“Hoje as pessoas estão a empobrecer trabalhando”

João Pimenta Lopes, deputado da CDU no Parlamento Europeu, está esta quinta-feira em Vizela em contacto com a população. A iniciativa insere-se numa ação mais alargada que está a decorrer em todo o distrito de Braga, com ações que iniciaram ontem e que vão culminar esta sexta-feira, e que contam com a presença dos dois eurodeputados da CDU, João Pimenta Lopes e Sandra Pereira.

Estes encontros têm decorrido junto das escolas, com associações, empresas e mercados. Em Vizela, o deputado europeu passará esta tarde na empresa Mundotêxtil e de manhã esteve na feira municipal. Foi aí que a Rádio Vizela falou com João Pimenta Lopes. “O aumento do custo de vida e a grave situação socioeconómica que se está a viver no nosso país tem tido um reflexo muito grande nos contactos com as pessoas”, partilha o eurodeputado. João Pimenta Lopes destacou “o problema dos baixos salários” que não estão a acompanhar “o aumento do custo de vida” e “o aumento da inflação”. “Hoje as pessoas estão a empobrecer trabalhando”, atira o eurodeputado, acrescentando que o problema com o aumento do custo de vida não se deve única e exclusivamente aos efeitos da Guerra na Ucrânia. “Houve uma ação especulativa que levou ao aumento dos custos dos bens essenciais, da energia, e, é bom lembrar, que estes já vinham aumentando desde meados do ano passado, evidenciado as consequências de privatização destes setores e da ausência de capacidade de os estados intervirem sobre esta matéria”, atira João Pimenta Lopes, acrescentado, ainda os problemas verificados com o aumento dos custos com a habitação.

Mas há mais preocupações que o eurodeputado comunista evidenciou, nomeadamente na Educação e na Saúde, reiterando a necessidade de haver investimento público nestes setores.

João Pimenta Lopes aproveitou o momento para destacar algumas das propostas que a CDU apresenta, desde logo o aumento dos salários, de forma a cobrir a inflação. “O aumento do salário mínimo [no imediato] para 800 euros e em 2023 aumentar para 850 euros, o estabelecimento de preços máximos para bens e essenciais e para o setor da energia, a descida para 6% IVA na eletricidade para toda a fatura, e não apenas para uma pequena parcela, a intervenção no mercado da habitação, estabelecendo tetos máximos para o aumento das rendas, e que se impeça situações de despejo, e regular o mercado da habitação”, enumerou.

Quanto às medidas já anunciadas pelo Governo para minimizar as constantes subidas dos preços e o aumento da inflação, para João Pimenta Lopes, estas “são suficientes”. “Agora até há o folclore da taxação dos grandes lucros, mas a aplicar-se as medidas da Comissão Europeia, na prática, vai ser uma taxação mínima”, argumentou ainda.

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