Centros de Dia: o antes e o depois da pandemia Covid-19

Os Centros de Dia estiveram encerrados durante mais de um ano e meio. A causa foi a pandemia Covid-19. Idosos e familiares viveram tempos complicados e as mazelas deixadas foram a nível emocional e físico. A reabertura destes esquipamentos chegou tarde para alguns dos utentes, cuja condição de saúde se agravou neste período. São algumas destas histórias que partilhamos consigo, depois de a Rádio Vizela ter visitado o Centro de Dia do Centro Social e Paroquial de Santa Eulália (CSPSE).

 

Cerca de uma dezena de utentes do Centro de Dia já não puderam regressar depois da reabertura

 

Os Centros de Dia, usualmente, destinam-se a pessoas com mais de 65 anos, que ainda tenham autonomia, e que durante o dia, ao longo da semana, frequentem este espaço, sem perder o elo de ligação com a família, uma vez que ao final do dia regressam a casa. É uma forma de “retardar as consequências próprias do envelhecimento”, explica Sílvia Monteiro, responsável pelo Centro de Dia do CSPSE. A resposta tem horário alargado, funciona entre as 07h30 e as 20h00: “Temos apoio nas atividades de vida diária, na alimentação, higiene pessoal, tratamento de roupa, cuidados básicos de saúde, transporte, depois temos iniciativas de índole terapêutica e sociocultural, durante pelo menos duas horas por dia, ou com animador, psicomotricista ou professor de música”.

A Covid-19 trocou as voltas a todos nós e o Centro de Dia fechou, no entanto, os técnicos procuravam dar algumas respostas às famílias, àquelas que mostraram interesse. Nestes casos, passaram a visitar os idosos diariamente, levando as suas refeições, mas não só: “Dar apoio na medicação, para fazer a higiene pessoal, estar um pouco com eles, o apoio psicossocial e animação foi um pouco mais tardia, no pico [da pandemia] só prestávamos os serviços básicos, mais tarde, com a redução de casos, ficávamos uma hora com eles a fazer alguma atividade, a conversar, a fazer-lhes companhia”.

Foi mais de ano e meio complicado, sobretudo para os idosos: “Para quem ia assiduamente à casa deles, havia uma sensação de impotência, porque eles estavam sempre a perguntar: quando vamos? E nós nunca tínhamos respostas muito concretas para lhes dar, porque percebemos, para quem já conhece o dia a dia dos Centros de Dia, e estava habituado àquele contacto diário com o exterior e, de repetente, ficar isolado na sua casa, sentiram muito a nível de estabilidade emocional, o estado de ânimo era tendencialmente triste, encontrava-os desanimados”.

Mas não foi apenas a nível emocional que se ressentiram os idosos ao longo deste tempo. A parte motora também foi afetada: “Algumas pessoas que frequentavam o Centro de Dia nem puderam regressar, tiveram de encontrar outras respostas, porque já não preenchiam os critérios para frequentar um Centro de Dia, porque a deslocação diária para uma instituição era muito exigente fisicamente. Pessoas que acabaram por ficar mais dependentes a nível da mobilidade, e as famílias tiveram ou que encontrar um cuidador para ficar com eles em casa ou encontrar resposta que não um Centro de Dia”.

Nesta situação, conta-nos Sílvia Monteiro, estiveram 11 utentes. Também as famílias passaram tempos complicados neste período: “A angústia que eles sentiam os familiares, dois ou três também tiveram de deixar os seus trabalhos nessa fase, e ficar com o seu pai ou mãe em casa, sem qualquer tipo de apoio, porque não recebiam para isso, tinham baixa sem vencimento, foi muito tempo para estarem nessas condições, sofríamos alguma pressão no sentido de têm que abrir, porque não posso continuar assim, e eles também não, não é vida”.

Com a autorização de reabertura destes equipamentos, teve de ser elaborado um plano de contingência e desde essa altura que o Centro de Dia do CSPSE está a funcionar nas instalações do Centro Comunitário. Ainda nada voltou a ser como dantes, devido às regressas seguidas de segurança, mas os idosos já puderam voltam ao convívio. Entretanto, as vagas deixadas em aberto pelos 11 utentes que viram a sua situação degradar-se e que, por isso, não puderam regressar, já foram ocupadas, pois, a lista de espera é grande.

 

Uma reportagem para acompanhar na íntegra no RVJornal, já nas bancas.

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