Salomé e Catarina ultimam preparação para os Jogos Olímpicos

Igualar condições atmosféricas de Tóquio é objetivo da preparação nesta fase para as atletas

 

Salomé Rocha e Catarina Ribeiro entraram na última fase de preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, onde estarão com o seu treinador Rui Ferreira. Refira-se que os Jogos se vão realizar entre 23 de julho e 08 de agosto e como habitualmente a maratona é das provas que fecha a competição, ou seja as atletas correrão em Sapporo dia 07 de agosto.

Foi já em 2019 Salomé Rocha e Catarina Ribeiro conseguiram o apuramento para os Jogos Olímpicos do Japão, marcas que conseguiram manter até aos dias de hoje. Devido à pandemia os Jogos foram adiados por um ano, no entanto, a pré-seleção foi divulgada apenas a 11 de maio, depois de terminado o novo período para obtenção dos mínimos para a prova. Recorde-se que para além de Salomé Rocha e Catarina Ribeiro, também a tirsense Sara Moreira vai a Tóquio, sendo que nenhum atleta português masculino conseguiu assegurar a presença na maratona.

Em entrevista à Rádio Vizela, o treinador e as atletas falaram da preparação, que por esta altura vai sendo feita para esta grande competição.

Desde logo há grande felicidade pela presença, sobretudo para Catarina Ribeiro que, em Tóquio, vai cumprir um sonho de muitos anos. “Falhei os Jogos Olímpicos do Rio e na altura fiquei bastante dececionada e até decidi mudar de rumo, ou seja, apostar na maratona em vez dos 10 mil metros. Comecei a fazer maratonas em novembro de 2016 e, desde então, que o objetivo principal tem sido melhorar de ano a ano e potenciar a minha performance para conseguir a marca que me desse a oportunidade de participar nos Jogos Olímpicos de Tóquio. É um sonho que percorro há muito tempo e que finalmente se vai realizar”.

Confessa que ficou feliz pela marca conseguida, em finais de 2019. “Fiquei muito contente com a marca obtida na altura, porque melhorei em alguns minutos, mas com o tempo a passar deu para perceber que era uma marca boa, mas havia tempo para melhor, se necessário”. Salomé Rocha conseguiu o tempo na Maratona de Londres e percebeu desde logo que era uma boa marca. “Melhorei na altura a minha marca pessoal, era uma marca boa, mas temos em Portugal grandes maratonistas, mas sabia que se houvesse marcas melhores eu tinha tempo para tentar correr outra maratona e conseguir e presença em Tóquio”.

E a obtenção da chamada marca olímpica é sempre o ponto de partida para o início de um projeto, como recorda o treinador Rui Ferreira. “Quando nos propomos a participar nos Jogos Olímpicos, o primeiro passo é garantir a marca olímpica, senão nada feito. Quando abriu o primeiro período, elas conseguiram logo grandes marcas. Depois foi tentar gerir esta situação até que termine o período de qualificação, para termos a certeza de que as marcas são suficientes, uma vez que havia apenas três vagas para a maratona. Depois disso começa a preparação mais especifica para esta grande competição, já com toda a nossa energia focada nessa prova”.

O trabalho nesta fase já é diferente e vai mudando à medida que nos aproximamos da prova. “É um período mais exigente, mas já trabalhamos com certezas, pois já trabalhamos em algo que sabemos vai acontecer, que já não é incerto como outras alturas”, refere Rui Ferreira,

Refira-se que as atletas já estão no quinto ano de preparação para os Jogos, que se deviam realizar em 2020, e apesar da pandemia as atletas nunca pararam o seu trabalho. Houve sempre treino, em Vizela bem cedo e depois à tarde na pista de Lousada.

 

Igualar condições atmosféricas de Tóquio é objetivo da preparação

 

Nesta fase de preparação, as atletas estão focadas em atingir o pico de forma, mas também preparam outras situações para atenuar a diferença horária, ou o clima. Um processo bastante longo, ainda mais porque estes Jogos são diferentes e especiais, como destaca o treinador Rui Ferreira.

“Para além da preparação normal para uma maratona que implica grande volume de treino e intensidades corretas é um período que demora entre três meses e três meses e meio. Há este cariz especial por serem os Jogos Olímpicos. O grande objetivo a que nos propusemos nestes últimos anos. Paralelamente temos a questão da distância, um fuso horário que temos que acautelar para não nos ressentirmos do jet leg, quando chegarmos ao Japão, e isso está a ser trabalhado”.

Ainda sem certezas, atletas e treinador não querem ser surpreendidos pelo clima que irão encontrar a 07 de agosto em Sapporo. A preparação vai nesse sentido. “Temos também a questão da temperatura e da humidade que são bastante diferentes daquilo que temos em Portugal. Neste caso, estamos a fazer um trabalho específico para que a nossa chegada ao Japão seja o mais natural possível e que todas aquelas condições não nos sejam estranhas. Estamos a fazer um trabalho mais alargado para evitar qualquer surpresa como por exemplo aconteceu em Doha. É um trabalho bastante exigente e que requer um grande esforço por parte das atletas, mas que será necessário para que a prova corra da melhor forma possível”.

Um trabalho feito em parceria com algumas entidades: “Está a ser feito na Universidade de Coimbra, uma parceria com a Faculdade de Desporto da Universidade e a Federação Portuguesa de Atletismo, juntamente pelo Comité Olímpico, onde os atletas passam por quatro períodos distintos. Dois já estão cumpridos, treinam em condições muito semelhantes às que se encontram no Japão, com temperaturas entre os 32 e os 34 graus e com percentagens de humidade a rondar os 80 por centro. São condições que em Portugal não temos, mas que, com esta preparação, que proporcionamos às nossas atletas”.

Refira-se que as atletas continuam a trabalhar cada vez de forma mais especifica para os Jogos Olímpicos, sendo que as últimas semanas serão realizadas em estágio num contexto quase de reclusão, a decorrer em Mira.

 

 

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