"É uma ótima desculpa para que as pessoas se juntem”

Festas de S. Tiago Maior em Lustosa terminam este domingo.

As Festas de S.Tiago Maior em Lustosa terminam este domingo, com especial destaque para a componente religiosa. Para o pároco local, padre António Teixeira, têm uma forte componente simbólica: “A nível pessoal significam muito trabalho, porque neste momento tenho seis paróquias, e saber que há festa em todas elas é sempre um sinal de trabalho. Mas acho que mais importante e mais gratificante até do que o trabalho, é uma ótima desculpa para que as pessoas se juntem (…) para que as pessoas saiam de casa e se encontrem, e deixem um bocadinho aquilo que é o isolamento, o egocentrismo.”

A preparação da componente litúrgica das festas assenta, segundo o sacerdote, na continuidade e no envolvimento de quem, ano após ano, colabora nas cerimónias. “Portanto, as mesmas pessoas que estão na organização e na preparação das coisas todas necessárias, quer para a Eucaristia, quer para a procissão de velas, quer para a missa de festa, quer para depois à tarde o Terço e a procissão de S. Tiago, portanto, as pessoas já estão um bocadinho habituadas a isso.” “As pessoas vão se preocupando com isso e vão preparando as coisas com antecedência. Nota-se que há movimento. As coisas começam a sair da gaveta”, rematou.

Esse envolvimento estende-se também à população em geral, que contribui com pequenos grandes gestos. “Eu estava a falar das coisas aqui mais diretamente ligadas à igreja e que serão usadas nas várias celebrações”, explica o padre, “mas depois mesmo com o resto da população há também aquela preocupação de enfeitar os andores, de combinar a questão da vinda da florista, de colocar os santos no próprio andor. Sim, há aqui uma envolvência de muita gente que, bastante tempo antes, começa a dar sinais de que estamos a chegar à festa.”

No programa religioso, o sacerdote destaca a Eucaristia como o momento mais significativo. “Em qualquer festa, o coroar sempre da festa é a celebração da Eucaristia”, afirma. “É o grande momento festivo de celebrarmos também a nossa devoção ao santo padroeiro da festa, que no caso até é um apóstolo, portanto, que é o S. Tiago Maior.” Ainda que a Eucaristia seja o ponto alto, reconhece que “visivelmente, esteticamente, aquele momento litúrgico que mais se vê, que mais se nota, é a procissão festiva do S. Tiago.”

Sobre a ligação entre o religioso e o popular, o padre António considerou: “Primeiro, a primeira ligação são as pessoas, portanto, os que vêm à Eucaristia, os que vêm à procissão, são os mesmos que estão depois na parte lúdica. Embora a parte lúdica, a parte mais pagã da festa, junte depois gente de muitos outros sítios.” E especifica que “na sexta-feira, no dia 25, é o mesmo dia de S. Tiago Maior, nós fazemos aqui a Eucaristia, e este ano vai haver uma arruada de bombos a seguir, portanto, vêm bombos de todo lado”.

A articulação entre a Igreja e a Comissão de Festas é também evidente. Esta colaboração vai além da parte espiritual, passando inclusive pela sensibilidade na escolha dos artistas e das diversões: “Há aqui uma articulação entre o pároco, que de alguma forma supervisiona também, mesmo a escolha dos divertimentos, mesmo a escolha dos artistas, no sentido de haver um certo cuidado, porque nós estamos a falar de uma festa que é feita a um santo, e as festas servem, precisamente, para dignificar aquilo que é a nossa devoção.” E deixa claro que há limites que importa respeitar: “As festas não deviam ser um motivo de maior ofensa a Deus, e, portanto, há aqui também um certo controlo com a Comissão de Festas também para precavermos essa situação. E, normalmente, tentamos que os grupos e os artistas não sejam indignos para uma festa religiosa.”

A mensagem final do pároco é um convite à participação e ao reencontro humano, tão necessário nos dias de hoje. “A mensagem é que venham. Quando eu, no princípio, falava deste convívio, é um bocadinho isto, mais do que até a devoção que nós possamos ter ao S. Tiago, nós assistimos hoje na nossa sociedade a este fechamento sobre si mesmo.” Nesse sentido, destaca a importância das celebrações enquanto ponto de encontro. “Quando nós nos queremos inserir ou sair da nossa casa, mas sentirmos que depois temos pessoas à nossa volta, a melhor forma de o fazer é participar, por exemplo, nas Eucaristias.” E conclui com um apelo simples, mas cheio de significado: “Eu acho que o mais importante, é dizer às pessoas que nós precisamos de nos encontrar uns com os outros. Portanto venham que depois o resto acontece naturalmente."

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