Casos a diminuir, mas ainda não é tempo de baixar cuidados

Isso mesmo referem os coordenadores das duas USF de Vizela.

O pico da segunda vaga da pandemia covid-19 já terá sido atingido. Em Vizela, classificado como concelho de risco extremo – com mais de 960 mil casos por 100 mil habitantes -, a tendência é a de diminuição de casos ativos, tal como sublinham os coordenadores Armando Guimarães e Fernando Carvalho, da Unidade de Saúde Familiar (USF) Physis e Novos Rumos, respetivamente.

Armando Guimarães tem partilhado nas redes sociais alguns gráficos que atestam uma diminuição do número de infetados. Contactado pela Rádio Vizela, o coordenador da USF Physis sublinha que “a partir do dia 15/16 de outubro, mais ou menos, os novos casos começaram a diminuir bastante, portanto, tudo indica que o pico foi atingido nessa altura”. Contudo, apesar desta diminuição “bastante significativa”, Armando Guimarães mostra-se cauteloso: “O que não quer dizer que isso continue, porque estamos com as medidas do estado de emergência que, aparentemente, estão a surtir algum efeito, o problema é que o estado de emergência não se poderá manter eternamente, portanto, é bastante provável que ao acabar o estado de emergência os números voltem a subir, porque o vírus ainda está presente. Da última vez que vi Vizela teria à volta de 1110 casos por 100 mil habitantes, portanto ainda acima do limite, ainda longe de ser considerado um risco moderado”.

Também o coordenador da USF Novos Rumos, Fernando Carvalho, enaltece que já teremos atingido o pico e, refere, “no caso concreto de Vizela há uma descida acentuada”.

Na opinião de Fernando Carvalho, são três os fatores que justificam a diminuição dos casos ativos: “Por um lado, porque foi atingido o pico e, portanto, como já é normal e esperado numa pandemia após atingir o pico há uma descida, depois - e esta sim é muito importante e é de louvar e agradecer - a atitude que todos os vizelenses têm tido nestes últimos tempos, as pessoas consciencializaram-se de que era necessário cumprir todas as regras recomendadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), nomeadamente o uso de máscara, quer em espaços fechados quer em espaços abertos, o distanciamento social e a higiene das mãos, a etiqueta respiratória, são aqueles fatores que são fundamentais. Penso que as pessoas começaram a compreender que esta mensagem era importante aceitá-la, acatá-la e praticá-la. Penso que também houve uma diminuição no número de festas, dos almoços, dos jantares, quer familiares quer não familiares. Da nossa experiência do dia a dia, que contactamos com os nossos utentes com covid, sabemos que grande parte deles foi em almoços e jantares, em reuniões familiares, portanto ao terem cuidado e ao terem evitado essas situações estamos nesta fase bastante melhores para todos nós”.

 

Preocupação com o Natal

 

Fernando Carvalho não acredita que as medidas de restrição à circulação que têm sido impostas sejam determinantes para a redução dos casos: “Relativamente ao confinamento sou um bocadinho cético, é evidente que o confinamento tem a sua importância, não vamos dizer que não, mas quando nós vemos que na parte da manhã as pessoas continuam a passear juntas e sem máscara, as pessoas continuam a ir em grande quantidade para os hipermercados e centros comerciais, portanto não me parece que o confinamento em si só tenha sido o motivo mais importante. Não vou dizer que não teve a sua importância, claro que teve, mas aquilo que foi mais importante foi as pessoas consciencializarem-se que era importante cumprir as regras da DGS”.

Por outro lado, Armando Guimarães acredita que os números continuarão a baixar “ainda mais por casa das pontes, fins de semana prolongados, com proibição de circulação entre concelhos, isso vai ajudar à diminuição dos casos”. Mas, alerta, “o pior vem depois, vem aí o Natal, as pessoas têm as suas festas em família, querem deslocar-se aos centros comerciais, aos supermercados, para fazer compras de Natal, há sempre muitos ajuntamentos nesta altura, tanto em casa, em família, como ao fim de semana nas superfícies comerciais”. Daí que, para o coordenador da USF Physis, limitar o número de pessoas que se possam juntar para celebrar o Natal “seria uma medida que contribuiria, certamente, muito para que não haja um aumento [de casos] no Natal”.

Também Fernando Carvalho partilha “que é necessária alguma contenção” no Natal. “É evidente que estamos melhores, com muito menos casos, o risco de transmissão é menor, mas ele existe e continuará a existir, portanto quanto menos pessoas se juntarem melhor e quanto menos tempo estiverem juntas também melhor. E no Ano Novo a exigência terá de ser muito, muito maior”, referiu.

Ambos estão em sintonia quando reforçam que o essencial para conter a pandemia são os cuidados que cada um deverá ter no dia a dia.  

 

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