História de nove Bandas de Música de Vizela contada em livro

Será este sábado, dia 27, pelas 15h00, no auditório da Academia de Música da Sociedade Filarmónica Vizelense, que terá lugar a apresentação do livro “Philarmónicas em Vizela – apontamentos para a história”, da autoria de António Cunha, que se propõe a contar a história das nove bandas filarmónicas que Vizela viu nascer desde 1870.

António Cunha nasceu em 1977 e é natural de S. João das Caldas. Como vizelense afirma-se um “apaixonado pela sua terra” mas também pela música. Integra a Banda de Vizela há 34 anos e, por isso, decidiu em 2017, mergulhar no desafio de escrever um livro, através da recolha de elementos que lhe permitiram fundamentar cronologicamente o percurso de nove bandas filarmónicas vizelenses, desde 1870 com o aparecimento da primeira banda de música em Vizela até à atual Sociedade Filarmónica Vizelense.

“Tenho um gosto particular por tudo o que diz respeito a Vizela, é algo que me desperta a atenção, nomeadamente a segunda metade do séc. XIX até ao início do séc. XX”, conta António Cunha, em entrevista ao RVJornal. Por isso, apesar do projeto ter nascido há quatro anos, há muito que sentia curiosidade sobre a história das Filarmónicas em Vizela. “Havia pouca documentação e a que existia encontrava-se dispersa. Havia ainda a tradição oral, ou seja, ia ouvindo as pessoas falarem de que teriam existido várias Filarmónicas. No entanto, não existia nada devidamente fundamentado. A verdade é que, por cada dia, mês ou ano que passa, as informações vão-se perdendo e este foi o momento ideal para organizar estes dados e compilá-los neste livro”, defende o o autor.

Os últimos quatro anos foram intervalados, porque não faz da pesquisa o seu modo de vida, por meses passados em bibliotecas, arquivos e registos prediais e até paroquiais. O maior número de informação conseguiu-o através do espólio disponível no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, “O livro descreve todas as bandas cronologicamente, identificando os protagonistas, músicos, apoiantes das bandas, maestros. Tudo o que diz respeito às Filarmónicas”, garante o vizelense.

Um trabalho de investigação, que permitiu, diz António Cunha, constatar a enorme influência que as bandas filarmónicas tiveram no desenvolvimento da Vizela termal: “Até as picardias que existiram entre algumas bandas originaram um maior desenvolvimento cultural. Queriam tocar cada vez mais e melhor. Ao mesmo tempo, foram acompanhando o desenvolvimento termal participando nos eventos que se iam realizando”. E nem tudo foi digno de uma história de encantar. O autor adianta estarem relatados nesta obra episódios de violência, ordens de prisão e até processos judiciais que proibiram as bandas de tocar entre 1908 e 1910. “Juntei peças de um puzzle, que terminou no livro que será agora apresentado. A verdade é que desde 1870 existiram nove Bandas Filarmónicas em Vizela, algumas em simultâneo, outras foram aparecendo enquanto outras desapareciam, até que foi criada a Banda Filarmónica Vizelense. Vizela tem uma história muito rica ao nível das Bandas Filarmónicas e isso não é do conhecimento geral”, salienta o vizelense.

Desta feita, com a publicação deste livro, António Cunha acredita que ficará para as gerações vindouras, o registo do que foram as bandas de música em Vizela. Mas o final da obra ficou reservado para algumas curiosidades. Foram elementos que surgiram ao longo da investigação e que foram considerados de elevada importância documental: “Durante estas pesquisas consegui juntar vários elementos que poderiam contribuir para a história de Vizela, seria uma pena não apresentar estes dados, vêm enriquecer este livro. Falo dos cafés, dos casinos e apresento a descrição completa dos 20 hotéis que existiram em Vizela”, assegura o autor.

A apresentação está marcada para este sábado. “Só espero que as pessoas compareçam e comprem o livro, porque será algo enriquecedor para Vizela. Em princípio, vou ter os exemplares à venda em algum quiosque, mas os interessados também poderão encomendá-lo através do email antonioteixeira-cunha@hotmail.com, que procederei ao envio através do correio. O livro será vendido ao preço de custou, ou seja, 15 euros”, conclui António Cunha.

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