Trabalhadores do balneário termal suspendem contratos

Decisão tomada após não recebimento dos salários de fevereiro e março.

De acordo com Francisco Figueiredo, dirigente do Sindicato da Indústria de Hotelaria, Turismo e Restaurantes e Similares do Norte, os trabalhadores do Complexo Termal de Vizela estiverem reunidos no início desta semana com representantes da administração do Grupo Tesal, mas sem que ainda vissem resolvidos os seus problemas e que estão diretamente associados à falta de pagamento dos salários de fevereiro e março.

Grupo Tesal terá recorrido ao layoff

Diz o dirigente sindical, em declarações à Rádio Vizela, que aquilo que a empresa transmitiu aos trabalhadores foi de que aguardava pelo deferimento da Segurança Social relativamente ao pedido de layoff remetido em dezembro de 2019 no que respeita ao hotel mas também ao que entretanto foi solicitado para o hotel, este já ao abrigo do layoff simplicado, instrumento criado para apoiar empresas obrigadas a suspender a sua atividade na sequência das contingências geradas pela pandemia Covid-19.

No entanto, Francisco Figueiredo afirma tratar-se apenas do “arrastar de um processo” sem solução à vista para os trabalhadores. “A empresa está à espera que haja deferimento, quando sabe que tal não acontecerá, porque a situação não estava regularizada do ponto de vista da Segurança Social. De modo que existem trabalhadores que, neste momento, estão a tomar a iniciativa de suspenderem os seus contratos devido ao não pagamento pontual das retribuições”, adiantou o responsável, ressalvando o facto de que os colaboradores que o estão a fazer são aqueles que trabalham no balneário, desconhecendo, para já, se os que estão ligados ao Hotel optarão pelo mesmo caminho.

Sindicato defende intervenção da Câmara Municipal

Entretanto, o dirigente sindical afirmou não compreender o “silêncio” da Câmara Municipal de Vizela (CMV), responsável pela concessão o balneário e o hotel ao Grupo Tesal, apesar das “insistências do Sindicato”. “Sabemos que existe hoje este problema da pandemia mas, mesmo assim, a CMV tinha que ter uma palavra para os trabalhadores ou para os seus representantes. Deixou ao abandono completo os trabalhadores do balneário Termal”, conclui Francisco Figueiredo.

Recorde-se que o balneário termal encontrava-se fechado desde finais de novembro, depois de ter sido obrigado a realizar uma intervenção de fundo de modo a garantir a qualidade das suas águas. Já em finais de janeiro foi o hotel que fechou portas para entrar em obras e que, entretanto, foram finalizadas, isto de acordo com informação disponibilizada pelo presidente da CMV a 30 de março, quando contactado pela Rádio Vizela. Foi também nessa altura que Victor Hugo Salgado lembrou o facto das Termas terem sido obrigadas a proceder a um interregno na sua atividade em novembro passado e disse acreditar que o não pagamento das remunerações em falta esteja relacionado com as dificuldades criadas, ao nível da tesouraria, nessa fase de inatividade e que agora se estende sem fim programado face à propagação da Covid-19 no país.

Por outro lado, e vivendo agora Portugal submetido às restrições de um Estado de Emergência, em que as unidades termais estão impedidas de abrirem portas, o autarca admitiu que o recurso ao regime de layoff possa ser encarado pela administração do Grupo Tesal como uma solução para a preservação futura daqueles postos de trabalho.

Nessa mesma altura, a Rádio Vizela tentou estabelecer contacto com a administração das Termas de Vizela, tendo-nos sido solicitado o envio de um pedido de esclarecimento via correio eletrónico. Aguardamos ainda resposta.