Carlos Pinto foi vice-campeão Nacional a 353 km/h

Natural de Santa Eulália o atleta esteve no Nacional de Velocidade em Queda Livre

Vizela tem mais um vice-campeão nacional, o primeiro título nesta modalidade, o Campeonato Nacional de Velocidade em Queda Livre.

O feito pertence e Carlos Pinto, natural de Santa Eulália, mas que atualmente reside em Vila Nova de Gaia.

A praticar esta modalidade deste 2014, Carlos Pinto de 32 anos de idade conseguiu no Campeonato Nacional que decorreu no aeródromo de Moitas em Proença-a-Nova, o seu primeiro grande título ao ser o segundo mais rápido em prova, atingindo os 353 km/h.

Esta é a modalidade do desporto não motorizado de velocidade mais rápido do mundo: a velocidade alcançada pelo corpo humano em queda livre é em função de dois fatores: o peso do corpo e a posição do corpo durante a queda livre. Se durante a queda livre conseguirmos uma posição perfeita, o corpo humano poderá atingir 480km/h ou mais.  Alcançar e aguentar a velocidade máxima através da posição do corpo durante a queda livre é o objetivo do paraquedismo de velocidade. “Nesta modalidade, nós temos de levar um aparelho no nosso equipamento que juntamente com um conjunto de regras serve para medir a velocidade que cada participante atinge desde que sai do avião, até que abre o paraquedas”, conta Carlos Pinto.

À Rádio Vizela Carlos Pinto contou que sempre gostou de desportos radicais e quando experimentou a queda livre, percebeu que era aquilo de que gostava.  “Eu comecei a praticar paraquedismo desportivo em 2014, no seguimento de uma paixão crescente por desportos radicais. Já tinha feito escalada desportivas nas montanhas, mas deu-me a curiosidade de saltar abaixo de um avião. Quando descobri a modalidade através do meu amigo Paulo Alves, que é o grande dinamizador em Portugal, decidi participar e achei engraçado. Quando experimentei ficou o bichinho de continuar e fazer mais”.

Nos últimos anos a modalidade tem-se expandido em Portugal, com a aposta da Federação Portuguesa de Paraquedismo.  “À medida que fiz o curso de iniciação ao paraquedismo, fui praticando e comecei a descobrir as diferentes vertentes que o paraquedismo tem. Algumas delas já são mais antigas, há campeonatos de precisão de aterragem, entre outras vertentes. Nos últimos anos surgiu a modalidade da velocidade em queda livre, que fora de Portugal é denominada de Speed Skidiving. Nos últimos três a Federação Portuguesa de Paraquedismo começou a fazer a competição cá em Portugal. Desde então tenho participado nas provas organizadas pela Federação e esta última correu-me particularmente bem e consegui ficar em segundo lugar”.

O atleta destaca o conjunto de condições que são necessárias para que as coisas corram bem, isto a juntar à capacidade de cada atleta. “Passa muito pelas nossas competências técnicas no ar, pela forma como direcionamos o corpo, para atingirmos uma velocidade cada vez maiores. Depois há fatores que podem fazer diferença, como o peso, pois se um tiver mais 40 quilos do que outro e se ambos forem bons tecnicamente a pessoa mais pesada terá mais possibilidade de ganhar maior velocidade.  Há um conjunto de condições que são importantes, as condições do vento, da visibilidade. A forma física também é importante, pois à velocidade a que descemos, o corpo fica sujeito a uma pressão bastante intensa, depois também tem a ver com a experiência e com a prática”.

O sul do país é onde estas condições estão em maior evidência e onde se conseguem melhores resultados. “Naturalmente que no sul do país as condições são melhores, são uma zona privilegiada para o paraquedismo. Há duas escolas no Algarve e funcionam quase todo o ano, algo que é difícil nas escolas de paraquedismo mais a norte, no Porto e em Braga, pois os dias de chuva são muito mais regulares e acaba por dificultar um pouco a prática. Por isso é que nós andamos sempre a par da meteorologia, para ver onde há condições mais favoráveis e somos obrigados a fazer viagens para conseguirmos continuar a praticar a modalidade”.

Geralmente há uma grande prova a cada três meses, no entanto, com a pandemia esta foi mesmo a primeira. “Este ano de 2020 é um ano anormal e este Campeonato Nacional em que participei foi na verdade a maior e a única e deverá haver mais este ano. Em anos normais, existem provas a cada três meses”.

Despois deste segundo lugar Carlos Pinto ficou apurado para participar no Campeonato de Mundo, marcado para o próximo ano em Moscovo, na Rússia. Uma participação que ainda não é certa, como refere. “A participação depende da reunião das condições para o fazer, pois a presença em provas internacionais depende dos próprios participantes, isto porque se trata de um desporto amador”. Se acontecer a presença, esta não será a primeira prova internacional em que participará o vizelense, pois já esteve em 2018 na Alemanha, esteve também numa prova internacional no Algarve com a presença de atletas de todo o mundo.

Apesar de residir em Gaia, Carlos Pinto destaca que sempre que pode vem a Santa Eulália, para ver os pais e restante família, destaca também que é gratificante sentir-se admirado na sua terra.

“A motivação para a prática desta modalidade é uma motivação pessoal, porque gosto muito e sou muito feliz nos dias dos saltos. No entanto, quando há um esforço colocado numa atividade e se consegue resultados positivos, também é gratificante perceber que os amigos e os familiares partilham da nossa alegria”, rematou.