A nossa Escola

Fátima Anjos

2023-01-19

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Os professores estão em protesto desde novembro e aquilo a que temos assistido nos últimos dias é a um passa culpas entre o Ministério da Educação e as organizações sindicais que representam o setor. Não é preciso tomar as dores de nenhum dos lados para perceber que há motivos para estarmos preocupados. Preocupados com a falta de professores, sobretudo com a falta de professores motivados ou com a estabilidade necessária para o exercício das suas funções, e preocupados com o futuro da escola pública, onde depositamos grande parte das nossas expetativas quando idealizamos a educação e a formação das novas gerações.

É fácil antecipar que nem todas as reivindicações, mesmo sendo de inteira justiça, serão atendidas, pelo peso que a sua execução representaria para o Orçamento de Estado.  No entanto, e até porque a ferida já está aberta, será esta uma excelente oportunidade para sentar à mesa, debater e alterar alguns paradigmas, nomeadamente ao nível da contratação, da mobilidade geográfica e talvez até ao nível da avaliação, que permitam que jovens capazes e inspirados pela arte de ensinar abracem a profissão, com espírito de missão.


E esta luta só não ganha mais força, porque é uma luta de uma classe, que mesmo sendo ela abrangente, porque interfere diretamente com a vida das famílias, é ainda assim, uma luta de uma classe. E digo isto tendo o maior do respeitos pelos professores. Mas hoje são os professores, amanhã os enfermeiros, depois os médicos, e no dia seguinte, os técnicos de justiça… No dia em que formos nós, os portugueses, talvez aí se perceba que é preciso reduzir a distância que divide os mais ricos dos mais pobres. Não escrevo sobre contos de fábula, apenas sobre o que me parece mais certo, porque a taxa de esforço na escola e depois no trabalho não é, em muitos casos, assim tão díspar. Continuo a acreditar que Portugal é um país onde é possível trabalhar e viver e viver deve ser mais do que pagar as contas ao final do mês. Só não pode haver tanta ganância. 

Entretanto, a vida prossegue e este sábado, teremos um Concerto de Ano Novo no Museu dos Bombeiros Voluntários de Vizela, a que valerá a pena assistir, não fosse ele, protagonizado pela Banda de Música da Sociedade Filarmónica Vizelense.

Um bom fim de semana para todos vocês!