Suspensão da Feira Semanal: "Decisão é exagerada"

Quem o afirma é Fernando Sá, presidente da Associação de Feiras e Mercados da Região Norte.

Atendendo ao aumento do número de infetados por Covid-19 em Vizela e nos concelhos vizinhos, o Município decidiu suspender a realização das feiras semanais de quinta e sábado. Uma decisão que Fernando Sá, presidente da Associação de Feiras e Mercados da Região Norte (AFMRN), avalia como sendo “exagerada e discriminatória” uma vez que o setor do comércio mantém a sua atividade.

Na primeira fase da Covid-19, a Feira Semanal de Vizela esteve suspensa durante um período que se estendeu por quase três meses. Regressou a 04 de junho com novas normas de acesso fundamentadas nas normas emanadas pela Direção-Geral da Saúde.

No entanto, no último sábado, dia 24, a Câmara Municipal de Vizela (CMV) decidiu proceder a nova suspensão, por tempo indeterminado e enquanto se mantiver a presente situação epidemiológica. Aliás, a autarquia justifica a decisão tomada com “a escalada do número de infetados no concelho de Vizela e concelhos limítrofes”. Compromete-se o Município a proceder à constante monitorização dos efeitos das medidas decretadas pelo Governo e pela autarquia, tendo em vista a sua adequação à situação em concreto, podendo as mesmas serem revistas ou revogadas a todo o tempo, consoante se revele necessário prevenir e conter a propagação da Covid-19.

Mas esta decisão não conta com o acolhimento da AFMRN: “Entendemos que é uma atitude exagerada, dado que todo o restante comércio se encontra aberto. Além disso, e uma vez que as feiras em Vizela se realizam periodicamente, à quinta e ao sábado, ao ar livre, não faz muito sentido cancelá-las só porque existem focos relacionados com esta pandemia”. O presidente Fernando Sá defende que a decisão da CMV “é ainda mais incompreensível” quando a reabertura das feiras foi decidida pela Governo em maio mediante a implementação dos respetivos Planos de Contingência por parte das Municípios”. Normas essas que o dirigente defende estarem a ser cumpridas, nomeadamente, o uso de máscara e a desinfeção dos espaços e das próprias mãos. Entende, por isso, o dirigente que se a CMV, como entidade responsável pela gestão da Feira Semanal, entende que as medidas adotadas não são suficientes, deve reforçar o Plano de Contingência e garantir o seu cumprimento.

Recorde-se que foi na última quinta-feira, que o Conselho de Ministros divulgou medidas especiais para serem aplicadas nos concelhos de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira, e entre as quais constava a proibição de feiras ou mercados de levante. Fernando Sá diz que “o presidente da Câmara Municipal de Vizela está a ir um pouco à boleia da decisão do Governo para aqueles municípios”. “Mas é incompreensível. Talvez tenha sido [uma decisão] tomada um pouco a quente. Isto porque mesmo nos concelhos para os quais foi decretada esta medida, há autarcas que já vieram manifestar publicamente indignação face ao encerramento das feiras”, salienta o responsável. E logo acrescenta: “Ouvi o Sr. Presidente da Câmara [de Vizela] dizer que o Governo deveria tomar medidas mais musculadas para combater o aumento dos casos nestes Municípios e o próprio acabou por tomar uma medida musculada mas só contra os feirantes, porque o comércio e as outras atividades continuam a desenvolver-se em Vizela”.

Fernando Sá: “Reforçar as medidas de controle e deixar os feirantes trabalhar”

Daí que além de exagerada, o presidente da AFMRN considere esta decisão como sendo “antidemocrática e discriminatória”: “Desde que o Governo aligeirou as medidas relacionadas com a pandemia foi possível realizar muitas festas, como casamentos e batizados, e ter também a restauração a funcionar ao ar livre até altas horas sem máscaras, ou seja, sem qualquer controlo”. “E agora quem é que vai pagar [a fatura]? São os feirantes, aqueles que cumpriram as medidas implementadas pelo Governo e o Município de Vizela sabe muito bem disso”, assegura.

Questionado sobre o impacto da suspensão nas vidas dos feirantes, Fernando Sá garante que este será “enorme”. Lembra os meses de março, abril e maio, com atividade reduzida a zero e cujos prejuízos ainda não foi possível recuperar. “Neste momento, todos os feirantes assumiram os seus compromissos na aquisição das mercadorias para a época de inverno. Se estiverem em casa e não a puderem escoar terão grandes prejuízos. Não sei se o Município de Vizela terá capacidade para os ajudar”. “É fácil fechar feiras mas é difícil encontrar soluções para resolver o problema dos feirantes”.

Por outro lado, Fernando Sá admite que foi positivo o facto da CMV ter decidido reduzir em 50% no valor cobrado aos feirantes pelas taxas de ocupação até ao final do presente ano. Mas, termina, dizendo que não chega: “A solução será a CMV, em conjunto com as Autoridades de Saúde, reforçar as medidas de controlo e deixar os feirantes trabalhar”.