faz de nós responsáveis e amigos. Eliminem o estigma de que a aprendizagem consiste apenas na mera transmissão de conhecimentos. Sim, a aprendizagem envolve o conhecimento, mas essencialmente a comunicação, as atitudes e os comportamentos, a participação ativa e a cidadania, o respeito por todos e, em especial, o respeito pelo nosso Planeta. Cito uma frase do Secretário de Estado da Educação João Costa dita no passado dia 15 de março no seminário Eco-Escolas onde participei, e na qual subscrevo inteiramente: “Só os otimistas podem trabalhar na Educação”. Como otimista, resiliente e adepta do trabalho colaborativo, sinto que o ser humano pode produzir projetos e ações fantásticas pois quando nos juntamos e simplesmente trocamos ideias, tudo flui e tudo resulta. Então porque não juntarmo-nos, conversarmos sobre o estado do planeta Terra e tentarmos atuar? Pedem-nos para sermos resilientes em relação à pandemia por Covid-19, então, porque não somos resilientes em relação às questões ambientais? É nesta perspetiva que, para envolvermo-nos na defesa do ambiente, garantindo a sustentabilidade, será necessário o contributo de todos. E agora, perguntam, porquê preocupar-me com o ambiente? É uma prioridade? A resposta é: URGENTE! A prova está na realização da Cimeira de setembro de 2015 onde 193 países definiram 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, Portugal não foi exceção. Nessa Cimeira, ficaram definidos compromissos, políticas e ações a cumprir até 2030, em defesa de uma vida melhor para todos, em defesa de um equilíbrio entre aquilo que a Terra nos dá e aquilo que daremos à Terra. 
É neste paradigma que o programa Eco-Escolas desempenha um importante papel na educação para o desenvolvimento sustentável e contribui em larga escala para a educação ambiental dos jovens em idade escolar. Os jovens de hoje, são o futuro de amanhã…É nesta dinâmica que me encontro, a par dos jovens motivados para a defesa do ambiente, dos responsáveis da nossa região, dos agentes educativos e das associações e individualidades deste concelho que defendem a natureza e o seu equilíbrio.  Parece que há consenso entre todos: É urgente pensar e atuar quando nos referimos ao ambiente: Resíduos, Água, Espaços verdes, Biodiversidade, Geodiversidade e Ar. Deixemo-nos de preciosismos e desculpas para “empurrar” para os outros o que realmente podemos fazer por nós, pelo ambiente. Pois…esquecemo-nos que vivemos num planeta com condições únicas. Não há outro possível para viver! 
Todos classificamos esta pandemia como um marco histórico mau em todos os sentidos, em todas as vertentes da nossa vida enquanto seres humanos, mas, não me levem a mal, sinto que será uma oportunidade para repensarmos em atitudes/comportamentos egoístas que adotamos no dia-a-dia e que só prejudicam os outros, inclusive a Terra. Sugiro que tratem os assuntos com equidade, com harmonia, com mente aberta e com bom-senso. Só assim existirá um caminho para a resolução de problemas.
Em tempo de pandemia, temos tempo para pensar e temos tempo para atuar. Ainda vamos a tempo… pensem nisto.