“Às 05h00 temos de acordar os utentes para lhes dar banho"

Enfermeira demissionária não se revê na atual gestão e faz críticas severas à atual Direção do Centro Social da Paróquia de Nespereira (CSPN). A Rádio Vizela conversou com Daniela Pereira. Exercia Enfermagem na instituição, há cerca de três anos, mas pediu demissão há duas semanas. Garante que não tinha condições para continuar em funções: “Desde que o padre Francisco Xavier assumiu a presidência no CSPN, as coisas mudaram muito e eu, não concordando, acabei por sair”.

Daniela Pereira começa por dar nota do encerramento da cozinha: “Trazem comida do Centro Social da Paróquia de Polvoreira, a comida vem fria, crua, intragável e dão-na aos utentes”.

 A enfermeira vai mais longe, afirmando que a nova direção terá dado indicação para que os banhos dos utentes aconteçam de madrugada. “Às 04h00/05h00, temos de acordar os utentes para lhes dar banho”. Diz que o intuito é para que de manhã, “quando a nova equipa entrar às 08h00, já esteja tudo adiantado, para dar o pequeno-almoço, vestir, sentar, fazer as atividades e vídeos para as redes sociais”. E os utentes? “Estão revoltados e já fizeram queixa aos familiares, mas há sempre desculpa”, responde. E acrescenta: “Querem que demos banho [a essa hora] aos utentes que estão acamados e não falam e esses não podem queixar-se”. Ao nosso semanário, a enfermeira garante que procuraram, junto da nova chefe de enfermagem, mostrar “desagrado”, mas a resposta dada “foi que era para cumprir ordens”.

Mas as queixas não se ficam por aqui: “Mesmo a forma como ele [padre Francisco Xavier] fala para nós, arrogante, rude, é uma pessoa muito complicada e é difícil trabalhar neste ambiente. As minhas colegas choram ao irem trabalhar, algumas não podem sair infelizmente, não têm outro trabalho e têm de se sujeitar.”

Ao mesmo tempo, Daniela Pereira garante que há 22 pessoas que já deixaram de colaborar com a CSPN. “Desde a direção, a diretora executiva, a chefe de enfermagem, a coordenadora do apoio ao domicílio, a assistente social, a nutricionista, a cozinheira, a pessoa responsável pelos stocks, a equipa médica saiu toda, por aí fora…”, garante. “Fomos nós que nos despedimos, mas fizemo-lo por aquilo que ele está a fazer”. “Quando entrou tirou a direção toda que estava lá e pôs outros elementos”. “E o que ele fez para as chefias se despedirem? Retirou-lhes as funções completamente. As pessoas iam trabalhar sem terem nada que fazer, acabaram por saturar e demitiram-se”.

Até à entrada da nova direção, assegura que o ambiente era “familiar”. “Tudo o que precisávamos estavam sempre disponíveis, trabalhávamos em equipa, havia comunicação, era um ambiente muito bom”. “Éramos uma Unidade de Cuidados Continuados de referência no Norte do país e para o Hospital de Guimarães e deixámos de o ser”. “Neste momento, só somos números, que é o que ele [padre Francisco Xavier] vê”, finaliza.

Confrontada pela Rádio Vizela com as críticas da antiga colaboradora, a atual direção executiva liderada por Mónica Pereira, respondeu apenas que reitera o que foi transmitido no comunicado do passado dia 14 de maio, ou seja, que a missão do CSPN “é servir e que é nesse objetivo que está focada, contra todos os interesses que não sejam os da instituição ou dos fins sociais que seguem”.

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