Novo confinamento a partir das 00h00 de quinta-feira

É isso que garante o jornal PÚBLICO.

O novo confinamento entrará em vigor às zero horas de quinta-feira, 14 de janeiro, antecipando em dois dias a data que estava prevista para a entrada em vigor do novo estado de emergência, soube o PÚBLICO.

A decisão deve-se à urgência de travar a excessiva subida de novos casos diários, que desde quarta-feira estão na ordem dos dez mil. Para isso, o Conselho de Ministros aprovará as regras exatas em que vai funcionar esta fase de confinamento e que ficarão estabelecidas no decreto de execução, na quarta-feira à tarde, depois de, nessa manhã, a Assembleia da República aprovar a autorização para que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assine o decreto de novo estado de emergência.

Embora sem revelar a data, no final das audiências do primeiro-ministro, António Costa, com os partidos parlamentares, que decorreram neste sábado, a ministra de Estado e da Presidência do Conselho de Ministros, Mariana Vieira da Silva, admitiu a necessidade de celeridade ao afirmar: “O Conselho de Ministros reunir-se-á imediatamente após a aprovação por parte da Assembleia da República, e comunicaremos e tomaremos as medidas de forma a que se possam aplicar o mais cedo possível.” Isto depois de sublinhar que as reuniões do primeiro-ministro com os líderes partidários revelaram “um grande consenso” em torno da ideia “de que é, de facto, necessário tomar medidas adicionais”.

O próprio primeiro-ministro reforçou esta ideia, através do Twitter, ao escrever nesta rede social: “Concluímos, nesta manhã de sábado, a ronda de audições a todos os partidos políticos com assento parlamentar. Os números são preocupantes e todos os esforços são poucos para controlar a pandemia.”

As decisões sobre as medidas concretas que enquadrarão o novo confinamento só serão fechadas na reunião do Conselho de Ministros de quarta-feira e elas dependem em última análise do que forem as conclusões tiradas da reunião com os especialistas em saúde pública e epidemiologia que decorre na terça-feira.

Em princípio, o novo confinamento terá a duração anunciada de 15 dias, o tempo em que vigora cada renovação do estado de emergência. Mas, de acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO, o confinamento irá prolongar-se por mais de duas semanas se o número diário de novos casos de covid-19 não baixar para níveis consideravelmente mais baixos.

Das medidas que virão a ser tomadas, apenas já foi admitido pelo Governo que a ideia é manter as escolas abertas. O primeiro-ministro disse-o claramente, na quinta-feira, ao adiantar que serão “medidas tipo as que se adotaram em março menos o encerramento das escolas”. E, na sexta, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, repetiu a intenção.

O PÚBLICO sabe que a ideia de manter as escolas em funcionamento se deve ao facto de o Governo ter concluído que, dentro das escolas, os alunos estão em maior segurança sanitária, bem como não prejudicam o seu processo de aprendizagem. A estas razões soma-se uma terceira adiantada por Siza Vieira na sexta-feira: o rombo na economia que significa um dos pais ter de ficar em casa para acompanhar os filhos, como aconteceu em março e abril.

Na sexta-feira, porém, Siza Vieira adiantou também que o novo confinamento será próximo do que existiu em março e abril. A maioria do comércio deverá fechar, a restauração funcionará apenas em take-away, mas manter-se-ão abertos, por exemplo, farmácias e supermercados.

 

*PÚBLICO

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