Felpo inteligente permite aquecimento e secagem rápida

Falamos de robes, toalhas de mesa e banho, chinelos e tapetes.

Cofinanciado pelo COMPETE 2020, o projeto iHEATEX tem como entidade promotora a Têxteis JF Almeida, e como parceiros o Citeve (Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário) e o CeNTI (Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes). Este projeto, iniciado em 2018, visa a investigação e desenvolvimento de novas estruturas e arquiteturas de felpo multifuncionais e de hibridização inteligente, com propriedades de gestão ativa de humidade e aquecimento com aplicação nos têxteis-lar e hotelaria, nomeadamente artigos de banho e de cozinha.

Em declarações à Rádio Vizela, João Almeida, um dos administradores da Têxteis JF Almeida, salienta tratar-se de “um projeto multifacetado a nível de inteligência, de aquecimento e de secagem de artigo de felpo”. Os robes de aquecimento foram o ponto de partida deste projeto, mas a partir daqui a linha alargou para “chinelos, toalhas de banho e de mesa e tapetes”.

“Já está em fase final, é um projeto de três anos em que nos juntámos ao CeNTI e ao Citeve, entidades que nos ajudaram neste projeto”. Segundo João Almeida, “é um artigo que tem fios condutores dentro dele e tem um aquecimento controlado, ou seja, é um aquecimento que pode ir até 50ºC, basicamente a função dele é aquecer, conforto e secagem rápida”. Isto é, dependendo do estado do tempo, uma toalha poderá levar algumas horas a secar, contudo com este produto a mesma toalha demorará entre cinco e dez minutos a ficar seca.

De acordo com João Almeida, no desenvolvimento deste produto, a parte relacionada com a tecnologia - a nível de hardware e de firmware - competiu ao CeNTI, já à JF Almeida e ao Citeve coube a parte relacionada com as estruturas.

O projeto deveria ter finalizado em janeiro, contudo ainda está a decorrer a fase de prototipagem do robe, “que deve ficar pronto a comercializar em abril e o resto dos artigos em maio”. “Está quase finalizado, estamos na parte de tecnologia, a nível de baterias, estamos a tentar reduzir um bocadinho a bateria” explicou ainda o administrador.

De acordo com João Almeida, o preço dos produtos ainda não está definido, no entanto serão artigos que poderão ser “vendidos ao dobro, triplo ou quadruplo do preço de um artigo normal”. 

 

Aposta nos mercados da Escandinávia e da América do Norte

 

Os artigos em causa são dirigidos a um segmento de luxo, nomeadamente “hotéis, spas e depois o private label” para marcas de luxo. Quanto aos mercados, a aposta recairá, sobretudo, na Escandinávia e na América do Norte.

Apesar de se tratar de artigos tradicionais, cada vez mais o ramo do têxtil-lar tem apostado no fator inovador: “A nossa ideia é entrar nos têxteis técnicos, que é um artigo em voga, e que queremos também diferenciar, é um artigo com mais-valia, portanto esse foi o objetivo, começar com produtos inovadores e tecnológicos”.

O projeto iHEATEX foi cofinanciado pelo Compete 2020, no âmbito do Sistema de Incentivos à I&DT, representando um investimento elegível de 682 mil euros, o que resultou num incentivo FEDER de 469 mil euros.

Na opinião de João Almeida, a pandemia Covid-19 não levou a que o projeto sofresse qualquer atraso. O único transtorno esteve relacionado com as reuniões que passaram a ser feitas à distância, virtualmente: “Naturalmente que as reuniões virtuais vão ser o futuro, mas neste tipo de projeto é sempre bom estarmos fisicamente juntos, porque analisamos o artigo, os problemas e as coisas por virtual não são assim tão eficientes, mas não foi isso que nos fez atrasar”.

Quase a encerrar este projeto de felpo inteligente, a empresa encontra-se já a trabalhar – desde setembro de 2020 - num outro projeto, direcionado para a área da saúde. “Estamos também com uma parceria com o Citeve e com a Têxteis Penedo, no desenvolvimento de um produto inovador para ajudar no ramo hospitalar, nos centros de dia e lares, mas ainda não posso divulgar muito, mas também será um projeto inovador”, esclareceu João Almeida.

 

“Nunca tivemos tanto trabalho como estamos a ter”

 

O administrador da Têxteis JF Almeida salienta que o encerramento de fronteiras não está a provocar quaisquer constrangimentos à empresa. “Neste momento, a nível de têxteis-lar estamos cheios de trabalho, nunca tivemos tanto trabalho como estamos a ter, naturalmente que o têxtil-lar está em voga, o consumidor tem comprado bastante e não é isso que nos tem atrasado, naturalmente que o mercado hoteleiro e de spas neste momento não vamos conseguir entrar, porque está totalmente parado, mas a venda ao private label, ao consumidor final - vamos entrar com ele até com vendas online - não nos vai prejudicar, agora a nível hoteleiro sim, vai-nos prejudicar bastante, mas esperemos que isto passe rápido”, salientou.

E se algumas empresas tiveram quebras significativas em 2020 devido à pandemia Covid-19, o mesmo resultado não se verificou na Têxteis JF Almeida: “Comparativamente com 2019, no ano de 2020 tivemos uma quebra de 6% a 7% e estávamos a prever uma quebra de 30% no início da pandemia, portanto não foi um ano que correu bem, mas foi um ano que correu menos mal. Não nos podemos queixar, naturalmente que a pandemia fez-nos parar quase um mês inteiro, mas depois foi sempre a recuperar”.

E agora, em 2021, João Almeida tem em perspetiva melhorar os resultados do ano anterior. “Naturalmente que não sabemos para onde a pandemia nos vai levar, mas, para já, as perspetivas são boas”, rematou.

PUB___