Vizela pretende aderir à Rota do Românico

Municípios da CIM do Ave, com exceção de dois, pretendem aderir nesta primeira fase

A Ponte Românica, a Igreja de Santo Adrião e a Capela de Nossa Senhora da Tocha são os três monumentos do concelho de Vizela que foram identificados para integrarem a Rota do Românico, nesta primeira fase do alargamento deste projeto turístico-cultural aos municípios que integram a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Ave.

Em 2017, foi aprovada a candidatura da CIM do Ave para o alargamento da Rota do Românico ao território do Ave, tendo o projeto iniciado com a obra de recuperação da Ponte da Lagoncinha e a da Igreja de Santiago de Antas, ambas da responsabilidade do concelho de Vila Nova de Famalicão. De acordo com Paulo Costa Pinto, técnico superior na área da Cultura e do Turismo da CIM do Ave, neste momento está a ser implementada a candidatura efetuada ao Norte 2020, abrangendo seis dos oito municípios que integram a CIM, com exceção de Vieira do Minho e de Cabeceiras de Basto, que não quiseram, nesta fase, integrar a rota. “Temos uma série de ações previstas, praticamente terminadas, sendo a mais complexa a colocação de sinalética em todo o território, são quase 700 quilómetros de percurso, com mais de 700 pontos de sinalização, que estão em fase de implementação”, diz.

De acordo com Paulo Costa Pinto, o processo de seleção dos monumentos que vão integrar a rota nesta fase “foi entregue à Faculdade Letras da Universidade do Porto, que fez um estudo científico, que precisará de uma segunda fase de candidatura para ser editado esse estudo científico, uma monografia sobre o Românico do Ave”. “Não obstante, houve monumentos que estão integrados na monografia, mas que não estão nesta primeira fase de implementação da rota, na medida em que ainda estão em terrenos privados”. “O mesmo se aplica a dois monumentos centrais em Guimarães, o Castelo e a Igreja de Oliveira, uma vez que foi entendido, pela mesma Faculdade de Letras, que apesar de terem um caráter românico evidente, em algumas partes, o geral do monumento não é românico; o Castelo de Guimarães, por exemplo, é essencialmente um castelo gótico e por consequência não integra desde já a rota”. Mas, sublinha Paulo Costa Pinto, “também faz parte da tradição da Rota do Românico ir integrando posteriormente novos monumentos”.

 

Rota do Românico divulga património nos grandes certames internacionais

 

A Rota do Românico reúne, atualmente, 58 monumentos e dois centros de interpretação, distribuídos por 12 municípios dos vales do Sousa, Douro e Tâmega (Amarante, Baião, Castelo de Paiva, Celorico de Basto, Cinfães, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel e Resende). As principais áreas de intervenção abrangem a investigação científica, a disseminação de conhecimento, a conservação do património, a dinamização cultural, a educação patrimonial e a promoção turística. Por isso, pertencer à Rota do Românico trará vantagens aos municípios da CIM do Ave. “Ao ser uma rota turística, permite que, por exemplo, as igrejas tenham acesso a fundos da área do Turismo para a sua valorização, coisa que outras igrejas não têm”. “Mas a Rota do Românico é mais do que isso, é uma rota que tem um projeto de divulgação e de dinamização cultural constantes”. “A Rota do Românico leva os monumentos românicos às grandes feiras internacionais e estabelece uma relação muito próxima com todo mercado ADEC, que é todo o mercado de hotelaria, de restauração e cafetaria”. “Existe um padrão da excelência que é estimulado pela rota, e, inclusive, há muitos restaurantes que já têm prémios ou certificados de excelência da Rota do Românico, que lhes permitem aceder a uma forma de divulgação também diferenciada”, lembra Paulo Costa Pinto, apontando ainda o facto de a Rota do Românico atrair “fluxos de visitantes para monumentos que estão muitas vezes fora dos grandes centros”.

 

Ainda falta dar passos para a adesão formal da Rota do Românico à CIM do Ave

 

Até ao final do verão perspetiva-se ainda a implementação de um projeto de dinamização cultural chamado Românico Vivo ou Românico Alive, que levará a seis monumentos do território da CIM do Ave, um conjunto de performances, desde teatro, música e dança. Um desses monumentos que receberá este projeto cultural pertence a Vizela, não estando neste momento definido qual dos três será. “É um conjunto de espetáculos que integram uma pequena exposição de um dia, com um quadro vivo, relacionado com imagética do mundo românico, e depois um espetáculo de música, um espetáculo de dança e um espetáculo de teatro, que no seu conjunto atingirá cerca de duas horas, com pequenos intervalos”, explicou Paulo Costa Pinto. Para depois, irá colocar-se a questão da adesão formal à Rota do Românico.

Luís Monteiro, secretário-geral da VALSOUSA – Associação de Municípios do Vale do Sousa, cujo Conselho Diretivo é presidido pelo presidente da Câmara Municipal de Felgueiras, também confirma que ainda “não há nenhum protocolo celebrado, nem nenhum acordo de parceria” para o alargamento da Rota do Românico ao território do Ave, apesar de haver municípios que já tenham manifestado a intenção de aderir. “É preciso desenvolver agora um processo político e de concertação para se oficializar a entrada desses municípios na Rota do Românico”, destaca Luís Monteiro, reconhecendo que o “trabalho técnico” esteja a andar mais depressa do que a vertente política. “Há toda uma panóplia de trabalho lateral que é preciso fazer que o Ave ainda não fez”. “Nós temos um Serviço Educativo da Rota do Românico em que vamos às escolas, algumas, aquelas que têm autonomia, até já integraram nos currículos, temos completamente estruturada a questão das visitas aos monumentos, com intérpretes, com guias, é um trabalho que ainda está por fazer no Ave e levará tempo, pois este trabalho no Sousa começou há mais de 20 anos, e nos municípios do Tâmega e do Douro Sul, que aderiram depois, foi feito há mais de 10 anos”, esclareceu Luís Monteiro, referindo que é “preciso começar a partir pedra neste processo”. “Forçosamente ainda teremos desenvolvimentos este ano, mas não gosto de pôr as coisas cá fora antes delas estarem trabalhadas”, afirma.

O secretário-geral da VALSOUSA vê com bons olhos o alargamento da Rota do Românico ao território do Ave. Para além do ganho em escala, Luís Monteiro assume “que o românico do Ave é muito importante, há monumentos românicos no vale do Ave com muito interesse e alguns já muito bem conservados”. “Encarou-se sempre com bons olhos, aliás, o apoio técnico que já demos à CIM do Ave na questão da sinalização é um sinal de que o caminho está aberto”, diz, ao nosso semanário.

Ao RVJornal, Victor Hugo Salgado, presidente da Câmara Municipal de Vizela e um dos vice-presidentes do Conselho Intermunicipal da CIM do Ave, considera que a adesão à Rota do Românico é “muito importante para o concelho de Vizela”, sendo este um processo que vem no seguimento daquilo que o município tem “desenvolvido do ponto de vista do turismo, aproveitando aquilo que nos distingue e nos dá identidade” e, desta forma, ganhar “expressão e força turística, daí que a rota é muito importante para nós”. “Estamos atentos e participativos e já demonstrámos que não queremos ficar de fora deste comboio”, afirma Victor Hugo Salgado.

O autarca de Vizela também sublinha a qualidade do projeto da Rota do Românico, “uma rota cada vez mais firmada, que se tem distinguido pela positiva e é uma rota que a Câmara Municipal de Vizela quer, sem dúvida, aproveitar”.

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