Clubes não concordam com normas da DGS na retoma da Formação

Para os clubes é “incomportável” exigência de teste PCR na retoma da Formação , numa altura de dificuldades

A Direção-Geral de Saúde (DGS) exige resultado negativo num teste laboratorial à Covid-19 até 72 horas antes da retoma, a partir 19 de abril, das atividades desportivas de médio risco, em que se incluem o futebol (médio), nomeadamente de formação, e alto risco. A grande maioria dos clubes, com modalidades coletivas de formação entendem que é uma medida incomportável.

De acordo com o acórdão da DGS, divulgado no passado dia 01 de abril, se a modalidade for de baixo risco, não haverá necessidade de realização de quaisquer testes ao novo coronavírus.

Contudo, o cenário muda para as modalidades de médio e alto risco, com a agravante de um teste laboratorial RT-PCR custar 65 euros a pedido do Serviço Nacional de Saúde e 100 euros para particulares. O custo terá de ser totalmente suportado pelos clubes, logo, efetuados pela via particular.

A DGS exige, ainda, que conforme o risco epidemiológico (incidência cumulativa a 14 dias), sejam realizados, com regularidade, entre treinos e competição, testes rápidos de antigénio (TRAg), que custam entre sete e dez euros e dão resultados dentro de até 30 minutos. São as exigências para a retoma das modalidades classificadas de médio risco. Nesse lote estão incluídas as principais modalidades coletivas. Casos do andebol, basquetebol, futebol, futsal, hóquei em patins e voleibol, cujas divisões profissionais prosseguiram durante o segundo confinamento.

O regresso é há muito aguardado sobretudo pelas equipas onde há formação. Foi um contar de dias, de meses, pois não há atividade desde março de 2020.

Todos estavam a preparar o regresso à atividade no dia 19 deste mês, mas o anúncio da DGS, no entanto, com a obrigação da realização dos testes leva os clubes a aguardar.

Um desses casos é o Desportivo Jorge Antunes, cujas equipas de Formação se preparam para o regresso, que já estava agendado para o dia 19. Segundo Ricardo Costa, responsável pela Formação do clube, o regresso está certo, mas será repensado “se formos obrigados a testar todos os atletas com um teste de laboratório”. O dirigente assume que o clube “não tem possibilidade de assumir os custos com a testagem”, mas também destaca que o clube não quer “onerar os pais dos atletas com este encargo”.

Ressalva que aguardam diretrizes da AF Braga em relação a este assunto, assim como em relação “à retoma do futsal e a um eventual regresso à competição da Formação do futsal”. No FC Vizela, o basquetebol e o futebol de Formação, estão inseridos na modalidade de médio risco e, portanto, sujeitos à realização de testes.

Pedro Oliveira é vice-presidente do clube e responsável pelas modalidades e diz que o clube não concorda com os testes. “Não concordamos com os testes e achamos que é uma medida que prejudica o regresso das modalidades. O que defendo é que eles não querem que as modalidades regressem, como o andebol e o futebol, e colocam a responsabilidade nos clubes. Todos sabemos que fazer um teste em laboratório é algo que 90 por cento dos clubes não consegue suportar, o FC Vizela faz parte desses 90 por cento”. A Federação Portuguesa e a Associação de Basquetebol de Braga já se pronunciaram sobre isso, pois também discordam da decisão.  “Têm estado em contacto com o FC Vizela e já apresentaram uma alternativa à DGS, que a nós nos parece mais viável. Se for mantida a decisão, não temos condições para avançar, mas vamos esperar que a decisão seja revertida”.

A Associação de Basquetebol de Braga já apresentou uma alterativa e aguarda agora pela resposta da DGS. A alternativa seria fazer testes antigénio, que são muito mais acessíveis, e ainda assim ser apenas metade do seu valor suportado pelos atletas, com o Estado a suportar o restante.

Espera que para o Futebol de Formação também possa regressar sem os testes laboratoriais, “espero que as Associações e Federações tomem mais medidas, que sejam mais ativas e estejam mais em contacto com os clubes, em defesa dos clubes e dos atletas da Formação”.

Em Santa Eulália, há a ideia de que a competição não irá ser retomada esta temporada, por isso, segundo o responsável pela Formação, Fernando Fernandes, o regresso irá ser feito, como estava a acontecer antes deste segundo confinamento. Ou seja, “o trabalho vai ser feito com pequemos grupos, com todas as medidas de segurança”, como tal acredita que “não será necessária a realização de qualquer teste”. Ainda assim, o clube está à espera das decisões da AF Braga, para saber em concreto o que vai fazer em relação à Formação”.

Contactado pelo RVJornal, também Emídio Magalhães, coordenador Geral da Formação do Moreirense, preferiu para já não assumir uma posição, nem tomar qualquer decisão em relação ao regresso. Diz que vai aguardar alguns dias, para perceber que posição vai tomar a AF Braga, na defesa dos clubes. “É incomportável os gastos com o teste laboratorial para todos os atletas, antes de iniciar a atividade”, disse.

A AF Braga ainda não se prenunciou sobre as últimas diretrizes da DGS, nem sobre a eventual retoma do Desporto de Formação, no entanto, internamente está a ponderar uma decisão para orientação dos seus clubes filiados.

Refira-se que a terceira fase de desconfinamento para o desporto entra a 03 de maio, quando ressurgirão as modalidades de alto risco de contágio, por “implicarem contacto face a face”. Entre as quais boxe, jiu jitsu, judo, kickboxing e muaythai, lutas amadoras e râguebi. Chegam ainda a variante de pares de patinagem artística, tal como a vertente acrobática na ginástica, o kumite no karaté e no kempo, o kiorugy no taekwondo, as disciplinas standard, latino-americana e de pares na dança desportiva ou o san da e wushu kung fu na esfera das artes marciais chinesas.

Recorde-se ainda que apesar do regresso do desporto, os adeptos vão continuar de fora. Têm estado longe das bancadas desde março de 2020, quando foi suspenso todo o desporto em Portugal, incluindo futebol, e entrou em vigor o primeiro estado de emergência.

Em outubro, houve três jogos-piloto e dois desafios da seleção portuguesa de futebol com presença de adeptos, como teste, e o FC Porto recebeu público num encontro da Liga dos Campeões. Porém, a segunda vaga da pandemia do novo coronavírus deitou por terra quaisquer planos de retoma da assistência ao vivo.

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