Dopemeen está a dar os primeiros passos na música

Pedro Ribeiro é Dopemeen na área artística. Tem 23 anos de idade e é de Lustosa

Pedro Ribeiro é Dopemeen na área artística. Tem 23 anos de idade, é de Lustosa, e está a frequentar uma pós-graduação em Tradução Especializada e Ferramentas de Tradução, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto. É, contudo, na música que melhor se expressa e alguns temas estão já nas plataformas digitais.

A paixão pela música surgiu por volta dos quatro anos de idade. As primeiras influências foram bandas como Incubus, Deftones e Artic Monkeys até que Pedro “começou a gostar da parte da mixagem”, isto é, da mistura de sons. “Foi aí que comecei a escrever com mais atenção e que comecei a gravar”, explicou.

Montou um estúdio no seu quarto e desde aí começou a compor. Por volta dos 19 anos estava numa fase complicada da sua vida, a lutar contra uma depressão, e na música, sobretudo rap, encontrou o escape de que necessitava. Aqui as influências eram já os rappers Lil Peep e Bones. “Comecei a identificar-me com as músicas que eles escreviam, com as batidas, comecei no meu quarto, a escrever em inglês, porque me dava mais prazer, mas reparei que a dicção não era tão boa como o português, então comecei a escrever em português e a identificar-me mais com aquilo que estava a escrever”, partilha.

Dopemeen tem já 20 canções completas, mas muitas mais para fazer. Para além de escrever, é também o jovem de Lustosa que faz os seus instrumentais e tudo o que está relacionado com a mixagem e a masterização. É nas redes sociais e nas plataformas de streaming, como Spotify, iTunes, Youtube, SoundCloud e Deezer, que partilha os temas que vai compondo. “Mente” e “Panorama” são apenas dois exemplos. “A música “Mente” fala um pouco do estado que eu estava a ultrapassar na altura, o facto de estarmos às vezes sozinhos no nosso quarto, presos ao nosso pensamento, mas sempre com vontade de melhorar”. “Já o tema “Panorama” é uma viagem ao passado e o facto de estar um bocado estagnado e de querer mudar aquela que é a minha visão sobre a vida”, explica.

“Findar” é o seu novo tema, com instrumental feito por si e que fala da depressão. “Até agora, dos temas que escrevi, é o que mais gostei”, confidencia o músico, que prefere estar a solo pela maior liberdade que isso traz à sua música: “Sempre sozinho, sempre preferi assim, tinha mais liberdade para fazer o que eu queria, não tinha tanta pressão e tudo o que aprendi foi sozinho. Nunca fui muito metódico, gosto de explorar as sonoridades e é aí que crio o meu som”.

As letras das suas canções são “uma viagem” pelo seu “ego”, pelos seus “sentimentos”, mas também sobre a sua “visão da sociedade”.

 

“É um género muito experimental, é possível pegar em qualquer batida, distorcê-la e a partir daí criar um som novo”

 

“Tenho um projeto novo para sair, que remete para os meus tempos de infância, de nostalgia, tudo muito à base de uma mistura de rock com música eletrónica, reparei que se misturasse os sons eletrónicos com os sons de guitarra ficava bem, foi uma fase experimental, porque os sons que tinha feito anteriormente era com beats que me eram feitos por outros para que eu os usasse, esta é a primeira vez que estou a fazer um projeto a solo, com beats que são inteiramente meus”, acrescenta Pedro Ribeiro.

Dopemeen tem como base a dopamina, um neurotransmissor associado à sensação de prazer. Do termo em inglês – dopamine – Pedro Ribeiro dividiu-o em dois: “Dop para referir o conjunto de drogas e mine – que passou a meen - é algo que na gíria seria algo porreiro. Ou seja, acaba por ser um contrassenso, porque estamos a usar essas drogas todas, o que é bom para a nossa dopamina, mas não é bom para o nosso corpo”.

“Passar para o papel o que sinto faz-me sentir com outro estado de espírito, já não sou o Pedro do dia a dia e passo à minha vertente de artista e sinto-me realizado quando escrevo”, explica o jovem que até ao momento ainda não se apresentou ao vivo. “Trabalho apenas com as redes sociais e é lá que partilho as minhas músicas, gostava de ter concertos ao vivo obviamente, mas ainda não tive oportunidade”, frisou. Apesar disso, garante, “o feedback [nas redes sociais] tem sido positivo, não tenho tido grandes números, porque comecei há muito pouco tempo e só tenho estes projetos, mas alguns comentários que tenho recebido têm mudado a minha vida, e dá-me vontade de fazer cada vez mais coisas”, disse ainda.

É no rap que Pedro Ribeiro encontra o melhor veículo para se expressar. “É um género muito experimental, é possível pegar em qualquer batida, distorcê-la e a partir daí criar um som novo”. “E a maneira como se escreve é diferente, nós escrevemos a palavra com percussão, então acho que se dá mais sentimento às palavras e o som torna-se mais complexo”, considera.

É a partir da melodia que Pedro Ribeiro parte para a letra que, com o tempo, foi ficando mais “genuína”. “Penso que evoluí muito na escrita”, entende o jovem para quem viver da música é o seu “maior sonho”.

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