Eduardo Guimarães não se recandidata se não tiver mais apoio

FC Vizela a passar por sérias dificuldades financeiras atribuídas à redução de subsídio camarário

O Auditório dos Bombeiros Voluntários de Vizela recebeu na manhã deste sábado a Assembleia Geral Ordinária do FC Vizela, cerca de três dezenas de associados marcaram presença, aprovando todos os pontos em discussão, por unanimidade.

Uma sessão marcante e importante para o futuro da coletividade, na medida em que foi aprovada a alteração aos Estatutos e a ainda a apresentado o Regulamento da Assembleia Geral, o que levou também a que fosse mais longa. No entanto, antes destes pontos, os associados ficaram a conhecer a preocupante situação financeira por que passa o FC Vizela, Eduardo Guimarães apresentou as contas de 2018, com um saldo negativo de 57 mil euros. Uma situação bem mais agravada do que 2017 e que o dirigente atribuiu ao novo método de financiamento aos clubes, por parte da Câmara Municipal de Vizela e que acaba por “penalizar o FC Vizela”.

Para justificar a sua afirmação o dirigente apresentou um gráfico, com os montantes atribuídos ao longo dos últimos anos. Em 2010, ano anterior à entrada da atual direção, o FC Vizela recebeu da Câmara Municipal 458 mil euros. Já na presidência de Eduardo Guimarães, 115 mil em 2011, valores aproximados nos anos seguintes, até 2017, com a atribuição de 170 mil euros e depois a descida drástica para 48 mil euros em 2018 e 49 mil, em 2019. Eduardo Guimarães entende que o FC Vizela deverá “ser olhado com outros olhos”, pois tem instalações antigas, que necessitam de constante manutenção e outras despesas, como são a água, eletricidade e transporte para todos os jovens da Formação, atletismo e basquetebol, “enquanto outros clubes a receber os mesmos subsídios usufruem de instalações municipais”.

Salienta que o subsidio atribuído ao FC Vizela por esta altura, “não está a permitir que possamos continuar a pagar os compromissos assumidos com o Processo Especial de Revitalização, a antigos dirigentes e a credores”. O dirigente assumiu ainda a dificuldade cada vez maior, em angariar patrocínios e apoios para o clube, pois reina a confusão de que “o clube é rico, porque tem uma SAD e um investidor chines, e que por isso, está em desafogo financeiro,m o que não é verdade”. Refira-se que apenas Seniores e Juniores estão sob a alçada da SAD, estando o clube, sob alçada de Eduardo Guimarães, cuja direção termina mandato no final deste mês de dezembro. Fica a expetativa da sua continuidade ou não para mais um mandato, mas Eduardo Guimarães avisou que não quer voltar ao passado. “Não vou andar a pedir aos amigos, como fiz quando entrei em 2011”.  

 

Presidente da Assembleia Geral pediu para “passar mensagem”

Ao longo desta sessão, José Borges presidente da Assembleia Geral, apelou aos associados para que levassem a todos os outros, uma mensagem de preocupação pelo momento atual do clube. O representante dos associados no clube salientou no entanto o seu otimismo, no sentido de que os responsáveis políticos pela gestão do concelho terão em conta um apoio mais substancial ao FC Vizela “o clube mais antigo e mais representativo do concelho”.

 

Alteração dos Estatutos e criação do Regulamento da Assembleia  

André Castro, vice presidente da Assembleia Geral e advogado do FC Vizela há longos anos, foi o responsável pela alteração dos Estatuto do clube, aprovada por unanimidade nesta sessão. A última alteração datava de 1996, pelo que era necessário, tornar este instrumento “ mais adequado aos dias de hoje e mais útil para as necessidades do clube”. Na grande maioria apenas alguns ajustes, nos artigos e nas suas alíneas, destacando-se no entanto a alteração da duração dos mandatos, de dois para três anos. Haverá ainda a obrigatoriedade da realização de duas assembleias, por ano, uma até março, para a apresentação de Contas e outra até 15 de dezembro, para apresentação do Plano e Orçamento, até ao momento havia apenas uma, em janeiro de cada ano.

O artigo 22 sofreu também uma alteração, pois se até agora as assembleias, com o número legal de associados, reunia em segunda convocatória, uma hora depois, agora funcionará meia hora depois.

Foi ainda apresentado e aprovado o Regulamento da Assembleia. André Castro, destacou os pontos mais importantes, como é exemplo a Assembleia Geral Eleitoral, que permitirá a eleição de eleição por voto secreto e não de braço no ar como até agora. Na elaboração de uma direção foi ainda eliminada a figura do presidente adjunto, passando o presidente a poder escolher entre dois e seis vice-presidentes e também um número diferente de vogais.