Ave Mobilidade na estrada mas aquém da revolução pretendida

Esta semana foi apresentada a operação de transporte público rodoviário para a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Ave. Os veículos da AVE Mobilidade estão a circular desde 01 de dezembro, mas nem todos os objetivos serão atingidos para já.

Sérgio Soares, CEO da Transdev Portugal e Espanha, considera que a entrada em funcionamento da nova operação de transporte público rodoviário “representa um crescimento importante no número de operações previstas para servir as populações e isso foi particularmente importante numa altura em que o tema da mobilidade está no centro das preocupações das pessoas”.

Em declarações à Rádio Vizela, Sérgio Soares entende que “este é o primeiro passo daquela que tem de ser uma grande revolução nos transportes públicos no nosso país e, desde logo, nesta região”. “O que há de novo é um aumento da oferta, uma digitalização da oferta no sentido em que o acesso àquilo que existe está disponível para as populações por via de atos e por via da internet, os títulos são também desmaterializados, vai o Wifi a bordo dos veículos, uma panóplia de alterações relevantes que mudam qualitativamente a oferta de transportes na região do Ave”, indicou o CEO.

De acordo com Sérgio Soares, “foram adquiridas novas viaturas, [houve] um investimento de cerca de sete milhões de euros para fazer face a esta nova oferta, para que tudo funcione bem, tanto a nível de veículos como a nível de tecnologia”.

 

“O operador não é dono da oferta, a oferta é detida pela autoridade de transportes” (Sérgio Soares)

 

Mas em termos de aumento de rotas e de horários, questionámos Sérgio Soares. “No global, na CIM do Ave há um aumento da oferta, não podemos dizer que seja a revolução que nós todos queremos que aconteça, sabemos que toda esta região, tendo uma oferta relevante, e este é um grande avanço, carece ainda de um aumento importante, mas esse aumento pode ir sendo feito ao longo dos próximos meses e anos, a partir do momento que há um sistema a funcionar e que pode ser alterado em função das exigências das populações e das exigências dos municípios”. “Essa é a grande vantagem deste modelo que existe hoje em que a autoridade tem capacidade e tem poder para alterar a oferta, o que não acontecia até agora, essa á a grande alteração fundamental destes contratos, o operador não é dono da oferta, a oferta é detida pela autoridade de transportes”, responde Sérgio Soares.

 

“Nem tudo o que consideramos importante para ser resolvido no âmbito da mobilidade e da circulação nesta região será alcançado, acreditamos que paulatinamente e com o desenvolvimento do território isso se poderá verificar” (Victor Hugo Salgado)

 

O presidente da Câmara Municipal de Vizela (CMV), e simultaneamente vice-presidente do Conselho Intermunicipal da CIM do Ave, também enaltece que “dentro de algumas limitações” os municípios passam a ter “um papel mais interventivo” e “maior capacidade de apresentar soluções”, fruto da competência que a CIM do Ave assumiu no âmbito da mobilidade e dos transportes. Mas, também alertou Victor Hugo Salhado: “Nem tudo o que consideramos importante para ser resolvido no âmbito da mobilidade e da circulação nesta região será alcançado, acreditamos que paulatinamente e com o desenvolvimento do território isso se poderá verificar”. Ainda assim, perspetiva o edil vizelense, “que este poderá ser o primeiro grande passo para que num curto espaço de tempo se consigam solucionar problemas deste chavão da mobilidade, que passe aos atos e consiga ter resultados práticos na vida de cada um de nós”.

 

Atuais títulos deixam de ser válidos no final do mês. Novos devem ser solicitados

 

Recorde-se que a empresa Transdev venceu o concurso público para operar os transportes públicos de passageiros na CIM do Ave, nos próximos cinco anos, com uma proposta que se compromete a disponibilizar mais rotas e mais horários nos municípios integrantes, isto é, Cabeceiras de Basto, Fafe, Guimarães, Mondim de Basto, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão e Vizela.

O investimento global do consórcio, que juntou a Transdev a outras três empresas, e que deu origem à AVE Mobilidade, foi superior a seis milhões de euros com o intuito de colocar no terreno uma operação que responda na íntegra às necessidades das populações.

Com mais de 1100 ligações diárias, a CIM do AVE aposta na melhoria da Mobilidade na região. “A nova oferta, que se caracteriza pelo seu maior conforto, eficiência e modernidade, contará com 152 autocarros ao serviço da população”. “E contará muito em breve com a disponibilização de rede Wifi para todos os passageiros, além de que toda a rede estará disponível na web e nas plataformas especializadas em mobilidade e no próprio site da Autoridade de Transportes da CIM do Ave”, lê-se em nota de imprensa.

A nova operação implica mais de 200 postos de trabalho. Na nota enviada para a nossa Redação, lê-se ainda que a Transdev e a CIM do Ave proporcionam viagens a 1, 2 e 3 euros aos passageiros que viajem entre 17 e 31 de dezembro. A campanha promocional aplica-se aos bilhetes adquiridos a bordo e o valor é calculado mediante a origem e o destino, sendo que: as viagens com origem e destino no mesmo município terão um valor de 1 euro; as viagens com origem e destino nos diferentes municípios da CIM do Ave terão um valor de 2 euros; e as viagens com origem ou destino fora dos municípios da CIM do Ave terão um valor de 3 euros.

Na sua página de Facebook, a AVE Mobilidade alerta, entretanto, que os títulos de transporte atuais são válidos apenas até 31 de dezembro e que os passageiros deverão pedir um novo. Para tal deverão apresentar o atual título de transporte e o cartão de cidadão, sendo que o novo título terá o custo de cinco euros. No caso de Vizela, os novos títulos devem ser pedidos no agente Transdev, no Largo 05 de Agosto.

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