"Um trabalho de seriedade e credibilidade na região”

Rádio Vizela completa este domingo 35 anos de emissões.

O último ano foi duro. Mas a Rádio Vizela não deixou, nem por um minuto, de cumprir a sua missão de serviço público. A equipa não virou a cara à luta e continua atenta aos desafios que são diários no combate à desinformação e na promoção de um entretenimento de qualidade. Quem o garante é José António Dias, presidente
do Conselho de Administração da Rádio Vizela.

O que significa para si estar na presidência no momento em que a Rádio Vizela completa 35 anos de emissões?

É o cumprir de um projeto iniciado há 35 anos que nunca está acabado!  É preciso todos dias dar vida, inovação, empenho e dedicação a um grande desafio que é a rádio.

Ainda se recorda do momento em que pisou os estúdios pela primeira vez?

Sim, mas não é o mais importante. O importante é estarmos cá hoje, com sangue, suor e lágrimas. Mas estamos mais fortes que nunca, por aquilo que fazemos em prol de uma região e de um concelho que vimos nascer, aliás participámos também na luta pela sua emancipação.

Desse momento até hoje, já lá vai uma longa caminhada. O que o motiva a si e a outros cooperantes a contribuírem, de forma graciosa, para este projeto?

Desde que entrei, sempre tive muito orgulho na rádio em que nos tornamos. Muitos foram os que também deram muito de sim para estarmos cá hoje. Este projeto tem vindo sempre a crescer, desde meios humanos, meios técnicos, mesmo na forma como levamos a informação e o entretenimento ao nosso auditório.

É caso para dizer que esta é uma paixão que só é possível compreender quando se faz parte?

A rádio tem destas coisas, quando se gosta, fazemo-lo apaixonadamente e não há nenhum dia igual ao anterior. O mundo da rádio está em constante atualização.

Mas fazer parte da equipa é uma coisa. Liderá-la é outra. Tem sido um desafio comandar este navio?

Um grande desafio, principalmente desde que a pandemia nos veio tirar o tapete rumo ao que estava traçado no mandato para o qual este Conselho de Administração foi eleito. Muitos projetos e eventos foram cancelados com impacto direto no funcionamento das várias valências da Cooperativa.

Como dizia há pouco, o surgimento da pandemia da Covid-19 veio adulterar os planos. Não foi só os da Rádio Vizela, foram os do mundo. Mas foi a realidade que se abateu sobre esta estação que teve de enfrentar. Os últimos 18 meses têm sido duros mas ao mesmo tempo desafiantes?

Muito duros, as pessoas tiveram de se adaptar a uma realidade nunca vivida, de salientar o esforço da equipa para não haver contágio, pois poderia obrigar a fechar a rádio e, até ao momento, mantivemo-nos sem casos de infeção, o que é muito gratificante!

A Rádio Vizela tem sabido cumprir a sua missão?

Mais que nunca a Rádio Vizela tem cumprido a sua missão. Presta um importante serviço público à comunidade, informando-o sobre o que acontece na sua região. Aliás, isso deveria ser tido em conta na distribuição da publicidade institucional por parte da Administração Central que deveria ser mais equitativa, até porque somos aqueles que estamos mais próximos das pessoas, logo estaria garantida uma maior eficácia na transmissão da mensagem.

Uma missão de serviço público mas sem ser subsidiada por organismos públicos. 35 anos depois ainda há quem não saiba que uma Rádio como a de Vizela vive exclusivamente do trabalho que produz, sendo as receitas que advêm da publicidade as que maior peso tem na gestão desta Cooperativa...

Sim, todos os nossos custos e investimentos estão assentes na publicidade!

A seriedade e credibilidade que a Rádio Vizela conquistou ao longo destas três décadas e meia tem-lhe permitido ter ao seu lado importantes parceiros, que estão com a nossa estação e que, através dela, têm conseguido impor a sua marca no mercado, numa comunicação de proximidade com os seus clientes...

A marca “Rádio Vizela” é hoje o resultado de um trabalho de seriedade e credibilidade na região! Se não vejamos, hoje em dia existe muita informação nas redes sociais a circular, eu pergunto: a maioria dessa informação é verdadeira ou falsa?

A Rádio Vizela vive exclusivamente do trabalho de produção dos seus próprios conteúdos há muitos anos. Agora qualquer empresa tem os seus clientes e a Rádio Vizela não foge à regra e eles são muito importantes. Honra-nos a promoção dos seus serviços nas nossas valências de rádio, jornal e site.

Em 2020, face ao surgimento da pandemia da Covid-19, o Governo colocou em marcha um processo de compra antecipada de publicidade, que previu a distribuição pelos órgãos nacionais e locais. Considera que este modelo se deveria replicar, não ficando os órgãos de comunicação social locais de fora quando se fala em publicidade institucional do Estado?

Mais que devia, é uma obrigação do estado fazê-lo. Ainda o Estado não tinha planeado a compra antecipada de publicidade institucional, já a Rádio Vizela emitia spot’s alusivos à pandemia. Mais, fomos das primeiras instituições a cancelar eventos, de que foi exemplo a 7ª Gala Rádio Vizela e que leva meses a preparar. Foi por um bem maior, pela defesa da saúde pública. Foi uma decisão difícil de tomar mas veio a provar-se que foi acertadíssima! A proximidade é muito importante, por isso, o Estado não pode deixar de fora a comunicação social local e regional, porque é esta a que está mais perto do cidadão.

Nos últimos tempos, temos ouvido falar muito sobre a importância da Comunicação Social para a preservação do sistema democrático. Mas este discurso tem sido acompanhado pelas medidas que possam garantir, mais do que a continuidade de órgãos de comunicação, que o trabalho produzido possa influenciar positivamente a vida dos cidadãos?

O rigor e a credibilidade são os valores que colocam à prova os Órgãos de Comunicação Social. Esse tem de ser o caminho. As redes sociais estão inundadas de informação falsa e as pessoas têm de estar em alerta. Não basta ler o título e partilhar. A verdade é que, neste momento, existe muita desinformação. São muitos aqueles que querem ser protagonistas e “dar notícias” nas redes sociais.

Mas é nas redações que trabalham os jornalistas ao abrigo de um código deontológico.

As redações hoje são cada vez mais curtas e os seus profissionais são desafiados desempenhar multi-tarefas. Ao mesmo tempo são obrigados a trabalhar para o "instante", para o momento, numa velocidade a que obriga as redes sociais sob pena de se ficar para trás. E o jornalismo de investigação? Onde fica?

Existe pouco e há uma tendência para que se aceda a conteúdos sensacionalistas para consumo imediato. É preciso trabalhar para inverter essa trajetória.

Isto para não falar do fenómeno do cidadão ou da instituição repórter. Hoje não falta tempo para refletir, procurar, ouvir, compreender e transformar todos estes passos numa comunicação final que destrince bem entre aquilo que nos é dito e aquilo que de facto está a acontecer?

Pois este é o grande perigo da democracia e da liberdade de imprensa. Hoje efetivamente parece que qualquer pessoa pode ser “repórter”, nem que para isso viole a liberdade do outro. O importante é ter muitos “gostos” e ser o primeiro a publicar a novidade.

Ou seja, fazer parte de um projeto como a Rádio Vizela é muito exigente. Mas é ao mesmo tempo também muito desafiador?

Sim é muito exigente, para aquilo que fazemos em radio, jornal, site e rede sociais.

Temos de ser igual a nós próprios, uma empresa que faz o seu trabalho com rigor, isenção e honestidade.

O projeto nunca está concluído e apesar do nome - Rádio Vizela - esta é uma estação de abrangência regional. Essa conquista não será fácil de preservar? Dá muito trabalho?

A Rádio Vizela tem vindo a dar passos muito importantes na estabilidade da equipa que todos dias mantém bem viva a estação. Isto fruto de muito esforço pessoal de funcionários e colaboradores, porque só assim é possível o verdadeiro sentido de um órgão comunicação social local.

A equipa de trabalho tem sabido estar à altura? Como a define?

A equipa tem estado à altura dos desafios e estes têm sido muitos! Uma equipa de trabalho que não vira a cara à luta neste desafio diário de levar o entretenimento de qualidade e a informação credível que nos carateriza.

Entretanto, ainda tem um caminho a percorrer até ao final do atual mandato na presidência da Rádio Vizela. Impôs a si próprio e à sua equipa do Conselho de Administração algumas metas que gostaria de alcançar?

Este Conselho de Administração, o qual eu me orgulho de liderar, está a passar por um grande teste de resiliência e dedicação num momento tão difícil, mas ao mesmo tempo renovador de esperança de dias que possam ser bem melhores daqui para a frente. Somos sempre ambiciosos no melhor para a Cooperativa. As pessoas têm sido o foco, embora reconheço que devido aos constrangimentos financeiros, não tem sido possível outros voos.

Temos a aposta na renovação do equipamento tecnológico, que tem um desgaste rápido, e estamos sempre atentos ao aparecimento e novas tecnologias que possam potenciar uma melhor comunicação.

E agora para terminar, as últimas palavras devem ser para os ouvintes, aqueles que garantem que, 35 anos depois, este sonho de projeto se mantenha vivo e com vontade de ir ainda mais longe...

Um agradecimento todos quantos nos acompanham. O nosso obrigado por confiarem em nós. Não menos importante, uma palavra para os nossos clientes, que apostam nas nossas valências para divulgarem as suas marcas e produtos. Não deixar ainda de agradecer a todos os que contribuíram e contribuem para que seja possível a comemoração deste 35º aniversário e falo dos cooperadores, funcionários e demais colaboradores. Parabéns Rádio Vizela!

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