Resguardo de colchão com temperatura regulada à distância

Produto inovador do Grupo Lasa poderá ser lançado no mercado dentro de dois/três anos.

O Grupo Lasa está neste projeto juntamente com o CITEVE (Centro Tecnológico das Indústrias do Têxtil e do Vestuário) e com o CeNTI (Centro de Nanotecnologia e Materiais Ténicos). Trata-se de um projeto que, segundo Ricardo Silva, diretor-geral do Grupo Lasa, iniciou em meados de 2017. “Foi uma ideia do Grupo, nós participámos de um projeto maior ao nível têxtil, nacional, que se chamava Texboost, um projeto com cerca de 60 entidades”. “Foi-nos lançado um desafio para pensar num produto que pudesse ser interessante para este cluster e percebemos que havia alguns desafios que nós poderíamos responder, nomeadamente a estes fenómenos climatéricos que temos vindo a assistir nos últimos anos”. As vagas de frio e as de calor, sublinhou, Ricardo Silva, “vão continuar a existir, e tudo isto provoca distúrbios ao nível do sono e do desconforto térmico”. Foi assim que se “procurou encontrar uma solução que não existe no mercado”. “O que existe neste momento são elementos que fazem parte do arrefecimento, e estamos a falar de produtos que já têm muitos anos e já têm algumas falhas ao nível da segurança, e a questão do frio aqui aparece como algo verdadeiramente inovador neste produto”, assegurou.

O protótipo foi lançado no último trimestre de 2020. “É um projeto relativamente recente, mas estamos muito esperançados nos resultados, porque pensamos que é um produto que tem um potencial bastante grande”, frisou Ricardo Silva.

O projeto em causa foi pensado para camas de casal, no entanto, poderá ser utilizado “em camas de solteiro, sem problema nenhum”. “O produto tem duas zonas de conforto que podem ser alteradas e foi pensado, especificamente, para responder a necessidades que podem ser diferentes, nesse sentido, como sabemos, há pessoas que têm uma forma de reagir à questão do calor e do frio [de forma distinta], e, dessa forma, o produto foi pensado para que numa zona possa estar a fazer frio e na outra zona pode fazer calor. Ele é completamente independente nas duas zonas”. Além disso, a temperatura do resguardo poderá ser ajustada remotamente, devido a uma app: “O produto é controlado localmente, mas também foi preparada uma app para que os utilizadores possam fazer essa configuração, seja à distância seja no próprio local.  Podem automatizar a questão de estar a funcionalidade ligada ou desligada, durante x horas ou x minutos, tudo isto está previsto numa app que foi desenvolvida especificamente para este produto e para os utilizadores controlarem o seu desempenho”.

 

Objetivo é que o produto seja lançado no mercado em dois/três anos

 

O produto já foi patenteado, sendo que o protótipo está ainda em fase de testes. “Estamos a falar de um projeto que foi apoiado com fundos europeus e, neste momento, estamos ainda em testes do protótipo para que possamos ter produto no mercado dentro de dois/três anos”, enalteceu Ricardo Silva.

O diretor-geral do Grupo Lasa considera ser prematuro avançar com os custos deste produto inovador: “É óbvio que foi uma preocupação durante o período de investigação, procurámos sempre controlar esses custos e fazer esse controle de acordo com outros produtos existentes no mercado, não tão completos, mas para no final sabermos que vamos ter um produto economicamente viável”.

Para desenvolver este projeto foi feito “um investimento importante”, no entanto, Ricardo Silva entende que um grupo como a Lasa, “que opera ao nível internacional”, tem de ter a inovação sempre em vista”.

Este projeto foi apresentado no CITEVE, mas o próximo passo será dá-lo a conhecer ao mundo através da participação em feiras. “Devido às contingências que estamos a viver ao nível internacional nesta altura ainda não sabemos quais são as feiras onde vamos estar, mas, com certeza, estaremos, eventualmente, já na Heimtêxtil, em maio, com este produto”, assinala Ricardo Silva.

No desenvolvimento deste produto, coube à Filasa a parte relacionada com o “estudo de fibras e de tecidos para melhor maximizar os efeitos do produto final”, já a Lasa participou na questão relacionada com “a tecelagem, [nomeadamente] na construção de um tecido que procurasse retirar o máximo proveito do produto e das funcionalidades que se pretendia”. Já o CITEVE e o CeNTI são as entidades que deram apoio “ao nível de testes” e de tecnologias que o Grupo Lasa não detém.

Refira-se que o Grupo Lasa tem em mãos um outro projeto, numa fase mais adiantada. Trata-se de “um lençol com inteligência para captar fluidos”. “A preocupação que tem a ver com acamados e, eventualmente, com crianças que pudessem ter alguma falha em termos de libertação de líquidos”. “São produtos que nós estamos constantemente a desenvolver, são áreas importantes para o grupo”, rematou o diretor-geral.

 

Foto: CITEVE

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