Mais unidos do que nunca este domingo no IX Prémio da AIREV

Sem podermos estar juntos, o objetivo é que estejamos mais juntos do que nunca.

Esse é o desafio. Não permitir que a Covid-19 retire o significado do Grande Prémio. O objetivo é que voltemos a vestir a camisola da AIREV este domingo, dia 27, numa iniciativa que permitirá angariar fundos para a construção da Nova Casa. Assim o afirmaram Sara Santos e Paulo Machado, rostos da instituição, no programa que a Rádio Vizela transmitiu a 19 de setembro.

RV Jornal (RVJ) - Em que momento é que perceberam que não haveria oportunidade de realizar o Grande Prémio no formato das últimas oito edições?

Paulo Machado – Logo que começámos a ouvir falar da pandemia, rapidamente percebemos que alguma coisa podia não correr bem no que toca à realização de eventos não só no que diz respeito ao Grande Prémio. Recordo que o RAID AIREV TT teve logo de ser cancelado. Também chegámos a colocar sobre a mesa a não realização do Grande Prémio mas felizmente que começámos a receber imensos contactos de pessoas que nos motivaram a realizá-lo, embora num formato diferente mas que implica a venda de t-shirts alusivas à época que vivemos. A nossa mascote tem uma máscara e o símbolo do coração e é, dessa forma, que queremos que as pessoas vivam o próximo dia 27 de setembro, ou seja, com a AIREV no coração. Temos uma responsabilidade social acrescida e não queremos ajuntamentos, pedimos apenas que as pessoas vistam naquele dia a t-shirt do Grande Prémio e façam o seu programa em família. Estarão a dizer sim a todos aqueles que nasceram com uma deficiência e a todas as suas famílias. E depois pedimos que enviem fotografias para o nosso Facebook. Será nossa intenção mostrar todos aqueles que caminham ao nosso lado.

Sara Santos – Acredito que apesar de não podermos estar juntos, estaremos mais juntos que nunca.

“A AIREV não é de ninguém, é de uma comunidade. Se esta não contribuir para a instituição, infelizmente, e por muito que nos doa dizer isto, esta fecha portas, porque não terá hipóteses de sobreviver” (Paulo Machado)

RVJ – Sendo um formato novo, ainda não experienciado, foi mais difícil encontrar parceiros para a sua realização?

Paulo Machado - Não, porque apesar do formato ser novo, a causa – a angariação de fundos para a construção da Nova Casa – é bem conhecida de todos.

Sara Santos – Além de reconhecerem o valor e o impacto da instituição na vida das pessoas, considero que existe uma maior sensibilidade dado o tempo que vivemos. Se este já é tão difícil para tanta gente, imaginemos para as famílias que estão em casa, que não têm onde colocar os filhos e se encontram na fila de espera e falamos de cerca de uma centena de famílias. É só nos colocarmos no lugar dessas pessoas. Estivemos confinados alguns meses e ouvimos muitos relatos na Comunicação Social de quão difícil era estar em casa em teletrabalho e com os filhos sem irem à escola. Agora imaginemos estas famílias com crianças com necessidades especiais. Julgo que as pessoas que nos ajudam percebem que instituições como a AIREV tentam que estas famílias tenham uma melhor qualidade de vida.

Paulo Machado – A AIREV não é de ninguém, é de uma comunidade. Se esta não contribuir para a instituição, infelizmente, e por muito que nos doa dizer isto, esta fecha portas, porque não terá hipóteses de sobreviver.

RVJ - Vamos falar do kit deste ano, cuja produção está em velocidade cruzeiro e decorre nas instalações da AIREV…

Sara Santos - Sim, é verdade. Temos muito orgulho do facto dos nossos queridos utentes fazerem parte de todo este processo. Era impensável eles não participarem.

RVJ - Estamos em contagem decrescente para a realização do evento. Como é que estão a decorrer as vendas do kit?

Paulo Machado – Felizmente, as vendas estão a correr muito bem. Não sabemos se nos aproximaremos dos números do ano passado porque, em 2019, inscreveram-se quase 5 mil pessoas. Mas num ano bastante atípico as inscrições estão a correr bem acima daquilo que estávamos à espera.

RVJ - O objetivo é que no próximo dia 27, no domingo, Vizela esteja mais laranja do que nunca?

Paulo Machado - Sim, mas em pequenos grupos.

“A instituição é a esperança destas famílias e, é por isso, que nós queremos duplicar a resposta” (Sara Santos)

RVJ – Nunca será demais explicar a importância da AIREV poder vir a dispor de uma Nova Casa. Qual é o ponto de situação do projeto?

Sara Santos – No dia em que abrimos a primeira Casa demos resposta a todas as pessoas com deficiência mas, no dia a seguir, tínhamos já pessoas em lista de espera. Inaugurámos este edifício em 2014 e já estamos em 2020. Temos mais de uma centena de famílias que não têm onde colocar os filhos. A instituição é a esperança destas famílias e, é por isso, que nós queremos duplicar a resposta para receber 40 utentes no Centro de Atividades Ocupacionais e 30 utentes no Lar Residencial. É uma necessidade.

RVJ - Esta semana foi assinada a escritura do terreno que possibilitará a construção daquele edifício, tratando-se de uma doação por parte da Câmara Municipal de Vizela. Qual é o passo seguinte?

Sara Santos - É verdade. Este passo era o fundamental porque sem esse terreno registado em nome da AIREV não conseguiríamos fazer qualquer candidatura de acesso a apoio financeiro para a construção do edifício. Estamos a aguardar pela abertura do Programa de Alargamento às Redes e Equipamentos Sociais (PARES), o que ainda deverá acontecer neste mês de setembro. Depois teremos três meses para fazer a candidatura e estamos muito confiantes.

RVJ - Qual é a comparticipação elegível que estará prevista pelo PARES?

Sara Santos – Pode chegar aos 80%. É uma oportunidade que não podemos desperdiçar. Cobre toda a construção, inclusive o equipamento do edifício. Já tivemos inclusive uma reunião com o arquiteto para fazer alguns ajustes ao projeto para se enquadrar na perfeição naquilo que é exigido pelo PARES. Também já estivemos reunidos com Câmara Municipal no sentido de formalizar o protocolo de apoio financeiro. A Nova Casa [orçamentada em cerca de 2,5 milhões de euros], tendo a comparticipação do PARES, haverá o remanescente para cobrir e que será dividido em duas partes, uma que será assegurada pela Câmara e outra pela AIREV. O Dr. Victor Hugo Salgado assumiu, mais uma vez, que está ao lado da AIREV e que iremos formalizar esse apoio. O que nos dizem é que o facto de termos um histórico de cumprimento financeiro dá credibilidade ao nosso projeto.

RVJ – Entretanto, como está a equipa AIREV a enfrentar este tempo de pandemia que assolou o mundo nos últimos meses?

Sara Santos - É difícil mas também é nos tempos difíceis que as pessoas mais se unem e eu nunca senti tanta união como agora. Há muita ansiedade, muito receio… É cansativo, exigente, mas é necessário. Mas as coisas têm corrido bem e vamos continuar com regras muito estreitas, porque temos vários utentes com problemas de saúde associados e temos de zelar por eles.

RVJ - Mais unidos do que nunca é uma boa deixa para este IX Grande Prémio…

Paulo Machado - Estamos certos de que vestindo cada um a sua camisola, fazendo cada um o seu passeio de bicicleta, a sua caminhada, a sua corrida, a sua ida à praia, onde quer que vamos, estaremos mais juntos do que nunca.