Prémios Humanizar a Saúde: Projeto da UCC Vizela finalista

Os Prémios Humanizar a Saúde são uma iniciativa da Teva Portugal, numa cerimónia que decorreu no passado dia 15, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Entre 45 candidaturas, o Projeto de Apoio aos Cuidadores (PAC) da Unidade de Cuidados Continuados (UCC) de Vizela foi um dos 15 finalistas.

“Concorremos sem qualquer tipo de expetativa de sermos vencedores”, assume Jorge Oliveira, diretor técnico da UCC de Vizela, depois de analisar os projetos que estavam a concurso. “Percebemos que já foi uma vitória muito significativa ter estado entre os 15 finalistas, [uma vez que os vencedores] são projetos com uma presença no território nacional, ao contrário do nosso que é restrito a uma única instituição, os outros têm um histórico, um investimento e uma mediatização que nós não conseguimos ter, muitos deles são de instituições com departamentos específicos de candidaturas de angariação de fundos, para que eles próprios subsistam, estamos a falar de dimensões completamente diferentes”, explica.

Por isso, considera Jorge Oliveira, ter estado entre o lote de 15 finalistas dá um “ânimo extra” a todo o grupo. Para 2023, reforçar a aposta na humanização dos cuidados é o caminho a seguir. “Quer no que diz respeito aos cuidados diretos aos utentes, quer de enfermagem, de fisioterapia, psicologia, e outros, mas também na área da animação e na própria estrutura física da unidade, tentaremos personalizar cada vez mais os cuidados, para que não seja uma resposta standard e que todos os utentes tenham de se encaixar no nosso “modus operandi”, nós é que temos de ir ao encontro daquilo que são as motivações, a sua história passada, para que as pessoas sintam menos este desligar da comunidade enquanto estão internados connosco”, explica.

 

“É impossível dissociar o cuidado dos utentes com o cuidado aos cuidadores” (Jorge Oliveira)

 

O PAC foi criado na UCC de Vizela em 2019 com o objetivo de promover a saúde mental dos cuidadores. Ana Correia, psicóloga e impulsionadora deste projeto, diz-nos que em média têm-se mantido cerca de 12 cuidadores nas sessões, que no decorrer da pandemia Covid-19 teve de sofrer algumas adaptações. “Estou a lembrar-me de um exemplo recente, um senhor que não perspetivava a alta da esposa para casa e que, entretanto, com o grupo foi ganhando outra consciência das suas capacidades e agora já mudou a perspetiva de alta e vai levar a esposa para ser cuidada com ele em casa, apesar do apoio de outras instituições”, sublinha, ao nosso semanário, Ana Correia.

O valor dos Prémios Humanizar a Saúde seria importante para o PAC no desenvolvimento de algumas atividades, que neste momento são custeadas pela UCC de Vizela. Nada que esmoreça a equipa de trabalho que continuará a bater-se pela continuidade do projeto que, embora não seja o âmbito da intervenção da UCC, é vista como importante. “Aquilo que nós entendemos é que é impossível dissociar o cuidado dos utentes com o cuidado aos cuidadores, principalmente os cuidadores que têm os seus familiares numa situação de muita fragilidade, e o principal motivo inicial que nos levou à criação deste projeto cuidadores que viviam muito isolados, viviam em função de um utente que muitas vezes nem sequer comunicava com o próprio cuidador e então o objetivo foi ser esta rede de apoio”, salienta Jorge Oliveira.

 

“Pessoas que têm de abdicar da sua vida profissional para cuidar, muitas vezes desgastados, sem grande apoio financeiro” (Ana Correia)

 

Respostas como o PAC não são financiadas pelas entidades públicas como a Segurança Social ou a Administração Regional de Saúde, cujo único apoio concedido às UCC é estipulado pelas diárias de internamento que o Governo define. “E todos nós sabemos aquilo que se passa nas nossas casas, e na Misericórdia de Vizela não é diferente, com o aumento do preço de energia, do gás, dos bens alimentares, mas dentro do nosso alcance tentamos dar o melhor possível”, refere Jorge Oliveira, alertando para outra realidade: “Não se vislumbram alterações estruturais ao funcionamento da área social que venham dar resposta a esta avalanche de casos - e mais complexos -, sentimos isto diariamente, sentimos que a taxa de doentes que ficam para além do tempo de internamento é cada vez maior”. “A minha perspetiva, não acho que a política passe só pela criação de mais UCC, acho que isto não é sustentável financeiramente, temos de ter noção de, que somos contribuintes e pagamos a UCC, quanto é que custa o internamento de um utente, quando muitos utentes que continuam connosco não precisam de enfermagem 24 horas, não precisam de um médico sete dias por semana, não precisam de fisioterapia sete dias por semana, precisam sim de um sítio mais parecido com uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas”, entende Jorge Oliveira, ao que acrescenta a psicóloga: “E aquela que também é uma realidade muito grande são cuidadores ainda em idade ativa, pessoas que têm de abdicar da sua vida profissional para cuidar, muitas vezes desgastados, sem grande apoio financeiro, nem em termos de conciliação profissional para essa tarefa do cuidar”.

 

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