18 dias para as eleições

Fátima Anjos

2021-09-09

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Tal como escrevemos em manchete na edição desta semana do RVJornal está dado o pontapé de saída para a campanha eleitoral, embora a “época” oficial só arranque na próxima terça-feira, dia 14 de setembro. Ocorreu com o primeiro de dois debates entre os candidatos à presidência da Câmara Municipal de Vizela e que teve lugar no último sábado na Rádio Vizela.
Logo à partida pudemos perceber que o contexto político atual é muito diferente do vivido há quatro anos. A maioria das candidaturas, não só no debate mas também nas suas ações políticas para o exterior, tem falado, sobretudo, das suas ideias e projetos sem sequer mencionar, e muito menos atacar, as siglas dos seus adversários.  Nestas eleições fala-se pouco do passado e muito mais do presente e do futuro, uma campanha mais construtiva do que destrutiva, excetuando uma ou outra situação que poderá desestabilizar mais à direita do que à esquerda. A ver vamos.  Julgo que dificilmente voltaremos a ter no futuro uma campanha em Vizela para as Autárquicas com as mesmas circunstâncias políticas da atual. 
O que é também um facto é que vivemos agora momentos decisivos, até porque se espera que nos próximos dias possam ser apresentados publicamente os programas eleitorais de cada uma das candidaturas. 
Entretanto, ouvíamos esta semana, Victor Hugo Salgado, candidato do PS, afirmar que a sua oposição nestas eleições é o Covid e a abstenção. É um facto de que a duração do tempo da campanha em relação a 2017 é indiscutivelmente diferente mas as circunstâncias políticas do concelho também o são. 
O tempo de campanha ficou reduzido para todos e mais do que a quantidade, o que é importante é que este seja utilizado com qualidade e isso significa aproveitar cada momento para esclarecer o eleitorado dos compromissos de cada candidatura. Principalmente pelos partidos que têm vindo a perder eleitorado no concelho e que têm de encontrar fórmulas que lhes permitam marcar presença, por exemplo, nos debates das freguesias, que têm vindo a ser promovidos pela Rádio Vizela. Se não falarem, ninguém os ouve.
Sobre a abstenção, dizer que em 2017, 31,82% dos vizelenses em condições de votar não o fizeram, isto contra os 38,40% verificados em 2013 ou os 30,65% nas Autárquicas de 2009. Não tem havido muita variação, mas a existir, deverá afetar todas as candidaturas, ou seja, não só a do Partido Socialista, até porque a coligação PSD-CDS/PP tem sido parte integrante do Executivo ao longo dos últimos quatro anos. Além disso, partidos como a CDU e o BE também poderão ter a desmobilização do seu eleitorado como fatura a pagar pelo facto de não terem alcançado representatividade nas últimas eleições. Entretanto, há um partido novo, mas sem que tivesse demonstrado, pelo menos para já, uma força de mobilização que nos permita perceber que um aumento da taxa de abstenção venha a afetar mais um partido em detrimento de outro.
Contudo, não deixa de ser importante falar na abstenção, porque, mais do que nunca, devemos todos fazer parte da mobilização do exercício da cidadania. Votar é um direito que nunca devemos dar como adquirido.