Livros chegam sobre rodas aos vizelenses

Em março deste ano, a Câmara Municipal de Vizela apresentou o projeto Biblioteca sobre Rodas.

Em março deste ano, a Câmara Municipal de Vizela (CMV) apresentou o projeto Biblioteca sobre Rodas, com o objetivo de levar os livros às freguesias do concelho, numa lógica descentralizadora dos serviços da Biblioteca Municipal. Ainda é cedo para avaliar o projeto, mas a autarquia tem intenção de lhe dar continuidade.

 

De acordo com a vereadora da Educação, Agostinha Freitas, a Biblioteca sobre Rodas é uma espécie de “extensão da Biblioteca Municipal de Vizela”. Graças a este serviço, os livros que habitualmente preenchem as estantes da biblioteca são levados às freguesias do concelho, o que se traduz numa “mais-valia, porque as pessoas veem a biblioteca perto de si”. “Ao invés de virem à biblioteca é a biblioteca que se desloca para lugares improváveis, onde as pessoas se confrontam com a existência de livros na sua passagem”, realça.

A Biblioteca Sobre Rodas foi apresentada em finais de março, daí que para Agostinha Freitas seja ainda “muito cedo para falar no perfil das pessoas que utiliza este tipo de funcionalidade da biblioteca”. No entanto, diz-nos que o projeto também vai ter com as instituições do concelho, nomeadamente o Casal do Telhado, do Centro Social e Paroquial de Santa Eulália, e a Santa Casa da Misericórdia de Vizela: “São lá deixadas caixas de livros onde os utentes destas valências fazem a requisição dentro da própria instituição. Fica lá uma caixa e amiúde vamos lá trocar os livros, e estas instituições têm sido aquelas que têm usufruído mais desta valência. Claro que naquilo que são as freguesias também podemos dizer que são os mais velhos que mais têm usufruído da Biblioteca sobre Rodas”.

Os pontos de paragem da Biblioteca sobre Rodas foram selecionados com base na “articulação feita com os presidentes de Junta”, porque, justifica a vereadora da Educação, “eles têm esta sensibilidade de perceber onde é que a sua população se podia deslocar para consultar os livros”. A viatura tem estacionado junto às sedes das Juntas de Freguesia do concelho, contudo, garante Agostinha Freitas que o ponto de paragem poderá sempre ser alterado. “Não estamos propriamente à espera de que as pessoas venham à biblioteca, a biblioteca é que vai ter com as pessoas e essa é que é a vantagem deste serviço, portanto, é isso que nós temos feito com os senhores presidentes de Junta, verificar qual é o melhor sítio para a biblioteca ir ao encontro das pessoas”, refere.

 

Projeto levará o seu tempo a dar frutos

 

A CMV adquiriu e adaptou uma viatura antiga para ser a casa deste projeto. À sua passagem salta à vista de todos e sempre que a mesma chega “às instituições ou às escolas

os alunos já a identificam como a carrinha da biblioteca”. “No fundo, aquilo que nós queremos é que este seja um projeto pedagógico não só para as escolas, mas também para a população em Vizela, para que valorize a leitura”. “O nosso objetivo com esta carrinha era extrapolar os muros das escolas, os muros da própria Biblioteca Municipal, para que as pessoas pensem nos livros como uma mais-valia e um companheiro no seu dia a dia e, portanto, é um processo que não é obviamente automático, é um processo lento e demorado”, entende a vereadora da Educação.

E como se trata de um projeto que levará o seu tempo a dar frutos, Agostinha Freitas garante que a intenção é dar continuidade ao mesmo, muito embora os resultados iniciais possam não vir a ser os melhores: “É um projeto para apostar, porque embora os resultados ainda sejam insípidos – devido à situação da Covid-19 e porque o projeto só arrancou este ano e ainda não temos um feedback que nos permita aferir exatamente os resultados - acho que tem que ser prolongado exatamente no sentido de promover o acesso ao conhecimento a todas as pessoas e levar esse conhecimento para a rua. Ou seja, fazer com que esta prática do incentivo à leitura se transforme numa vontade das pessoas, mas que as pessoas se confrontem com elas no seu dia a dia e não que elas sejam obrigadas a ir à biblioteca”.

Em meados de agosto, que coincide com o habitual período de férias da maioria da população de Vizela, o projeto sofrerá uma pausa e a viatura da Biblioteca sobre Rodas só voltará à estrada em setembro. Depois, mais à frente, será tempo de fazer uma avaliação para verificar “se este projeto chegou a muita gente”.

 

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