Bruno Fernandes mantém otimismo apesar das lesões graves

Jogador vizelense pertence ao Sporting, mas nos últimos anos esteve emprestado a clubes do Campeonato de Portugal

Se há jogadores marcados pelo azar, sem dúvida que Bruno Fernandes é um deles. O jogador vizelense, que está ligado ao Sporting até 2021, completou esta terça-feira 23 anos de idade, mas já ultrapassou três lesões graves, com três intervenções cirúrgicas ao ligamento cruzado anterior. Está por esta altura ainda a recuperar da terceira  lesão sofrida no final do ano passado, quando atuava no Sintrense, clube do Campeonato de Portugal.

Foi um dos grandes negócios do FC Vizela, quando em 2015 aconteceu a sua transferência para o Sporting, com contrato até 2021, que na altura rendeu aos vizelenses 40 mil euros.

Era nessa época um dos mais promissores atletas do FC Vizela e, apesar de ser ainda Júnior de primeiro ano, já alinhava pelos Seniores, equipa pela qual fez alguns jogos antes de rumar ao Sporting.

Para o jogador foi um sonho tornado realidade, a transferência para o Sporting acaba por ser o facto mais relevante da sua carreira. “Foi sem dúvida um dos momentos mais felizes para mim. Foi o mais alto da minha carreira”, destacou o jogador, em entrevista ao RVJornal.

E os primeiros meses de leão ao peito fizeram jus à sua expetativa, pelo menos até surgir a primeira lesão. “Os primeiros tempos em que joguei pelo Sporting foram muito felizes, estava a jogar nos Juniores e estava a jogar regularmente. Sabia que não ia ser fácil, com a adaptação a uma vida totalmente diferente, mas abracei este projeto com muita força. Estive bem até janeiro, já tinha oito golos, mas depois tive a minha primeira lesão grave que deitou por terra muitos dos meus sonhos”, admite.

Ainda se recorda desse momento, num jogo com Benfica, a contar para a 1ª Divisão Nacional de Juniores, em 2016, num ano onde tudo corria bem à sua equipa. “Foi no Seixal, frente ao Benfica. Nós estávamos a fazer uma grande época, com dezassete vitórias seguidas, com o recorde de vitórias na primeira divisão nacional, se ganhássemos ao Benfica. Já estávamos a ganhar por 1-0, quando numa disputa de bol, senti o pé rodar, dores muito fortes, até senti que me partiu tudo. Ainda voltei ao jogo, pois não tinha noção do que me tinha acontecido, mas percebi logo que não dava mais”.

Apesar das implicações que têm sempre uma lesão deste tipo, entende que a recuperação nem foi assim tão dolorosa. “As recuperações são todas difíceis, mas recuperar de uma cirurgia ao ligamento cruzado anterior é um processo difícil. A minha recuperação não foi assim tão má, pois ao contrário de outras pessoas com quem já falei, eu não senti muitas dores”.

 

Jogador atuou em cinco equipas do Campeonato de Portugal por empréstimo

 

Mesmo antes da lesão, já tinha percebido o quão difícil seria chegar ao plantel principal do Sporting. A qualidade é muita entre todos os jogadores candidatos e integrar a equipa principal dos leões. “Eu já sabia que mesmo em situação normal, já seria difícil chegar à equipa principal do Sporting, porque aqui há muitos jogadores e são todos bons e eu sou apenas mais um. Aqueles que têm muita qualidade chegam à equipa A. Tinha esse sonho, sempre pensei que se fizesse bem o meu trabalho podia pensar nisso”. Ainda assim, revela que sempre foi bem tratado, sobretudo ao nível médico, na primeira vez, na lesão, no Sporting, mas também nas outras duas. Primeiro ao serviço da AD Oliveirense e na última época ao serviço do Sintrense.

“Sempre me senti apoiado pelo Sporting, quando estava lesionado era aqui que recuperava. Aconteceu na primeira vez, mas depois nas outras, nos clubes onde estava emprestado. Sempre fui tratado com o maior profissionalismo, até penso, que dentro de todo o meu azar, até tive sorte, pois estava num bom clube onde pude ser tratado da melhor forma, o que ajudou nas minhas recuperações”. Antes de ser emprestado pela primeira vez, ainda esteve na equipa B do Sporting, mas percebeu que não tinha espaço para jogar e, como tal, preferiu ser emprestado.

“Fui para o Vilafranquese, onde pude voltar a jogar e mostrar o que sabia. Aprendi muito nesse clube, mas também em todos onde já passei. Tive a sorte de já ter passado por todas as Séries do Campeonato de Portugal. Infelizmente, em alguns clubes foi pouco tempo, devido às lesões, mas aprendi muito, fui sempre muito bem tratado, em todos onde estive emprestado”.

A Covid -19 veio atrasar um bocado a recuperação da última intervenção, no entanto permitiu-lhe o regresso a casa, por algum tempo. “Já podia estar a cem por cento, no entanto, com a academia fechada tive que trabalhar em casa, em outras condições. Quando o Sporting fechou tudo aproveitei e fui para casa, em Infias, e quero agradecer à direção do CCRRB de Infias e à Junta, por me deixarem trabalhar no seu campo”.

Agora voltou à academia do Sporting e a recuperação está praticamente alcançada. “Estou na fase final da recuperação, acho que mais um mês de trabalho de campo e de ginásio, estou pronto para regressar. Estou a trabalhar em Alcochete e tem corrido tudo bem”.

Confessa que já lhe passou pela cabeça desistir, e agradece a quem sempre esteve consigo, durante este tempo: “Passa pela cabeça desistir, pois são poucos os jogadores que conheço, que já tiveram que passar por três intervenções cirúrgicas. Foram momentos muito difíceis e ainda bem que tive pessoas que me puderam ajudar, como a minha namorada que esteve sempre comigo. Os meus pais, irmão e os amigos também foram importantes, para que pudesse ultrapassar isto”.

O futuro é incerto, Bruno Fernandes destaca que ainda não perdeu os seus sonhos, mas reconhece dificuldades em cumpri-los: “Acho muito difícil chegar à equipa principal do Sporting e depois das lesões mais difícil se tornou. Não perdi os meus sonhos, mas é muito difícil. Ainda não sei o que me reserva a nova época, vou focar-me em ficar recuperado a cem por cento e depois se vê o que tenho pela frente”.

O contrato com o Sporting termina em 2021 e pela cabeça passa-lhe chegar a um clube da II Liga. Salienta que nenhuma alternativa será tão boa como o Sporting, mas dadas as circunstâncias, não se pode queixar: “Decerto que não vou ter uma alternativa tão boa como o Sporting. Nem penso tão alto como a I Liga, mas quero ver se consigo chegar à II Liga, depois se as coisas correrem bem, poderei pensar mais acima”.

Garante, no entanto, que lhe têm chegado alguns convites: “Não me preocupa, pois também sei das minhas capacidades e há muitos treinadores que falam bem de mim. Já fui abordado por alguns para a próxima temporada. Apesar das lesões, não impede que alguns me queiram na equipa deles”.

 

“Apesar de tudo, ainda tenho o sonho de uma carreira no futebol nacional”

 

Apesar de tudo o que tem acontecido na sua carreira, Bruno Fernandes mantém os seus sonhos, mas com os pés assentes no chão: “Claro que tenho sonhos, todos os futebolistas os têm, apesar do que por vezes acontece. Não são tão ambiciosos como há alguns anos atrás, mas claro que ainda tenho sonhos”.

As lesões acabaram também por prejudicar a sua vida pessoal, e os estudos ficaram pelo caminho. “Não consegui prosseguir com o meu curso, acabei por desistir dos estudos, gostava de completar o 12º, mas a minha aposta sempre foi quase total no futebol”.

Não esconde também que gostaria de um dia voltar a representar o FC Vizela, onde assume ter sido muito feliz como futebolista. “Claro que me passa pela cabeça voltar a representar o FC Vizela, pois para além do contrato com o Sporting, foi aí que fui mais feliz, como jogador de futebol.  Vamos aguardar pelo que o futuro nos reserva, mas estou muito feliz, por finalmente terem subido de divisão, o que desejo é muita sorte para o FC Vizela”, remata o atleta Bruno Fernandes.