Novo projeto da Santa Casa dará resposta a 129 utentes

A Câmara Municipal de Vizela (CMV) e a Santa Casa da Misericórdia de Vizela (SCMV) apresentaram esta segunda-feira, dia 11 de janeiro, o projeto para a reconversão do edifício do Instituto Silva Monteiro num resposta social que contemplará 129 utentes distribuídos nas valências de Lar, Centro de Dia e Apoio Domiciliário.

Foi em 2015 que o Instituto Silva Monteiro fechou portas, tendo desde aí ficado sujeito à natural degradação de um edifício devoluto. Anos mais tarde, por interpelação primeira da Junta de Freguesia de Tagilde e S. Paio (Vizela) junto dos proprietários do antigo estabelecimento de ensino privado e depois por diálogo entre a CMV e a Provedoria da SCMV tornou-se possível a aquisição do prédio (com um custo global de 400 mil euros), através da concessão de uma transferência de 345 mil euros da autarquia para aquela Instituição Particular de Solidariedade Social com o compromisso do antigo Instituto ser reconvertido numa nova “almofada social” para o concelho.

Custo global rondará os 3 milhões e 192 mil euros

Foi a 08 de julho de 2019 que foi assinado o protocolo entre as duas entidades e, desde aí, têm sido realizadas várias diligências no sentido de tornar este novo projeto uma realidade. As previsões apontam para um custo global a rondar os 3 milhões e 192 mil euros, tendo a SCMV já apresentado, em dezembro, uma candidatura ao Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais – 3ª Geração (PARES 3.0). Se a candidatura for aprovada, o financiamento poderá chegar aos 85%, embora, por regra, este ronde os 60%. Em simultâneo, a instituição contará também com uma comparticipação da autarquia na execução da obra e que irá ao encontro do que está previsto no Regulamento Municipal de Atribuição de Apoios ao Associativismo.

Contudo, o desenvolvimento do projeto não está dependente da candidatura ao PARES 3.0, cuja resposta poderá demorar ainda alguns meses a chegar. Por esta altura, o projeto final de arquitetura está em avaliação por parte da Segurança Social. Logo que for dado sinal positivo, caberá à CMV emitir um parecer sobre o licenciamento da obra para que sejam elaborados os respetivos projetos de especialidade. Só quando estes estiverem concluídos é que será lançado o concurso público, que permitirá a adjudicação do projeto e o início da sua execução. A partir desse momento, estima-se que demore cerca de 18 meses até estar concluído.

O projeto da Santa Casa da Misericórdia de Vizela para o edifício do Instituto Silva Monteiro, em S. Paio vai permitir dar resposta a 59 utentes na Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, a 30 em Centro de Dia e 40 em Serviço de Apoio Domiciliário.

Nuno Lobo: “Mantivemos ao máximo a estrutura existente”

A última segunda-feira foi o dia escolhido para a apresentação do projeto de arquitetura, a cargo de Nuno Lobo, que marcou presença na Casa de Cultura. “Quando falamos do Instituto Silva Monteiro referimo-nos a um edifício que se encontrava devoluto há uma série de anos e que tinha uma função específica. Foi válida a opção de lhe dar um novo uso apesar de haver sempre algumas limitações”, começou por dizer o arquiteto. Desde a primeira hora que Nuno Lobo se comprometeu a dar resposta a dois compromissos: contenção de custos e reconversão do edifício para um propósito social: “Mantivemos ao máximo a estrutura existente e as mais-valias do edifício, de forma a que a intervenção seja o menos intrusiva possível e, consequentemente, com um menor custo na sua implementação”.

Desta feita, o projeto prevê, além da manutenção dos átrios, a continuidade das áreas que já se encontravam identificadas como estando destinadas a atividades livres – como o refeitório e o ginásio – que foram transformadas em áreas de lazer. “Prevemos depois um acrescento no corpo do edifício, que dará lugar à zona destinada ao Centro de Dia. Ficará acoplado ao Lar mas com a possibilidade de ser separado numa situação, por exemplo, como a que vivemos, de pandemia”, justificou Nuno Lobo. Entretanto, as antigas salas de aula foram reconvertidas em quartos duplos, privados e suites residenciais. Ao nível de serviços – e aqui falamos da secretaria, cozinha, balneário, arrecadações – o corpo do edifício manter-se-á praticamente o já existente.

Em causa não está “uma remodelação de fundo” – até porque o arquiteto disse estar em causa um edifício bem construído e com qualidade – mas pretende-se “criar uma nova ambiência no espaço”, através dos materiais utilizados, que o tornará mais humano e acolhedor tal como foi previsto na recente requalificação do Lar Torres Soares. “Procurámos dotar os quartos com um ambiente aconchegador, com ar de hotel de charme. Não por luxo mas por uma questão de conforto e para que os utentes gostem do seu espaço”, salientou ainda Nuno Lobo.

Já ao nível exterior destaque para a introdução de um elemento - que podemos designar como “jardins suspensos” – que faz a comunicação entre os quartos, no sentido de fomentar o espírito de comunidade e vizinhança.

Avelino Pinheiro: “Um espaço de convívio, onde as pessoas se sintam bem”

Aos presentes na Casa da Cultura falou também Avelino Pinheiro. “O que nós queremos é criar um espaço de convívio, onde as pessoas se sintam bem”, afirmou o provedor da SCMV, que justificou o investimento na criação de sete suites no reaproveitamento do 3º piso com a necessidade de gerar a receita necessária para aguentar uma estrutura sustentada pelo trabalho de cerca de meia centena de profissionais, os quais darão resposta a 130 utentes. “A Santa Casa está neste projeto como sendo parte integrante da Ação Social da CMV e o que fazemos não é pela Misericórdia mas por Vizela. Mas também não podemos ter rentabilidades negativas porque, caso contrário, não conseguiremos manter a nossa atividade social”, explicou o responsável.

No entanto, Avelino Pinheiro deixou a garantia de que relativamente aos restantes lugares destinados ao Lar serão mantidas as regras sociais, com as comparticipações da Segurança Social, que classificou como sendo parcas. Embora seja esta a realidade, “só mudam as instalações, porque o serviço a ser prestado será igual para todos”, comprometeu-se o provedor.

Quanto ao acesso às diferentes respostas sociais, garantiu que “a prioridade será sempre Vizela”. “Mas se tivermos vagas admitiremos pessoas de outras localidades”, referiu o dirigente, cujo propósito está bem definido. “Queremos que o nosso Lar seja um modelo para o resto do país e que permita a todos, independentemente da sua situação financeira, serem felizes na velhice”.

Santa Casa vê aprovada candidatura para criar novo polo de Creche

Recorde-se que numa fase inicial das conversações foi colocada sobre a mesa a possibilidade deste projeto contemplar uma resposta direcionada para a infância. Avelino Pinheiro abordou o assunto: “Uma futura creche? Não está fora de cogitação. Mas, neste momento, temos uma creche nova com 126 meninos, uma das melhores do país. Além disso, tivemos agora a aprovação de uma candidatura ao PARES para que avancemos com a reabilitação do edifício da creche antiga, onde instalaremos um novo polo para acolher mais 44 meninos, até aos 03 anos. Mas se vier a revelar-se essa necessidade, cá estaremos para resolver as coisas”.

Presidente da Câmara destaca nova almofada social e criação de emprego

Desde a primeira hora que CMV adjetivou esta parceria como uma mais-valia para o concelho, em primeiro lugar para as várias freguesias que não têm cobertura a nível social, nomeadamente Tagilde, S. Paio e Santo Adrião e, em segundo lugar, pelo facto de olhar para a SCMV como uma entidade competente e com provas dadas na área social. Sobre o projeto de arquitetura agora apresentado, o autarca Victor Hugo Salgado descreveu-o como sendo algo que “valoriza a qualidade de vida e cria condições para que seja quase um hotel que proporciona a convivência e que está enquadrado num espaço natural extraordinário”.

Sobre a sua concretização, o presidente da autarquia destacou a importância de serem criadas “almofadas sociais” em territórios do concelho onde estas ainda são insuficientes, dando resposta a mais de uma centena de utentes. O edil destacou ainda a criação de mais 50 postos de trabalho e de uma dinâmica que permitirá um novo desenvolvimento na área de abrangência do projeto. Logo depois seguiram-se os elogios para o desempenho da SCMV e do Provedor que “agarrou neste projeto com um significado muito expressivo para Vizela”. Victor Hugo Salgado mostrou ainda a disponibilidade da autarquia colaborar com a instituição no sentido desta poder continuar a trilhar um caminho de sucesso no estabelecimento dos respetivos acordos de cooperação que lhe permitam manter as suas valências, reconhecendo que estas são “pesadas e difíceis de gerir”.

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