Vizelense Cecília Almeida na Capital da Cultura da Suíça

Tem 35 anos de idade e está a morar em Basileia há dois anos. Acompanhe-nos nesta viagem entre montanhas e lagos.

RVJornal (RVJ) – Foi difícil a adaptação a Basileia?

Cecília Almeida (CA) – Fez há pouco tempo dois anos que eu cá cheguei e, digamos, ainda é um processo que custa um bocadinho, o estar longe da família, de Portugal, é um processo que vai aos poucos e poucos ficando mais fácil, mas ainda custa um pouco. O mais difícil foi sair das asas dos pais.

Eu morava com eles, já são umas pessoas com uma certa idade, e o facto de ter saído de casa deles para uma vida completamente diferente da que eu tinha custou-me. Basileia está no lado alemão e eu vim para cá sem saber a língua, e ainda não sei. É muito complicado, vou-me desenrascando com o inglês. 

RVJ – Peço-lhe que recue ao primeiro dia que pisou solo suíço, qual foi o primeiro impacto que teve?

CA – Antes de vir para cá há dois anos, eu vim em fevereiro desse mesmo ano, vim ter com o meu namorado. Não vou mentir, fiquei deslumbrada com aquilo que vi, era tudo muito bonito e foi isso que me fez pensar vir para cá. Os primeiros dias era tudo muito bonito, estava na lua, mas com os dias passando, as saudades aumentando, tornou-se complicado, mas foi um impacto bom, não vou dizer o contrário.

RVJ – Apresente-nos Basileia?

CA – Basileia é uma cidade muito bonita, tem o rio, tem várias lojas de luxo, é uma cidade bonita para se passar férias, para se visitar.

RVJ – É uma cidade grande?

CA – Sim. É considerada a capital da cultura da Suíça. Não faltam aqui coisas bonitas para se conhecer. Nós aqui estamos rodeados por montanhas, nós olhamos para todos os lados e temos montanhas, mas aqui também tem vários parques para se caminhar e assim, é muito bonito, é muito verde. Todas as casas aqui são obrigadas a ter um espaço verde. O que eu mais gostei de conhecer aqui foi Saint Gothard, uma montanha com três mil metros de altura, posso dizer que é muito frio lá em cima, mas é lindíssima. Também já fui a Tessino, tem lá umas zonas muito bonitas. Tem aqui muitos parques e muitas montanhas que são muito lindas de visitar. É onde estão os lagos, o ano passado também fomos a um que é Rheinfelden, um lago que é mesmo extraordinário.

RVJ – Que outras diferenças existem entre o dia a dia da Suíça e o nosso?

CA – Um aspeto que achei estranho foi ver que aqui as crianças vão sozinhas para a escola, mesmo crianças com três ou quatro anos vão sozinhas para a escola. A primeira vez que vi isso achei estranho, nunca na vida em Portugal isto ia acontecer. E não estou a falar de apenas de um quilómetro, porque há crianças que têm que andar bem mais do que isso. É certo que a polícia está a vigiar, mas não deixam de sair de casa sozinhas. Também têm aqui um programa, que se realiza uma ou duas vezes durante o ano de escolaridade, em que a polícia está com as crianças para elas aprenderem a andar na estrada sozinhas, também a polícia ensina as crianças a andar de bicicleta. O meu namorado diz que aqui é a polícia que gere tudo e tem razão.

RVJ – Devido à Covid-19 aí foram implementadas muitas medidas?

CA – Nem por isso. Os centros comerciais e as escolas fecharam, o pequeno comércio também fechou, mas por aquilo que vou acompanhando nas notícias sobre Portugal, aqui não foram tão grandes as medidas. A maioria dos trabalhos continuavam, a construção civil, limpezas, continuaram, claro que houve alguns que ficaram com menos trabalho, mas a Suíça não fez tanto como em Portugal.

RVJ – Ou seja, não sentiu a cidade parar?

CA – Na primeira semana não se sentiu tanto movimento na rua, mas a partir daí não vi grande diferença. Os supermercados têm uma percentagem de pessoas que podem estar no interior dos espaços, mas são raras as pessoas que andam de máscara ou de luvas. Só se alguém estiver infetado é que usa máscara, porque aqui disseram que não ia ser obrigatório o uso de máscara, dependia da consciência de cada pessoa. Dia 18 de maio está previsto estar tudo reaberto.

RVJ – E regressar a Portugal está nos seus planos e nos do seu namorado?

CA – Eu ia já hoje (risos). Está sim, mas não para já. Talvez daqui a 15 anos. O meu namorado está aqui há 20 anos, ele é mais velho do que eu 10 anos e acredito que para ele regressar a Portugal e arranjar trabalho, ele com 46 anos, ia ser mais complicado. O mais provável será ficar aqui mais 15 anos, até ele ir para a reforma.