Feirantes concentraram-se em protesto junto à Câmara

Não entendem a suspensão da feira de Vizela. Há feirantes em sérias dificuldades.

Cerca de meia centena de feirantes, que exercem a sua atividade, semanalmente, em Vizela, concentraram-se esta manhã em frente ao edifício sede da autarquia. Estão contra a medida anunciada pela Câmara de suspender a feira de Vizela, e exigem um passo atrás da decisão, justificando as dificuldades do setor e de quem dele depende para viver.

Luís Gomes, em representação da Associação de Feiras e Mercados do Norte, deu voz à indignação dos presentes. Diz que a Associação não foi notificada da suspensão da feira de Vizela, e que os feirantes mereciam mais consideração. “Nem fomos notificados. Somos poucos mas somos trabalhadores, estamos a passar uma fase muito crítica e as Câmaras só se lembram dos pequenos mas nós não somos os culpados disto. Lidamos com milhares de pessoas e poucos feirantes foram infetados, o problema não está em nós”. Suspender a feira de Vizela foi “uma atitude injusta” e a Associação espera agora que outras Câmaras da região, não decidam enveredar pelo mesmo caminho.

A Associação de Feiras e Mercados garante que os feirantes cumprem as regras e que o período de desconfinamento veio provar que o principal problema não está nas feiras. Há feirantes a passarem dificuldades e no futuro não há esperança. “Há pessoas aqui que estão a passar por sérias dificuldades na vida, este é o nosso sustento e não há apoios do Estado que nos alivie as despesas”, disse Luís Gomes. O responsável lembra a posição de autarcas da região, como Lousada, Felgueiras e Paços de Ferreira, que apenas encerraram feiras por ordem do Governo. “Neste caso, foi a Câmara que o fez. Não interessa bater nos grandes, porque elimina votos”, referiu.

Victor Hugo Salgado: “Com o fecho das feiras em Lousada, Felgueiras e Paços de Ferreira, era expectável maior procura da de Vizela e estamos no centro do surto”

Esta manhã, a Câmara Municipal de Vizela emitiu um comunicado sobre esta concentração de feirantes. A Rádio Vizela contactou o presidente da Câmara Municipal de Vizela, que diz "entender as dificuldades pelas quais os feirantes estão a passar", mas considera que "é importante ter em atenção a saúde pública". "Lousada, Felgueiras e Paços de Ferreira estão com medidas restritivas, lançadas pelo Governo e Vizela está no centro de um dos maiores surtos do país".

Tudo isto, refere Victor Hugo Salgado, faz com que Vizela tenha que tomar medidas antecipadas, mesmo estando a aguarda pelas decisões que sairão do Conselho de Ministros extraordinário de sábado. Apesar de compreender a insatisfação dos manifestantes, o autarca vizelense lembra que se trata de uma profissão que mantém contacto com muita população e que passa por muitos concelhos à volta, muitos deles com números alarmantes de infetados pelo novo coronavírus. Não existindo feira em Lousada, Felgueiras e Paços de Ferreira, o presidente da Câmara refere que era expectável uma maior procura por parte dos compradores das feiras de Vizela, daí que a medida da autarquia tenha sido tomada para evitar e prevenir a propagação do vírus, disse.

Representantes da Associação de Feiras e Mercados do Norte tentaram ser atendidos por alguém responsável que ouvisse as suas reivindicações, no entanto, sem sucesso. Em isolamento está o presidente da Câmara e os restantes vereadores apenas entram ao serviço na segunda-feira, após isolamento profilático.

Os feirantes terão agora que formalizar, por escrito a ação levada a cabo hoje, assim como as suas reivindicações, e aguardar por uma resposta da autarquia.