Negócio correu bem aos lojistas nesta nova fase

Reportagem para acompanhar com mais pormenor no RVJornal, esta quinta-feira nas bancas.

As lojas com porta para a rua e que tenham até 200 metros quadrados puderam reabrir na segunda-feira. O atendimento agora é feito no interior das lojas, ao contrário do que se verificou até aqui em que as vendas eram ao postigo. Os lojistas, com os quais a Rádio Vizela, conversou, estão contentes com os primeiros dias desta segunda fase de desconfinamento.

“Notámos que havia uma grande necessidade de tocar nas peças de roupa”

 Sandra Braga, gerente da loja Shelly’s Closet

Há cerca de cinco anos que Sandra Braga trabalha nesta loja de vestuário. Este está a ser “o pior ano para o negócio” e mesmo “as ajudas não são muitas”. “Estamos a tentar sobreviver nesta fase que é muito complicada para nós”, admite. As vendas ao postigo “foram desgastantes”, segundo Sandra Braga, que sublinha que a maioria dos clientes que apareceram nessa fase eram já conhecidos da casa. Agora que já é possível receber as pessoas no interior do espaço, a gerente refere que estes primeiros dias correram bem, sobretudo a segunda-feira, dia em que algumas pessoas não trabalharam: “Tivemos uma grande afluência, as pessoas já podem entrar, notámos uma grande vontade de o cliente ajudar, o que é gratificante, significa que não andamos aqui sem fazer nada. Notámos que havia uma grande necessidade de tocar nas peças de roupa, de experimentar, de ver a peça ao pormenor”.

“Fechar às 13h00 [ao fim de semana] é complicado”

Bárbara Faria, funcionária da loja Parfois

“Começou muito bem, havia muita gente na rua na segunda-feira, estava um dia propício para comprar e correu muito bem, hoje [terça-feira] é um bocadinho diferente, a afluência já não é tanta, está muito mais parado, as pessoas já foram trabalhar, então já não se nota tanta confusão, nem tantas pessoas na rua”, começa por nos dizer Bárbara Faria.

De acordo com a lojista, os responsáveis pela loja optaram por não trabalhar ao postigo, daí que o contacto com o cliente ficou reservado apenas para esta fase do desconfinamento. Mas apesar de ficar satisfeita com a adesão destes primeiros dias, Bárbara Faria não esconde o seu desagrado com o horário que os estabelecimentos estarão sujeitos ao fim de semana. No caso da loja onde trabalha, o espaço encerra ao domingo, mas ao sábado apenas poderá funcionar até às 13h00: “É mais limitativo, porque quem trabalha à semana só consegue vir ao fim de semana e fechar às 13h00 é complicado. E se vier muita gente ainda pior”.

“Se fosse há um ano eu diria que não íamos voltar a fechar”

Sílvia Monteiro, funcionária da loja B& Perfumes & Companhia

Os estabelecimentos de produtos cosméticos e de higiene não estiveram sujeitos ao encerramento, mas Sílvia Monteiro, funcionária, salienta que o desgaste emocional que um ano de pandemia estará a provocar, leva a que as pessoas andem mais na rua neste momento: “Nota-se que as pessoas estão mais cansadas, e o facto de também andar muita gente na rua, o tempo também permite, mas também acho que é o desgaste emocional das pessoas. As pessoas precisam mesmo de sair, de liberdade”. 

“Se fosse há um ano eu diria que não íamos voltar a fechar, mas este ano o Governo deu-nos uma volta tremenda, [por isso] é possível, eu acho, ou as pessoas interiorizam que temos de ter todos os cuidados de modo a evitar isso ou então é inevitável”, acrescenta.

“Acho que há um bocadinho de desleixo por parte das pessoas. Temos de manter a cautela”

Renata Silva, funcionária da loja Futur Sport

Renata Silva, que trabalha numa loja de desporto, fez um balanço positivo às vendas ao postigo, até porque acredita que o confinamento fez com que as pessoas procurassem artigos mais confortáveis. E estes primeiros dias de loja aberta ao público também estão a correr bem, mas alerta para algum desleixo que se sente entre as pessoas no seu dia a dia: “Tem corrido bem, temos um fluxo positivo, mas sinto que as pessoas, inicialmente, tinham mais atenção, mais receio, e com o evoluir do tempo as pessoas passaram a sentir mais tranquilidade, não sei se isso é positivo ou negativo, mas acho que há um bocadinho de desleixo por parte das pessoas. Temos de manter a cautela, porque o vírus ainda anda aí, não passou, um dia de cada vez”.

“Começou com o pé direito”

Lurdes Silva, gerente da loja Atôla

Lurdes Silva diz-nos que a loja optou pelas vendas ao postigo apenas na semana que antecedeu a Páscoa. O negócio foi positivo já que o estabelecimento também vende artigo de criança e os padrinhos tiveram a oportunidade de comprar aqui os presentes para oferecerem aos afilhados. Nesta nova etapa, Lurdes Silva reconhece que o negócio está a correr bem: “Começou com o pé direito, toda a gente vinha stressada com a roupa de criança, que as crianças não tinham roupa para vestir, foi uma afluência muito boa e esperemos que continue assim. Também temos vendido online, principalmente quando estivemos com as lojas fechadas. Foi uma alternativa, mas, mais uma vez, não se compara com a porta para rua, com o público a entrar e experimentar o que quiser”.

Mais pormenores no RVJornal, esta quinta-feira nas bancas.

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